Manifestação contra tarifa de ônibus em Mauá terminou com violência e feridos no último sábado. Prefeito Donisete Braga declarou que manifestantes passaram dos limites. Poder público recebeu reivindicações dos organizadores do protesto. Foto: Adamo Bazani.
Donisete Braga: “Manifestantes passaram dos limites”
Prefeitura recebeu reivindicações de organizadores do protesto sobre tarifas, melhorias nos transportes e garantias de que não haverá volta de monopólio em Mauá, quebrado em 2010 com a entrada da Leblon
ADAMO BAZANI – CBN
O prefeito de Mauá, Donisete Braga, comentou nesta segunda-feira, durante encontro de prefeitos no Consórcio Intermunicipal do ABC, o segundo protesto contra o aumento da passagem de ônibus municipal, de 13,79% em 26 de dezembro, quando o valor pulou de R$ 2,90 para R$ 3,30.
O protesto, realizado no último sábado dia 12 de janeiro, terminou em violência, com enfrentamento entre policiais militares, guardas civis municipais e manifestantes. Dez pessoas ficaram feridas sem gravidade. Para o prefeito, os participantes do ato passaram dos limites.
“Os manifestantes passaram dos limites. Uma manifestação tem de ser feita desde que não atrapalhe os direitos das outras pessoas. A GCM e a PM pediram liberar a entrada dos ônibus (no Terminal) e não houve diálogo por parte dos manifestantes” – disse Donisete Braga aos jornalistas.
Os líderes do movimento, organizados no grupo do Facebook “Política Sim, Patifaria Não” disseram que os manifestantes só se concentraram nas ruas, atrapalhando o trânsito, porque a Prefeitura proibiu que o carro de som e que os participantes ocupassem a Praça 22 de Novembro, onde não há circulação de veículos.
No primeiro manifesto, no dia 05 de janeiro, apesar de o grupo ter interditado a entrada do terminal central, não houve incidentes e o tempo de bloqueio foi menor.
Nesta segunda-feira, a Prefeitura recebeu as reivindicações do grupo. Entre as principais estão redução da tarifa municipal, melhoria na qualidade dos transportes e garantia de que não haverá volta ao monopólio dos serviços da cidade, que por 30 anos pertenceu a Baltazar José de Sousa e só foi quebrado em 2010 com a entrada em operação da Leblon Transporte.
Nos últimos meses de administração, houve uma série de manobras para retirar a Leblon das operações, desde 13 de julho de 2012. A Viação Estrela de Mauá, de David Barioni Neto, que foi fundada por Baltazar, chegou a ser colocada em operação durante o recesso do poder judiciário, mas foi retirada das ruas por contrariar determinações judiciais que davam a Leblon garantias de prestação de serviços.
Quem deve se reunir com os manifestantes, ainda sem data oficialmente marcada, é o chefe de gabinete da prefeitura, Rômulo Fernandes.
Sobre a tarifa, no Consórcio Intermunicipal, Donisete disse que o valor foi acertado regionalmente nas administrações passadas e já leva em conta a integração com os trens da CPTM, o que ainda não tem data para ocorrer.
“Na prática, com a integração, a tarifa vai reduzir. Vamos desenvolver mecanismos eficientes e eficazes para a integração – disse.
O prefeito também declarou que eventuais excessos por parte da GCM serão averiguados.
A PREFEITURA DE MAUÁ ENVIOU UMA NOTA SOBRE A MANIFESTAÇÃO E A POSTURA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, QUE O BLOG PONTO DE ÔNIBUS REPRODUZ NA ÍNTEGRA:
Chefe de Gabinete da Prefeitura recebe jovens que lideraram protesto em Mauá
O chefe de gabinete da prefeitura de Mauá, Rômulo Fernandes, recebeu nesta segunda-feira, 14 de Janeiro, três jovens integrantes do movimento Política Sim, Patifaria Não, que lideram o movimento de protesto contra o reajuste da tarifa e o serviço de transporte coletivo da cidade. Na oportunidade foi entregue uma série de reivindicações e um abaixo-assinado pedindo a redução da tarifa. O prefeito Donisete Braga afirmou não ter recebido nenhuma solicitação de agenda por parte dos manifestantes entre o dia 05/01, data da primeira manifestação até sábado passado, dia da segunda manifestação.
“Hoje (14/01) recebi a informação de que três membros procuraram a prefeitura para iniciar o diálogo e por isso designei que o Rômulo pudesse atendê-los em nome do governo”, disse o prefeito. Entre as solicitações entregues pelos jovens está uma audiência pública, a ser realizada com a presença do prefeito, do secretário de Mobilidade Urbana e com as empresas de ônibus.
Sobre o tumulto durante a manifestação no último sábado, Donisete Braga entende que houve excesso por parte dos manifestantes, que interferiram no direito de ir e vir das pessoas ao impedir a passagem dos ônibus na entrada do terminal, por isso a Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar precisaram intervir para garantir a ordem pública.
“Lamento muito o ocorrido no sábado. Por isso solicitei ao secretário municipal de Segurança, Carlos Tomaz e a Polícia Militar, um relatório sobre a ação. Também recomendei maior cuidado para que esse tipo de coisa não volte a acontecer,” finalizou o prefeito. O relatório será entregue nesta terça-feira.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes