TARIFA ZERO E UM EXEMPLO QUE PODE SER ADAPTADO À NOSSA REALIDADE

tALLIN

Em Tallin, Capital da Estônia, população decidiu fazer uma Justiça Social. Os moradores aceitaram que o governo subsidiasse as operações de transportes públicos, que beneficiam a todos: quem usa e quem não usa ônibus.. Os resultados têm agradado. Mais gente tem usado mais o transporte coletivo e o trânsito e a poluição tendem a diminuir. Foto: Reutters

Com 420 mil habitantes, Tallin tem ônibus de graça para todos os moradores
Poder público é responsável pelo financiamento dos serviços de ônibus. Com isso, população começar a sentir estimulada a deixar o carro em casa, garante governo local.
ADAMO BAZANI – CBN
Com uma população de 420 mil habitantes, número semelhante aos moradores de Mauá, na Grande São Paulo, por exemplo, a cidade de Tallin, capital da Estônia, trouxe uma inovação aprovada pela população e que tem surtido efeito na questão da mobilidade urbana.
O poder público, por impostos e subsídios, após referendo realizado em março de 2012, financia os serviços de ônibus e trólebus e os moradores da cidade não pagam tarifa.
No plebiscito, 75,5% dos habitantes votou pela gratuidade total dos transportes, que entrou em prática no dia 1º de janeiro deste ano.
A lógica é simples: os transportes públicos beneficiam a todos numa região, tanto quem anda como quem não anda de ônibus. Isso porque, se não fosse o transporte público, o trânsito, a poluição e o número de acidentes automobilísticos seriam maiores.
Em prol de uma mobilidade urbana melhor, a população aceitou que todos pagassem pelos benefícios dos transportes coletivos.
O resultado, segundo o governo local, não poderia ser melhor. Com tarifa zero, mais pessoas começaram a andar de ônibus, o que melhorou o trânsito.
Tanto é que em 09 de janeiro, a Câmara aprovou a compra de mais ônibus.
Tallin possui hoje 63 linhas de ônibus, 9 de trólebus e 4 de bondes (VLT – Veículos Leves sobre Trilhos)
Antes da gratuidade total, as receitas das tarifas só financiavam 25% do sistema, que, portanto, era deficitário.
Agora com os subsídios, os serviços atraem mais passageiros e até o momento estão economicamente viáveis.
O transporte é gratuito para todos os moradores de Tallin e qualquer pessoa com 65 anos ou mais. Quem for se mudar para a cidade, paga apenas uma taxa de 2 euros por um cartão, se cadastra na internet, e tem direito à gratuidade.
Pequenas cidades da França e da Bélgica já adotam tarifa gratuita total, mas Tallin e a primeira capital européia.
E NO BRASIL?
Pela estrutura complexa de muitas cidades brasileiras, altos custos devido à falta de prioridade aos transportes públicos no espaço urbano e pela necessidade de reestruturações nos sistemas, pensar num curto prazo em tarifa gratuita pode não ser viável. Além disso, a maior parte das operações de transportes é feita por empresas particulares.
Mas o exemplo de Tallin que pode ser seguido pelo Brasil é que, se bem aplicados, os subsídios e descontos de impostos sobre os serviços de transportes, podem resultar num barateamento da mobilidade para a população, para os operadores de transportes e até mesmo para as administrações.
Quando o poder público estipula um subsídio ou mesmo uma renúncia fiscal sobre o sistema, ele se planeja e sabe o quanto vai aplicar no transporte, sem a necessidade de correr atrás de recursos caso o sistema se torne deficitário.
O ganho ao poder público se dá de outra maneira também. A falta de prioridade ao transporte coletivo gera gastos enormes para os cofres públicos, que vão desde criar e manter mais vias até gastos com saúde por causa da poluição e dos acidentes de trânsito.
O transportador já sabe que vai receber determinada quantia e com essa segurança, se vê obrigado a investir tanto em frota como em qualidade de serviço.
A população paga de maneira justa, em forma de impostos, pelo transporte. O Brasil precisa deixar de jogar sobre os ombros dos passageiros todo o custo de um serviço que beneficia a sociedade em geral.
Com o transporte já pago, todos se sentem estimulados a andar de ônibus, o que acaba incluindo muita gente no sistema. E isso é fundamental no Brasil.
É para se alarmar: ENQUANTO O GOVERNO REDUZ O IPI PARA MUITOS TROCAREM DE CARRO OU TEREM O SEGUNDO VEÍCULO, MILHARES DE BRASILEIROS SEQUER TEM CONDIÇÕES DE PAGAR UMA TARIFA DE ÔNIBUS.
Não seria justo que esta pessoa que goza de IPI menor para comprar um carro novo, de certa maneira, contribua para quem sequer tem dinheiro para pegar um ônibus?
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

