HANNOVER: Euro 6 usa duas tecnologias ao mesmo tempo nos motores

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A entrada em vigor dos novos padrões de tecnologia Euro 6 na Europa, mais rigorosos que o Euro 5, que começou a vigorar este ano no Brasil, tem sido o principal tema do Salão de Hannover 2012, a maior feira mundial de veículos comerciais. Para atender às exigências mais complexas, novos motores conjugam duas tecnologias diferentes: recirculação de gases de escape e redução catalítica seletiva. Scania foi uma das empresas que mais apresentaram novidades, com modelos urbanos e rodoviários.
Foto: Divulgação Scania.

Euro 6 é principal assunto em Feira Internacional de Hannover
Marcas apresentam lançamentos de veículos comerciais que poluem menos. Scania lança motores para ônibus e caminhões com tecnologia de recirculação de gases e que usa ARLA ao mesmo tempo
ADAMO BAZANI – CBN
Enquanto o Brasil ainda se adapta às novas normas do Proconve – Programa de Controle da Poluição por Veículos Automotores, que se baseiam nas regras de restrição à emissão de poluentes Euro 5 para veículos pesados movidos a diesel, os países europeus já entram numa era mais avançada, a Euro 6.
A diferença é que o Euro 6 é mais rígido, impõe limites para que a poluição seja menor ainda, e conta com tecnologias mais complexas.
Por exemplo, o Euro 5, que começou a ser padrão dos veículos fabricados no Brasil, exige que os motores adotem tecnologias que tratem os gases de escape. O mercado brasileiro usa duas opções: SCR que traduzindo para o Português significa Redução Catalítica Seletiva e EGR, que é a Recirculação de Gases de Escape.
O sistema de Recirculação realiza uma espécie de tratamento térmico, com trocas de calor, que conseguem condensar e eliminar os poluentes. Já para a Redução Catalítica, a tecnologia conta com a adição de um líquido no sistema de escape que provoca reações químicas que reduzem os poluentes. Este líquido é o ARLA – Agente Redutor Líquido Automotivo, com 32,5% de uréia industrial. Essas tecnologias ainda representam dúvidas para os frotistas brasileiros.
Como os parâmetros europeus são mais rigorosos, no Euro 6, há motores que usam de forma conjugada a Redução Catalítica Seletiva e a Recirculação de Gases de Escape.
E as normas Euro 6 têm sido o principal assunto do IAA 2012, o salão de veículos comerciais em Hannover, na Alemanha, considerado um dos maiores do setor.
A Scania, por exemplo, apresentou os motores com as duas soluções, tanto pra caminhões como para ônibus.
Há motores de 320 e 360 cavalos, de 9 litros, só com ao sistema SCR. Ainda na categoria de motores de 9 litros, os de 250 e 280 cavalos conjugam as duas tecnologia. Os dois motores novos de 13 litros Euro 6, de 440 e 480 cavalos, também usam conjuntamente as tecnologias EGR (recirculação de gases de escape) e SCR (redução catalítica seletiva).
Além de motores a diesel que já seguem os padrões Euro 6, a montadora sueca expõe veículos movidos a gás, biogás, e etanol.
Estes motores são montados de forma longitudinal nos caminhões e ônibus de piso convencional e transversal nos modelos urbanos Scania Citywide, de piso baixo.
FAMÍLIAS DE ÔNIBUS:
O IAA 2012, que vai até dia 27 de setembro, tem sido a oportunidade de diversas montadoras apresentarem novos produtos, incluindo ônibus com mais acessibilidade e ao mesmo tempo maior capacidade de transporte.
Inicialmente, os ônibus acessíveis tinham poucos assentos por conta dos espaços para cadeiras de rodas, cão guia e equipamentos para embarque e desembarque, como rampas ou elevadores em portas mais largas.
Mas a engenharia automotiva nos ônibus tem conseguido soluções para aproveitar melhor o espaço interno dos veículos: sem aumentar o tamanho da carroceria e sem diminuir significativamente os espaços entre as poltronas, os ônibus acessíveis aos poucos vêm ganhando mais assentos.
Com vistas à acessibilidade, a Scania lançou a linha de ônibus Citywide para o mercado europeu. Os veículos têm piso baixo, que permitem embarques na altura da guia da calçada, facilitando o acesso. São três modelos: Citywide LE (Low Entry), de dois ou três eixos, conceito usado no Brasil, no qual o piso baixo vai até a metade do ônibus, Citywide LE (Low Entry) articulado e Citywide LE (Low Floor) de dois eixos ou articulados, com piso baixo em toda a extensão do veículo. Os ônibus Scania Citywide LE e Citywide LE articulado têm motores longitudinais e os da linha Citywide LF apresentam disposição transversal. Os propulsores são de 9 litros e 360 cavalos.
O Scania OmniExpress também é outra novidade . A aplicação é mais indicada para serviços interurbanos e rodoviários de curtas e médias distâncias. O veículo é vendido completo, ou seja, com carroceria da empresa Omini e chassi da Scania. Aqui no Brasil, com exceção do minionibus, os veículos de transporte coletivo são adquiridos em etapas: o empresário tem de comprar o chassi e a carroceria separadamente. O Scania OmniExpress tem motores de 9 litros com 360 cavalos e de 13 litros com 480 cavalos. Há várias versões de comprimentos e alturas.
Tradicional na marca, o Scania Touring HD, rodoviário para grandes distâncias, está com o motor renovado, menos poluente, com 13 litros rendendo 480 cavalos. As versões de tamanho vão de 12 metros de comprimento para veículos com dois eixos até 13,7 metros com três eixos.
O modelo Scania Higer A 30 é um ônibus voltado para linhas menores e serviços regulares, como transporte escolar, linhas pequenas e médias e fretamento. A empresa garante que o modelo oferece mais economia por ser indicado para essas operações, sem desperdiçar potência e combustível.
Esses modelos são para o mercado Europeu e já seguem as especificações Euro 6 de restrição a emissão de poluentes.
São indicados paras as condições européias, que são diferentes da realidade operacional brasileira, mas muitos conceitos de acessibilidade, motorização e engenharia acabam sendo aproveitados no Brasil, que futuramente terá de aderir às normas Euro 6.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

