ABC PAULISTA PRECISA URGENTEMENTE DE MAIOR OFERTA DE TRANSPORTES!

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Em algumas cidades, empresas de ônibus, como no sistema de Mauá, investem em renovação e gerenciamentos mais modernos, mas a falta de espaços exclusivos para os transportes públicos impede que as viagens se tornem mais rápidas e com maior cumprimento de horários. Corredor de ônibus e trólebus da Metra é um dos únicos sistemas da região que ainda motivam as pessoas que têm carro a deixarem os seus veículos em casa e se locomoverem de transporte público. Foto: Adamo Bazani

Carente de transportes públicos, ABC Paulista ganha 260 carros de passeio por dia
Obras previstas para a região no setor de transportes são muito demoradas e situação exige intervenções rápidas
ADAMO BAZANI – CBN
Enquanto grandes intervenções na área do transporte público só devem sair do papel daqui a alguns anos, hoje a situação do trânsito e da poluição no ABC Paulista registra um dado alarmante: de acordo com o Denatran – Departamento Nacional de Trânsito – de outubro do ano passado e julho de 2012, os sete municípios da região receberam 69,6 mil novos veículos, uma média de 260 carros por dia.
Para uma região com mais de um milhão de carros, com vias defasadas, sem espaço para o crescimento da frota e com transportes públicos apresentando várias lacunas, o número é preocupante. Ainda mais se for levado em conta que as ações dos municípios em prol do transporte coletivo são tímidas, parece que há um receio em não contrariar os deslocamentos por carros.
De todas as cidades, apenas São Bernardo do Campo apresentou um plano mais abrangente sobre corredores municipais de ônibus, que contempla 12 trajetos cujas vias terão espaços exclusivos ou preferenciais para os transportes coletivos. Na cidade, cujas operações são de responsabilidade da SBCTrans, as integrações do Cartão Legal, da bilhetagem eletrônica, são consideradas avanços para o sistema local.
O Governo do Estado de São Paulo propõe a criação de um monotrilho (uma espécie de trem leve que anda em elevados) entre São Bernardo do Campo, Jardim Bom Pastor (em Santo André), Avenida Guido Aliberti (São Caetano do Sul) e Estação de Trens e Metrô de Tamanduateí (São Paulo). Além disso, deve criar o Expresso ABC, linha de trem que vai percorrer paralelamente à linha 10 Turquesa (Rio Grande da Serra – Brás), porém com menos paradas e viagens mais rápidas. O problema é que estas obras devem só ficar prontas depois de 2015 e numa região que recebe 260 veículos por dia, número que pode ainda se tornar maior com o aquecimento da indústria automobilística, as medidas devem ser feitas de maneira urgente! Vale ressaltar que medidas urgentes não são ações paliativas.
E a solução mais rápida para aumentar a qualidade e a velocidade dos transportes públicos são os corredores de ônibus. A implantação de corredores de ônibus é considerada uma das alternativas mais indicadas para o ABC Paulista: custa de 4 a 6 vezes menos que um monotrilho ou VLT – Veículo Leve sobre Trilhos., causa menos impacto urbano, pode ser integrado com as cidades através de áreas ajardinadas e ciclovias no entorno e transportam uma média de passageiros que não fica atrás de outros meios de transporte. Em dois anos, é possível concluir um corredor de ônibus que conte com estações de embarque e desembarque cujo piso é no mesmo nível do assoalho do ônibus, o que aumenta a acessibilidade, e que possua sistemas de informações sobre linhas e horários. A possibilidade do pré-embarque, que é o pagamento da tarifa antes de entrar no ônibus, faz com que os veículos fiquem menos tempo parados nas estações. Por serem espaços exclusivos, os corredores também permitem que sejam usados ônibus maiores, como os de 15 metros com três eixos ou articulados, que além de substituírem carros nas ruas podem reduzir o número de ônibus em circulação sem afetar o atendimento ao passageiro.
Por causa do Corredor Metropolitano ABD (São Mateus – Jabaquara), operado pela empresa Metra, é mais rápido ir da cidade de Santo André ao município de Diadema, passando antes por São Bernardo do Campo, do que se deslocar dentro da cidade de Santo André em trajetos com extensão inferior. Hoje em dia, o corredor de ônibus e de trólebus servido pela Metra é um dos únicos sistemas de transporte na região que estimulam as pessoas a deixarem o carro em casa.
Em algumas cidades da região, os transportes melhoraram com investimentos das empresas. Em Mauá, por exemplo, antes não havia integração na cidade, a não ser dentro do terminal central. Hoje, como Cartão Da Hora, é possível no prazo de uma hora embarcar no segundo ônibus sem pagamento de nova tarifa em qualquer ponto da cidade. A empresa operadora Leblon entrou em operação com todos ônibus novos e a outra companhia, Cidade de Mauá, tem renovado a frota. Faltam na cidade, no entanto, corredores de ônibus. As viagens ainda não têm o índice de cumprimento de horários desejado pela população pelo fato de eixos importantes, como Avenida Presidente Castelo Branco e Avenida Barão de Mauá, não terem espaços exclusivos para ônibus.
Em Diadema, a situação é semelhante. A frota foi renovada pelas empresas MobiBrasil, que opera no lugar da Imigrantes, e pela Benfica, que ganhou a licitação para fazer a linhas da antiga empresa pública ETCD, mas faltam espaços para ônibus desenvolverem maior velocidade.
Santo André também possuiu uma frota nova, com empresas profissionalizadas, mas não há sistemas preferenciais para ônibus. Apenas o corredor da Avenida Capitão Mário Toledo de Camargo, que atende a região da Vila Luzita. Apesar de as viagens serem mais rápidas por causa do corredor, ele é pouco extenso e logo os ônibus são “jogados” no trânsito comum. Santo André ainda não possui nenhum tipo de integração por bilhetagem eletrônica, nem mesmo dentro dos dois terminais principais da cidade: Leste e Oeste.
As cidades da região precisam entender que muito carro na rua não é sinal mais de prosperidade da população. Mas é sinônimo de que as pessoas têm poucas opções de deslocamento e por isso partem para a mais cômoda, mas nem sempre a melhor, que é ir de carro de passeio. Trânsito estressa, polui, atrasa e custa muito dinheiro e enquanto o problema aumenta pelo menos “260 vezes por dia”, não dá para esperar soluções demoradas.
Vale lembrar que o investimento em corredores de ônibus não anula e nem contraria as obras ferroviárias. Na verdade, a região que pensa em ferrovia deve privilegiar o ônibus também, afinal, o que as pessoas precisam é de uma malha de transporte público.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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