CASO BUSSCAR: É oficial, trabalhadores rejeitam plano de recuperação da empresa

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Ônibus da Busscar. Sindicato dos Mecânicos de Joinville, em Santa Catarina, negou, em Assembleia, de forma oficial, as propostas do plano de recuperação da Busscar, encarroçadora que já disputou liderança do mercado que está desde 2008 em crise e há dois anos sem pagar salários e direitos trabalhistas. Com isso, de forma judicial a falência da Busscar está mais próxima. Além dos trabalhadores, outros credores também já mostraram insatisfação com o plano da Busscar. FOTO: Adamo Bazani.

Trabalhadores oficializam não ao plano de recuperação da Busscar
Em Assembleia Geral, categoria que está há dois anos sem receber salários e direitos trabalhistas, reprovou as propostas da encarroçadora e vai levar a posição para a Assembleia dos Credores

ADAMO BAZANI – CBN

Os trabalhadores da Busscar, encarroçadora de ônibus que já foi uma das maiores do mercado, oficializaram a rejeição às propostas contidas no Plano de Recuperação apresentado pela empresa em 31 de outubro de 2011.
Essa posição será levada à Assembléia Geral dos Credores da Busscar, que deve ser realizada num centro de convenções, em Joinville, Santa Catarina, nos dias 22 e 29 de maio.
Com a rejeição do Plano de Recuperação, a falência da fabricante de ônibus fica judicialmente mais próxima.
O plano tem de ser aceito por todos os credores e não apenas os trabalhadores rejeitam as propostas. Ouros credores como bancos e fornecedores também não estão satisfeitos com as propostas da companhia da família Nielson. Tanto é que há cerca de 200 pedidos de impugnação do plano na Justiça em Joinville.
As dívidas da empresa chegam a R$ 870 milhões. Somadas aos tributos atrasados, as dívidas se aproximam de R$ 1 bilhão e 300 milhões.
Um dos pontos mais polêmicos que tem desagradado tanto trabalhadores como outros credores são os descontos propostos pela encarroçadora sobre os débitos. Esses descontos variam entre 5% e 95%, dependendo do tipo do credor, seja ex acionista, banco ou trabalhadores.
Há exatos dois anos consecutivos, a Busscar não paga salários e direitos trabalhistas. A companhia chegou a ter 5 mil funcionários, mas hoje este número é pouco menos de mil colaboradores.
No entanto, proporcionalmente ao tempo que saíram depois da crise, todos estes cinco mil trabalhadores têm algum crédito a receber da Busscar.
Os trabalhadores também rejeitaram o plano de recuperação da empresa por acharem as propostas inconsistentes com a realidade do mercado.
Só para este ano, a companhia estimou produzir 1,8 mil carrocerias de ônibus com receita de R$ 335,6 milhões.
Até agora, a empresa não fez mais que 80 carrocerias. Parte do projeto pela Busscar viria de um programa do BNDES de incentivo à indústria brasileira que financiaria R$ 400 milhões para companhias nacionais exportarem ônibus para a Guatemala. A Busscar teria direito a R$ 140 milhões, mas este projeto ainda não saiu do papel.
A situação da companhia se complica com a rejeição não só por parte dos trabalhadores, mas de outras entidades e empresas também.
A encarroçadora rejeitou a proposta feita pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Oficinas Mecânicas de Joinville de pagamento à vista de 50% dos débitos de salários e de parcelamento em 12 meses do restante, sem a incidência de descontos.
A situação difícil da empresa começou em 2008. A Busscar, que já disputou a liderança com a Marcopolo no setor de rodoviários, e com a Caio no segmento de urbanos, alega que foi vítima da crise econômica mundial de 2008 que causou uma bolha de tensão no mercado financeiro e restrição ao crédito. Ainda segundo a empresa, boa parte da produção dependia de financiamentos que foram reduzidos.
Já analistas de mercado entendem que os problemas da Busscar não se resumem à crise mundial de 2008, superada por outras encarroçadoras e empresas de segmentos diversos.
Eles apontam uma fragilidade administrativa da empresa que não teria se recuperado de uma outra crise entre 2001 e 2003, na qual precisou de empréstimos do BNDES.
A Assembléia Geral de Trabalhadores que negou de forma oficial às propostas da Busscar foi realizada neste domingo no centro esportivo do Sindicato dos Mecânicos, em Joinville, cidade onde está localizada a encarroçadora.
De acordo com o Sindicato, pelo menos 1,5 mil pessoas foram a Assembleia, que durou cerca de uma hora e meia.
Na oportunidade, foi relato um histórico da situação da companhia e o departamento jurídico explicou quais as possíveis implicações de os trabalhares aceitarem ou não o plano de recuperação.
Alguns cartazes pediam que o sindicato requeresse a falência da empresa, mas este assunto não foi votado, o Sindicato prefere esperar a Assembleia dos Credores.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

