BUSSCAR: Juiz declara que não descarta falência e que abstenção do BNDES pode ser considerada voto NÃO ao plano da empresa

Busscar

Juiz Maurício Povoas, de Joinville, declarou que não descarta a possibilidade de falência da Busscar. Abstenção de BNDES em Assembleia Geral de Credores pode ser considerada Não ao Plano de Recuperação, segundo o juiz. Empresa fez história no setor de transportes e lançou modelos que contribuíram com o desenvolvimento dos segmentos urbano e rodoviário. Foto: Divulgação de Acervo.

Juiz não descarta falência da Busscar e diz que abstenção do BNDES pode ser interpretada como voto “Não”
Decisão sobre o futuro daquela que foi uma das maiores encarroçadoras do País deve ser dada nesta quinta-feira
ADAMO BAZANI – CBN
O juiz da Quinta Vara Cível de Joinville, Santa Catarina, Maurício Povoas, disse que não descarta a possibilidade de decretar nesta quinta-feira a falência da encarroçadora Busscar, em crise desde 2008, com dívidas de R$ 1,3 bilhão (com credores e tributos) e há 30 meses sem pagar os salários dos trabalhadores.
Na Assembléia Geral dos Credores, concluída nesta terça-feira, dia 25 de setembro, o Plano de Recuperação da Busscar não foi aprovado. Somente a aprovação de todas as classes de credores livraria a Busscar do risco de falência.
São três classes de credores: a Quitográfica, a dos Trabalhadores e a da Garantia Real.
Esta última, que reúne os bancos e financeiras, foi o principal entrave para a aprovação do plano.
De acordo com a Justiça, 16,94% destes credores aprovaram o Plano de Recuperação. O restante não concordou. Entre as instituições que desaprovaram as propostas da Busscar estão o Banco Santander e a Seguradora Berkley, que respondem por boa parte dos débitos da Busscar.
O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, outro grande credor, se absteve da votação porque não recebeu o plano de recuperação em tempo hábil para análise. Segundo a entidade do Governo Federal, o plano só foi entregue em 06 de setembro, com vários pontos que necessitariam de análises minuciosas.
Para o juiz Maurício Povoas, de acordo com entendimento do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a abstenção pode ser considerada um “Não” ao Plano de Recuperação Busscar.
As outras classes aprovaram o Plano.
A dos trabalhadores teve a maior parte dos votos “Sim”. O Sindmecânicos, Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville, sempre se mostrou contrário ao plano por não concordar com os descontos sobre os valores dos débitos e os parcelamentos e formas de pagamento. Mas a Busscar detém boa parte das procurações: 1900 trabalhadores. O Sindmecânicos acusa a empresa de fazer uma manobra para ter essas procurações. De acordo com a entidade, trabalhadores da Tecnofibras, empresasde peças e materiais de plástico e fibra de vidro, foram incluídos nestas procurações. Eles estariam menos insatisfeitos com o grupo, já que os atrasos dos salários e das parcelas do 13º salário são menores que dos funcionários da encarroçadora, cujo total de não pagamentos chega a 30 meses.
A classe quitográfica é formada por ex sócios e outros tipos de credores. Uma boa parte é da família Nielson, que é fundadora e proprietária da Busscar. A Busscar até 1990 era chamada de Carrocerias Nielson. O grupo quitográficos é liderado pelos tios do atual presidente da Busscar, Cláudio Nielson.
OUTROS ASPECTOS:
O juiz Maurício Povoas disse que a decretação da falência ou não da Busscar vai levar em conta o resultado da votação. Mas não só isso. E sim, todo o histórico da crise da Busscar, do Plano de Recuperação, que começou a ser elaborado em 31 de outubro do ano passado, e a viabilidade deste plano.
A Busscar previu para este ano receita de R$ 335,6 milhões e a produção de 1,8 mil carrocerias.
Segundo a própria empresa, em seu site, desde o início da apresentação do plano em 31 de outubro do ano passado até julho deste ano, a Busscar vendeu 207 ônibus entregando 83 deles.
Recursos, procurações, nível de produção e históricos judiciais também serão levados em conta.
A Busscar foi fundada em 17 de setembro de 1946 por Augusto Bruno Nielson e Eugênio Nielson para fazer inicialmente balcões, esquadrias e móveis de madeira.
Ao longo da história, a Busscar se desenvolveu e esteve entre as principais fabricantes. No segmento de rodoviários competia com a Marcopolo e no de urbanos com a Caio, esta última, que apresentou proposta oficial de compra da Busscar no ano passado, que foi rejeitada pela Justiça.
Entre os modelos de destaque da Busscar estavam o Diplomata e o Urbanus, lançados ainda quando a empresa se chamava Nielson, nome adotado até 1990.
A Busscar atribuiu a sua atual situação à crise econômica mundial de 2008, que restringiu créditos e financiamentos. A empresa alega que boa parte dos valores financiados para compra de matérias-primas para atender pedidos foi cortada, o que provocou a onda de endividamentos.
O mercado tem outra versão e diz que a crise atual é um reflexo da situação financeira de 2001 – 2004 complicada, da qual a Busscar não se recuperou e por isso se tornou mais suscetível às instabilidades de 2008.
A Busscar disse que a crise de 2001 a 2004 foi reflexo da política de desvalorização do real, que provocou problemas com importações de materiais e exportações de carrocerias.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes – Com agências

