INTEGRAÇÃO NOS TRANSPORTES: Diferença de postura entre governos

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Ônibus da Região Metropolitana de Curitiba. Convênio entre Governo do Estado e Prefeitura de Curitiba garante a manutenção da integração entre os ônibus municipais e os metropolitanos, uma das características que destacam positivamente o sistema da RIT – Rede Integrada de Transporte, como modelo de serviços. Governo Estadual vai repassar R$ 64 milhões em 12 meses para o Fundo de Urbanização de Curitiba e com isso permite equilíbrio financeiro tanto para os atendimentos na Capital como nas cidades vizinhas, seguindo a Política Nacional de Mobilidade Urbana que determina transporte acessível para o cidadão. Já em São Paulo, mesmo com toda a necessidade dos os transportes se tornarem mais baratos para o cidadão, Governo do Estado briga até na Justiça para acabar com transferência entre ônibus municipais e metropolitanos em Diadema, na Região Metropolitana. Mesmo sem nenhuma decisão judicial, as catracas já estão colocadas em terminas. Fotos e Montagem: Adamo Bazani.

Convênio entre Estado do Paraná e Prefeitura de Curitiba vai garantir integração para os passageiros
Iniciativa beneficia quem usa os transportes coletivos na Capital e nas cidades da Região Metropolitana. Governo vai repassar R$ 64 milhões para equilibrar financeiramente o sistema de transportes

ADAMO BAZANI – CBN

A integração entre os serviços de ônibus municipais de Curitiba, no Paraná, e os ônibus que atendem aos municípios que formam a Região Metropolitana recebeu uma garantia prática para continuar em vigor.
A Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), do Governo do Estado do Paraná, e a Prefeitura de Curitiba assinaram um convênio que vai permitir o equilíbrio financeiro do sistema da RIT – Rede Integrada de Transporte.
Para isso, o governo estadual vai realizar o repasse de R$ 64 milhões nos próximos 12 meses para o FUC – Fundo de Urbanização de Curitiba, destinado ao transporte coletivo.
O dinheiro vai ser usado para cobrir a diferença entre o que é pago pelos passageiros nas catracas e o custo dos transportes.
Atualmente, a passagem em Curitiba e Região Metropolitana é de R$ 2,60, mas a tarifa técnica, que corresponde a quanto é necessário para transportar cada passageiro, é de R$ 2,79.
Além dos corredores de ônibus do tipo BRT – Bus Rapid Transit, que oferecem conforto e mais rapidez nos transportes, de acordo com especialistas, uma das características que permitem que o sistema de Curitiba seja classificado como referência em mobilidade urbana, é justamente a integração entre as mais diversas linhas não só na capital mas nas cidades vizinhas.
Com a medida, essa integração continua beneficiando os passageiros da RIT, tanto da Capital como das outras cidades, com a vantagem de não diferenciar a sustentabilidade dos serviços por serem municipais ou metropolitanos.
Para se ter uma noção da importância dos transportes metropolitanos, só nos municípios ao entorno de Curitiba são transportados mensalmente 5,4 milhões de passageiros em 697 ônibus que atendem 105 linhas.
A RIT – Rede Integrada de Transporte, onde são possíveis as transferências gratuitas para o passageiro entre as linhas, é responsável por 73% da demanda de toda a Região Metropolitana.
A integração proporcionada pela RIT e assegurada por este convênio atende inclusive à nova Lei de Mobilidade Urbana, sancionada este ano pela presidente Dilma Rousseff, que determina transporte com custo acessível para o cidadão.
Também segue a tendência mais moderna de mobilidade que é justamente pensar nos transportes interligados e não somente em cidades isoladas.
Os ônibus da Rede Integrada de Transporte fazem 21 mil viagens por dia, percorrendo 490 mil quilômetros diários em 14 cidades: Curitiba, Araucária, Fazenda Rio Grande, Campo Largo, Campo Magro, Rio Branco do Sul, Itaperuçu, Almirante Tamandaré, Colombo, Bocaiúva do Sul, Pinhais, Piraquara, São José dos Pinhais e Contenda

SÃO PAULO:

Se no Paraná, o Governo do Estado tem uma posição ativa em relação à manutenção de transferências gratuitas entre ônibus municipais e metropolitanos, em São Paulo não pode ser dito o mesmo.
Desde o ano passado, alegando não ter como equilibrar o sistema, o Governo do Estado de São Paulo declarou que pretende terminar com a integração gratuita entre os ônibus municipais de Diadema, na região metropolitana, e os trólebus e ônibus da Metra, que ligam a zona Leste de São Paulo a Zona Sul por um corredor segregado do trânsito, operado pela empresa Metra, que passa por municípios do ABC Paulista.
O caso foi parar na Justiça.
Após oficializar a intenção de terminar com o benefício, o Governo do Estado, mesmo sem ter a posição favorável da prefeitura de Diadema, já instalou as catracas para a cobrança dentro dos terminais de Piraporinha e central da cidade.
A postura causou reação negativa em vários setores, além da prefeitura. O Ministério Público, depois de aceitar ofícios da prefeitura de Diadema e do Procon na cidade, entrou com ação para que o prazo de 90 dias para alteração de contrato entre a Prefeitura e o Governo seja respeitado, indicando que a integração gratuita seja mantida.
A integração, por este contrato, existe desde 1991.
A proposta do Governo do Estado é de cobrar R$ 1,00 nas transferências tanto na ida como na volta.
O Ministério Público entendeu que a intenção vai contra a política de mobilidade, que estabelece que os esforços do poder público devem ser no sentido de baratear os transportes para o cidadão.
O presidente da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, Joaquim Lopes, disse que não quer terminar a integração por vontade própria.
Para ele, é necessário ter responsabilidade para com o dinheiro público e tornar o sistema de transportes economicamente equilibrado.
Joaquim Lopes afirmou que se o município de Diadema conseguir enxugar os gastos dos transportes municipais, os ganhos podem ser transferidos para a manutenção da integração.
Se a cobrança de R$ 1,00 na ida e mais R$ 1,00 na volta passar na Justiça, o cidadão vai desembolsar no mínimo R$ 44 a mais por mês para usar os transportes públicos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

7 comentários em INTEGRAÇÃO NOS TRANSPORTES: Diferença de postura entre governos

  1. EMTU já não faz quase nada pelo ABC e ainda querer cobrar mais caro por nada, é fogo mesmo. Indignação é a palavra certa :/

  2. Se o PSDB quer se livrar do governo e prefeituras se São Paulo, este é um passo significante…

    Já posso ver até material da oposição.

    TUCANOS QUEREM ACABAR INTEGRAÇÃO GRATUITA ENTRE SP E ABCD! VENCENDO AS ELEIÇÕES BILHETE ÚNICO PODERÁ SER O PRÓXIMO ALVO DO PSDB?

    Tsc…

  3. Por ser uma metrópole localizada na Amazônia, alguns podem questionar sobre o porquê de não se aplicar o transporte hidroviário em integração. Entretanto, o arquiteto e urbanista Paulo Ribeiro, coordenador do projeto Via Metrópole, explica que na região de abrangência do plano não há demanda para o transporte hidroviário. “Quando se compara o tempo de deslocamento e os custos de implementação do sistema hidroviário, os estudos mostram que é inviável”. Para vencer a velocidade média dos ônibus, as embarcações teriam que ser bem melhores do que as tradicionalmente utilizadas na região.

  4. A EMTU parece agir mais em favor dos empresários do que preocupada com a população. Uma vergonha.

  5. O ótimo texto menciona a palavra mágica: equilíbrio.
    Nas campanhas por integração, quase sempre se fomenta maior abrangência sem considerar os custos.

    Gratuidades não apenas não resolvem, como diminuir a estima e o valor do usuário pelo transporte público.

    A iniciativa, resultados e abrangência da RIT de Curitiba são louváveis; falta apenas gerenciamento mais preciso e abrangente da Rede para que o usuário possa pagar ou por tempo ou por extensão de uso. E claro, com os respectivos descontos pela habitualidade.

    São Paulo parece estar sempre um passo atrás com integração de modais. Quando teria que ser a primeira a agir, por ter a maior necessidade.

    • Boa tarde Luiz e à todos !

      Permita-me a ironia:

      “São Paulo está alguns milhões de passos atrás”

      Pobre dos pensam que, quanto pior melhor, pois, isto se voltará contra os mesmos.

      Está na cara.

      Abçs.

  6. seria interessante acabar como cartão bom e colocar o bilhete único em todo estado de são paulo ou vice e versa, o governo deve aumentar integrações, e criar corredores de ônibus com pagamento adiantado para não haver perda de tempo com catracas! assim as pessoas podem deixar de andar de carro e usar transporte público…

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