Haddad vai aumentar subsídio por causa de Mantega

Publicado em: 18 de janeiro de 2013

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Se o povo não paga de um jeito, paga de outro. Congelamento de tarifas de ônibus a pedido do Ministro da Fazenda Guido Mantega vai provocar aumento dos subsídios do sistema. Fernando Haddad já anunciou a revisão para cima do dinheiro pago para as empresas. Foto: Adamo Bazani.

Passagem vai ficar congelada, mas subsídio a empresas vai aumentar
Haddad vai segurar o aumento da tarifa de ônibus a pedido do ministro da Fazenda Guido Mantega, que perdeu controle da inflação
ADAMO BAZANI – CBN
Se a população não paga de um jeito, acaba pagando de outro.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, admitiu na manhã desta sexta-feira que vai aumentar os subsídios pagos pelos cofres públicos para manter o sistema de transportes economicamente viável. A medida é por causa do congelamento da tarifa de ônibus municipais – um pedido do Ministro da Fazenda Guido Mantega, com medo de perder ainda mais o controle da inflação.
Um aumento de tarifa de ônibus numa cidade como São Paulo traz impactos grandes aos índices inflacionários já que reflete não só no bolso do trabalhador, mas dos empregadores que pagam o vale-transporte. Muitos deles repassam estes custos a mais de transportes de funcionários para os preços de seus produtos e serviços.
O último aumento de ônibus que ocorreu em São Paulo foi em 2011, quando a passagem passou de R$ 2,70 para os atuais R$ 3,00. O ex prefeito, Gilberto Kassab, para criar uma boa imagem política, afinal, passagem de ônibus não agrada a ninguém, congelou em 2012 o valor. Mas para isso, elevou os subsídios às empresas de R$ 660 milhões para cerca de R$ 900 milhões.
O orçamento para este ano em subsídios, que ajudam na manutenção do Bilhete Único e das integrações, nas gratuidades e no custeio complementar ao arrecadado na catraca, previa subsídios de R$ 660 milhões. Mas este valor terá de ser revisto por causa do congelamento até junho, pedido por Mantega.
“É um subsídio que acaba ajudando o trabalhador, que reduz o preço da passagem. Se você cobrar a tarifa cheia, vai diminuir a renda para outra finalidade”, afirmou Haddad, ao jornal Valor Econômico.
O valor do subsídio maior ainda não foi definido.
Mantega pediu o congelamento das tarifas também para o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e até para o adversário político, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que também deve segurar as passagens dos trens da CPTM, Metrô de São Paulo e dos ônibus intermunicipais urbanos e seletivos gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos.
No meio do ano, o passageiro deve se preparar, pois mesmo com alguns subsídios, as tarifas serão reajustadas pelo acumulado da inflação e o índice não é pequeno. Mesmo porque, toda esta situação é criada pela inflação.
Desde o final do mandato de Luís Inácio Lula da Silva, o Governo Federal já estava perdendo o controle da inflação. Mas no Brasil começou ocorrer um fato pouco comum na economia: inflação e ao mesmo tempo recessão.
Normalmente, um período de crescimento abre possibilidades de inflação pelo maior ritmo da economia. Mas no Brasil não, a economia está desacelerando, com um PIB (Produto Interno Bruto) quatro vezes menor que o projetado por Guido Mantega, e mesmo assim, a inflação cresce.
Em parte pelas medidas de incentivo ao consumo feitas pelo Governo Federal, mas sem uma base real para suportar este consumo maior. E economia que não cresce e que tem muito consumo gera outro problema: a inadimplência. Muitos dos que seguiram a onda de “vamos às compras”, agora estão sem condições de pagar.
O Governo Federal reluta para aumentar os jutos, com medo de recessão ainda maior.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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