5 comentários em HANNOVER: Euro 6 usa duas tecnologias ao mesmo tempo nos motores

  1. Bom dia.

    Reconhecidamente, creio, não somos, mas, nos fazemos, inferiores. Aqui está o exemplo.

    Apesar de cada país, ter as suas características, somos obrigados a aderir aos “Euro V e VI…”

    Bom…

    Se é tão bom assim, eu também quero passar a ganhar em Euro.

    Será que continuaremos a nos contentar a ser, o quintal do mundo ? A nos contentar com o resto, do prato de comida ?

    • Euro V é apenas propaganda mostrando ‘equivalência ambiental’ não ?! Eu acho que o nosso P7 tem diferenças … Mas só o Ádamo poderia nos dizer .. srsr

      • Na verdade Tony, vc tem razão. Nosso Proconve, como até sempre coloco nos textos, “baseia-se” nos padrões Euros chegando muito perto deles. Mas não há como ser 100% igual, até pelas diferencias operacionais que obrigam as diferenças de engenharia. O importante não é só o equipamento, mas as metas de redução.
        Agora, confesso que não sei especificar quais essas diferenças técnicas.
        Se alguém tiver essa informação, o espaço está aberto.
        Abraços

    • e ainda querem q o Brasil de o Pulo do Gato(de novo).ou seja:sair da Euro 5 para a Euro 6.amigos:estamos praticamente no mes de outubro e AINDA vejo gente recebendo Euro 3!Euro 5,100%,só em 2013!

      • augusto cesar // 15 de novembro de 2012 às 00:57 //

        Palavra de ordem é sustentabilidade! mais como fica o custo operacional com mais um sócio que é o arla 32?? se o sistema ERG atende também as exigencias Euro 6.

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