12 comentários em TARIFA ZERO E UM EXEMPLO QUE PODE SER ADAPTADO À NOSSA REALIDADE

  1. Adamo, se não estou errado, tem um município brasileiro que também adota “tarifa zero” e creio que inclusive vi a notícia por aqui.

  2. lá as pessoas andam de graça em ônibus de qualidade,aqui as pessoas pagam um absurdo por um transporte de péssima qualidade.

  3. Tem a cidade de Agudos em SP que é a prefeitura que é responsável pelo transporte publico da cidade, ou seja, tem tarifa 0!

  4. Aqui no Brasil iniciativas como esta surgem timidamente, como na pequena cidade fluminense de Porto Real.
    Tomara que o modelo funcione, seja um sucesso e vire exemplo para outras cidades.

  5. E em Agudos ainda desfruta-se de Busscar Urbanuss Volvo B10M com ar-condicionado ex-Expresso de Prata, assim como também Caio Millennium II VW 17-240 piso baixo, tudo grátis, e eu aqui no Rio de Janeiro pagando R$ 2,75 para andar de Neobus Spectrum City OF-1418 e Caio Foz Super OF-1418… Me sinto humilhado com isso…

  6. Chega de impostos. O problema do Brasil não é falta de imposto. É por falta de vergonha na cara, tanto da parte dos governantes, quanto de muitos integrantes de uma população conrompida. Se mais gente usar ônibus, cairão as vendas de carros, oficinas, peças, hospitais, tudo que se relaciona ao trânsito. Tem que ser bem pensado, cortar os interesses políticos sobre as concessões. Cortar os desvios de dinheiro que existem no país, aí, sim, poderemos pensar em tarifa zero. É o mesmo caso de planos de saúde, o pobre morre sem atendimento e os ricos são enrolados até o momento de uma realidade maior. Então os milionários vão buscar atendimento no exterior.

  7. Bom dia.

    É com prazer, satisfação e esperança que, li esta matéria.

    O transporte público é prioridade, assim como, educação, saúde e segurança.

    A matéria nos mostra que podemos ter esperanças, mas não sem antes, nós brasileiros, mudarmos, como pessoas, como cidadãos, pois, alguns de nós que se candidatam a cargos políticos, quando lá nos encontramos, somos envolvidos por uma erva – daninha que diz:

    “…as coisas são assim mesmo…”;

    “…ah porque vamos tocando assim mesmo…”

    Conformismo.

    Enquanto assim procedermos, não seremos e sequer merecemos ser, um país de futuro, mas apenas, o quintal do mundo.

    PARABÉNS ÁDAMO ! EXCELENTE REPORTAGEM !!!!

    Abraço.

  8. José Carlos G. Soares // 20 de janeiro de 2013 às 18:39 // Responder

    Adamo;

    Desculpe por abordar outro assunto, é que fiquei curioso;
    No site da wikipédia, o Sr. Guilherme Mascioli Czernichovscki, presidente da Andrade Gutierrez, é citado como dono da União Transporte Interestadual de Luxo S.A., a Útil, sediada em Juiz de Fora-MG, além de ser hoje, o comandante do Grupo Gontijo (Empresa Gontijo de Transportes, Cia. São Geraldo de Viação, Viação Nacional, Empresa São Cristovão e Viação Continental), com sede em Belo Horizonte.
    Estas informações da Wikipédia estão corretas ?

    Grato.

  9. eu tlg q ele eh dono da andrade gutierrez, mas deve ser dono disso tudo mesmo. aq em minas ele eh quase dono kkkkk

    • É nada… Um maluco colocou isso na Wikipédia mas já tiraram de lá. Esse negócio de Guilherme Mascioli Czernichovscki é invenção de alguém.

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