6 comentários em CASO BUSSCAR: É oficial, trabalhadores rejeitam plano de recuperação da empresa

  1. Parece…..parece, que afinal, teremos um desfecho pra este circo de horrores. A Busscar está falida há dois anos. Só os alienados não viam isso. Mas por incrível que pareça, essa diretoria não assume a sua responsabilidade. Insistem em colocar a culpa da crise, no cenário econômico mundial, na negativa do governo em não pagar o crédito prêmio IPI , e em outras coisas fantasiosas, como “forças ocultas” e as mais variadas teorias da conspiração.
    Sim, nada mais certo, do que a falência. É lamentável a instituição Busscar, terminar desta forma patética. É de chorar mesmo. Pra quem viveu no auge da empresa, sabe do que estou falando.
    Era uma linda história de uma empresa, que tinha tudo para ser a melhor do mundo, mas que pelo orgulho, ganância e alienação da família Nielson, coloca esta história na vala comum. O Sr. Augusto Bruno Nielson e o Sr. Harold Nielson, não mereciam ter seus nomes manchados por isto.

  2. E com essa abre-se a possibilidade do grupo Induscar-Caio arremate a massa falida da cia e fique com seus projetos de rodoviários.

  3. Somente devemos ressaltar que se realmente foram 1,5 trabalhadores, nem todos eram ligados a Busscar, pois foram convocados todos os mecânicos ligado ao sindicato, então faço está ressalva para teu blog não caia em descredito por publicar informações repasados por terceiros sem base.

  4. Anderson Fontes Calado // 18 de Abril de 2012 às 20:24 // Responder

    É lamentável essa situação da Busscar(antiga Nielson)! Andei poucas vezes nos urbanos dela! Lembro com saudade dos Nielson Urbanus da Eucatur e da antiga Ostur e dos Busscar Urbanus da viação de nome homônimo e também da Soltur! A última aquisição dos urbanos da Busscar aqui em Manaus-AM ocorreu em 1999,com a chegada dos Urbanuss na Viman,que iam do 01941 ao 01961 e na Soltur,que iam do 02931 ao 02940. Esses eu simplesmente adorava,comparados aos Marcopolo Torino 99 que chegaram naquele período. A Master tem um Busscar Panorâmico DD-Scania K380 que só vi em fotos(na minha casa há internet.)! A Busscar fará falta de Leste a Oeste,do Sul ao Norte do nosso Brasil! Se a viúva do sr. Harold Nielson não tivesse assumido,teria a Busscar tomado outro rumo,isso é o que eu acho.

  5. na minha opiniao a justica deveria,a muito tempo ter tomado uma decisao concreta sobre o caso
    busscar,assim nao teriam embolsado todo o dinheiro que deveria ser pago de direito a quem realmente trabalhava naquela empresa,É LAMENTAVEL pois se fosse um pobre que devesse todo esse dinheiro com certeza ja teriam tirado ate as calsas do vivente,mais como e rico NÉ justiça do nosso brasil,andam de boa,sendo que gente desse grau de carater nao deveriam andar
    poluindo nossas ruas e respirando o mesmo ar que os muitos trabalhadores brasileiros.

  6. 5 motivos para REJEIÇÃO do Plano de Recuperação Busscar:

    1 – A aprovação do plano possibilita a imediata venda de todos os imóveis da Busscar, que atualmente estão bloqueados na Justiça do Trabalho como garantia dos créditos trabalhistas.
    Vejam no plano (link abaixo) pag. 62 IX.7 “Alienação de bens do ativo imobilizado”
    http://www.ipru.com.br/pdf/VOL16PLANO.pdf

    2 – Permanência do atual modelo de gestão que solicitou a liberação de R$ 7.000.000,00 para capital de giro e que reverterá em no máximo R$ 7.000.000,00, ou seja, trocou 6 por meia dúzia para justificar a continuidade da empresa.

    3 – Possibilidade de uma gestão mais profissional, que gere resultados e remunere corretamente seus funcionários e fornecedores.

    4 – Negar chance a um empresário caloteiro, que entrou com o pedido de recuperação judicial quando já havia 18 salários atrasados e não tinha mais para onde correr.

    5 – Não postergar a falência quando não tiver mais patrimônio para pagamento dos créditos trabalhistas.

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