9 comentários em BUSSCAR: Juiz declara que não descarta falência e que abstenção do BNDES pode ser considerada voto NÃO ao plano da empresa

  1. Resumo do que ocorreu na assembléia de 25-09-12
    77,88% dos votantes apertaram a Tecla do SIM,
    Dos cinco votos totais, vencemos em quatro, trabalhista por cabeça, Quirografário por cabeça e por Valor, Garantia Real, por cabeça, somente perdemos no Garantia Real por valor.
    Resultado 4 a 1 , ou seja aqui também possou por 80%.
    Se olharmos por valor no Gera, 65% optou por aprovar o PRJ.
    Então sera muito injusto decretar falência de uma empresa, onde o voto de um único credor, Santander, valerá mais do que os demais 77,88% que querem a continuidade da Busscar.

  2. Não creio que o juíz opte pela falência, uma vez que a mesma já está virtualmente falida. Acredito, que deva nomear um interventor para dar continuidade da empresa, retirando do comando esta diretoria incompetente, que é sim, a única culpada pela Busscar estar nesta situação. Com nova direção, com credibilidade, talvez, haja uma esperança de que a empresa renasça das cinzas.

  3. Gostaria de ver nessa coluna comentários do repórter sobre o papel do BNDES que é um banco do governo de caráter social e que diz ter como compromisso manter postos de trabalho e que na realidade não foi o que aconteceu…será que é porque na verdade ele defende interesses de empresas patrocinadoras de campanhas políticas ??? empresas estas que tem interesses em não ver a Busscar em atividade !!! péssimo papel mais uma vez deste governo hipócrita …vale lembrar que o BNDES dentro do plano de recuperação judicial será o único banco que não sofrerá prejuízo algum em seu recebimento de dívidas junto a Busscar então porque não querem manter postos de trabalho ??? que absurdo foi esse de dizer que não deu tempo de analisar o processo ??? a proposta para eles continua praticamente a mesma desde maio.

  4. Injusto é o que a Busscar está fazendo e fez com seus ex-funcionários, eu quero a continuidade da Busscar, mas não com um recomeço errado, passando por cima de quem mais precisa desse dinheiro.

  5. falencia já, isto não quer dizer que se fecham as portas mas se abre novas espectativas para tocar a empresa com competencia e honestidade,30 meses de salarios atrasados é caso de policia e penalidade de cadeia , se este juiz julgar aos olhos da justiça é o que realmente deve acontecer.

  6. Pedro, outro ponto EXTREMAMENTE importante. Quando o BNDES diz NÃO estará abrindo mão da possibilidade de receber R$ 57 Milhões, dinheiro este que pertence ao contribuinte brasileiro.
    Em 2004 o BNDES emprestou R$ 30 milhões para a Busscar, até 31-10-11 a Busscar pagou R$ 29,7 Milhões ao BNDES e ainda deve R$ 57 Milhões .
    Pode se dizer que o Capital o BNDES já recebeu 99%, mas ainda tem 2x o capital para receber em forma de juro.
    Ora se for decretada a falencia a prioridade de pagamento segundo a lei 11101 se dará da seguinte forma:
    “NOTEM A LEI É CLARA OS CREDITOS LISTADOS NO ARTIGO 84, TEM PRIORIDADE SOBRE O ARTIGO 83..
    ENTÃO O PATRIMÔNIO DA BUSSCAR SERÁ INSUFICIENTE PARA ASSEGURAR ATÉ 150 SALÁRIOS MINIMOS PARA CADA FUNCIONÁRIO, TENDO EM VISTA QUE OS CRÉDITOS EXTRACONCURSAIS DEVE ESTAR BEIRANDO R$ 100 MILHÕES, e tem prioridade sobre todos os demais, IMAGIMA ENTÃO SE SOBRARÁALGUMA COISA PARA PAGAR A GARANTIA REAL
    Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos COM PRECEDENCIA sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a:
    I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares, e créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência;
    II – quantias fornecidas à massa pelos credores;
    III – despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e distribuição do seu produto, bem como custas do processo de falência;
    IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida;
    V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a decretação da falência, e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem estabelecida no art. 83 desta Lei.
    DEPOIS VEM OS CRÉDITOS TRABALHISTA… gostem ou não mas esta é a lei
    Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:
    I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho;
    II – créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
    III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias;
    IV – créditos com privilégio especial, a saber:

  7. “A Busscar previu para este ano receita de R$ 335,6 milhões e a produção de 1,8 mil carrocerias.”

    ISTO POSTO DESTA FORMA É UMA GRANDE MENTIRA, leiam o Plano, o que esta nos autos…
    A Busscar escreveu no Plano que:
    No PRIMEIRO ANO, após a HOMOLOGAÇÃO DO PLANO, construiria 1818.
    E com toda transparencia nestes quase 11 meses que estamos em recuperação Judicial produzimos e liberamos 105 ônibus entre DD, Rodoviário, Urbano ( inclusive Articulados ) e Micro, todos com o habitual nivel de qualidade de sempre.
    Isto é prova de que os Guardiões, Mestres em fabricar Qualidade que aqui ficaram continuam dominando todo e qualquer processo de fabricação de carroceria de ônibus.
    Inclusive com novos projetos adptados para o Euro V .

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: