DNIT: Um atoleiro de irregularidades e ineficiência

onibus atolado

Um atoleiro de ineficiência e irregularidades. Assim é o Dnit – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. A constatação é do próprio vice-chefe da autarquia, Tarcísio Gomes de Freitas. Dinheiro tem bastante. O órgão foi um dos que mais receberam verbas do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Mas segundo Tarcísio, não há profissionais preparados, metade está para se aposentar e não há auditores suficientes. Denúncia do jornal O Estado de São Paulo ainda revela que pelo menos 1500 funcionários ocupam de maneira irregular o lugar de profissionais que deveriam ser concursados. Enquanto isso, cenas como esta, de ônibus atolados, além de carros e caminhões, se tornam mais comuns e representam os riscos e os custos para trafegar pelas estradas brasileiras.

Dnit não tem condições de fazer as obras previstas pelo PAC
Há dinheiro, mas não há mão de obra suficiente e ainda há suspeitas de manutenção de trabalhadores de forma irregular.

ADAMO BAZANI – CBN

Sabe aquela máxima de “que adianta ter o dinheiro se não tem como fazer” ?
É justamente isso que tem ocorrido com o Dnit – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, responsável, entre outras funções, por melhorar e ampliar a malha rodoviária do País.
O órgão é um dos que mais receberam recursos do PAC –Programa de Aceleração do Crescimento, criado na gestão de Luís Inácio Lula da Silva, com prosseguimento no atual governo de Dilma Rouseff.
Não faltam recursos. O Dnit trabalha hoje com verbas na ordem de R$ 15 bilhões. Mas faltam funcionários preparados, mais jovens, e principalmente organização.
O auditor da CGU – Controladoria Geral da União, Tarcísio Gomes de Freitas, que foi nomeado vice-diretor do Dnit, uma espécie de interventor, desabafou à imprensa e disse que do jeito que está, o Dnit não consegue tocar as obras previstas pelo PAC-
Acompanhe matéria reproduzida pelo Portal 180 Graus:
“ Nomeado vice-chefe do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o auditor da Controladoria-Geral da União (CGU) Tarcísio Gomes de Freitas se diz à frente de uma autarquia falida, sem condições de executar suas principais funções. Espécie de interventor do órgão, no cargo há pouco mais de cinco meses, ele desabafa: “O Dnit não tem condições de tocar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O que fazem com ele é covardia.”
Como diretor executivo do Dnit, o auditor concluiu em dezembro estudo que evidencia a impossibilidade de atingir as pretensões de eficiência do programa na área de Transportes. O Dnit tem hoje 2.695 servidores de carreira – menos funcionários, segundo o diretor, que o Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (DER-SP), com 3,8 mil. Mais da metade do pessoal passou dos 51 anos de idade e um terço já tem ou terá, até 2016, condições de se aposentar. Para levar adiante 1.196 contratos, a maior parte integrante do PAC, seriam necessários 6,8 mil funcionários.
“Como é que eu vou ter um bom ambiente de controle num órgão que gere R$ 15 bilhões e tem uma auditoria interna com 7 auditores?”, questiona o diretor executivo. Nas palavras do estudo, o Dnit leva “incríveis 300 dias” para pagar a uma empreiteira pela medição de um serviço.
Em vários Estados, obras importantes do PAC, prometidas pela presidente Dilma Rousseff, permanecem no papel ou atrasadas. É o caso da duplicação da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, e da reforma do Anel Rodoviário da capital mineira. Há anos, os dois empreendimentos não saem da fase de projeto ”
FUNCIONÁRIOS DE MANEIRA IRREGULAR

Não bastasse a falta de estrutura do Dnit, denúncias publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo dão conta de que pelo menos 1 mil 500 funcionários trabalham no Departamento de maneira irregular.
São funcionários que ocupam lugar de profissionais que deveriam ser contratados por concurso.
Há profissionais irregulares em cargos de decisão, como engenharia e finanças.
Além disso, 70% das senhas do Siafi – Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal estão nas mãos de empresas terceirizadas.
Na Coordenaria Geral do Meio Ambiente, 41 dos 50 funcionários são terceirizados e na Coordenação- Geral de Planejamento dos 57 profissionais, 40 são de terceirizadas e deveriam ser concursados.
O TCU – Tribunal de Contas da União denuncia o caso desde 2005. Houve aplicações de ultas, mas desde 2009 não há investigações aprofundadas sobre as irregularidades.
Enquanto do Dnit acaba sendo uma fonte de irregularidades e ineficiência, como mostrou o próprio vice-diretor do órgão, as estradas brasileiras apresentam condições cada vez mais difíceis.
Comunidades inteiras ficam isoladas principalmente em dias de chuva pela precariedade das estradas e rodovias.
Os custos e o tempo dos transportes tanto de cargas como de passageiros aumentam de forma considerável. Não é raro ver empresas de ônibus encurtando suas linhas e cargas perecíveis apodrecendo em caminhões pelo fato de os veículos não conseguirem chegar aos seus destinos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

7 comentários em DNIT: Um atoleiro de irregularidades e ineficiência

  1. Adamo,
    lendo a matéria acima não consigo deixar de observar o onibus de uma pequena empresa e o seu dirigente, um desbravador, e lembrar da outra matéria sobre a concorrência Nacional dos transportes coletivos, que acredito sofra dos mesmos problemas acima descritos.
    A administração Federal sofre de falta de renovação de seus quadros técnicos de um lado e excesso de pessoal indicado (sem qualificação), não concursado de outro.
    E como não conseguiam sair do lugar nos projetos/execuções, criaram as Agências, aumentando o custo Brasil e ainda sem resolver os problemas.
    Enquanto nossos governantes estiverem com as mãos amarradas pelas Camaras Federal, Estadual e Municipal, necessitando de aprovar emendas (carissimas) para ter maioria nas votações dos projetos elementares para o desenvolvimento do País, tudo continuará assim, ou haverá novas renuncias como a do Janio Quadros, o suicidio do Getulio Vargas, o impedimento do Fernando Collor, ou a pacividade de outros.
    Temos que aprender a votar.

  2. O Executivo se tornou refém do Legislativo, não por ser vítima, mas porque lhe convém. Nossa deputaida custa muito e isso não se restringe aos salários altos deles e assessores, mas justamente essa farra de emendas. Mal assumiu o cargo, o novo ministro das cidades, este já tem suspeitas de liberação de verbas para emendas dos aliados. O novo ministro que entrou no lugar do ministro do VLT de Cuiabá.
    E ai do Executivo se não libera essas verbas de emendas. O que quiser propor é derrubado. Mas para o executivo é bom também porque é uma terceirização de captação de votos. O Executivo libera a verba da emenda e a deputaiada diz para os beneficiados votarem no companheiro e na companheira que liberou a verba. Nem precisa de corpo a corpo mais.
    Enquanto isso, temos órgãos e agências com funcionários incompententes tecnicamente, mas muito astutos para ganharem dinheiro.

  3. é complicado cara!essa foto é do norte do Brasil adamo?

  4. Nossa!!!… E saber que o DNIT compõe a mesa do Pró-Estatutodo Motorista Profissional!. Esperar O Que???
    O Estatuto do Motorista é um projeto que tem á frente o senador Paulo Paim, que também faz parte do orgão Direitos Humanos. Espero que ele esteja observando isso e contribua com as devidas providências no que tange a acelerar logo todo o projeto, pois segundo o projeto, coisas como essas devem deixar de existir ou no mínimo serem em muito amenizadas, pois se pretende estabelecer orgãos de fiscalização pra fiscalizar as empresas privadas, os condutores e os beneficiados, mas quem sabe ainda dá tempo de se providênciar uma fiscalização ou correção de irregularidades como menciona o post.
    Como diz Boris Casói: Éh… Uma Vergonha!!!
    Um Abraço…

  5. Parabéns pelo texto. E pela abordagem.
    O DNIT está nas mãos dos políticos.

  6. E enquanto o DNIT iou qualquer outro órgão serem comandados por loteamentos de partidos políticos e servirem de moeda de troca entre votos e cargos, o BRASIL ESTARÁ COMO ESTE ÔNIBUS: Afundandano Lama!

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