Cerca de dois milhões de pessoas foram prejudicados por conta de paralisação de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo que impediu a saída de aproximadamente 8 mil ônibus das garagens da Capital Paulista, entre às 3 h e às 6 h. O anúncio sobre a paralisação foi feito sem antecedência suficiente, o que pegou quase todos os passageiros de surpresa. Pontos lotados, os primeiros ônibus não dando conta de tanta gente, atrasos e muita revolta foram cenas comuns. Os motoristas reclamam que as empresas são multadas pelo Resam da Prefeitura por má qualidade de serviço e que depois estas multas são descontadas dos salários, sendo que a categoria só aceita descontos por multas em caso de infrações previstas pelo CTB – Código de Trânsito Brasileiro. No dia 06 de fevereiro, os passageiros devem ficar atentos, pois o sindicato promete outra paralisação. Foto: Adamo Bazani.
Motoristas de ônibus devem parar de novo em São Paulo
Categoria cruzou os braços por três horas na madrugada desta terça-feira. Cerca de 2 milhões de passageiros foram prejudicados. No dia 06, trabalhadores ameaçam outra greve
ADAMO BAZANI – CBN
A cidade de São Paulo pode ter outra greve de motoristas e cobradores de ônibus no dia 06 de fevereiro, de acordo com o sindicato da categoria, quando deve ocorrer uma assembleia.
Na madrugada desta terça-feira, dia 31 de janeiro de 2012, cerca de 8 mil ônibus não saíram das garagens entre 3 horas às 6 horas por conta de manifestação de trabalhadores.
Pelo menos 2 milhões de passageiros, dos 6,1 milhões que usam o transporte coletivo municipal de São Paulo, foram prejudicados.
Não foi possível acionar a operação Paese – Plano de Assistência a Empresas em Situação de Emergência por conta do alto número de ônibus parados.
O Paese consiste em ônibus de outras empresas atenderem as linhas das viações afetadas por greve ou qualquer outro problema. Mas como praticamente todas as empresas pararam, não havia como uma ajudar a outra e nem a possibilidade de deslocamento de veículos.
Mesmo depois da volta dos motoristas, após às 6 horas da manhã, a situação demorou para ser normalizada.
Pontos lotados, os primeiros ônibus não davam conta de tanta gente, pessoas atrasadas e passageiros revoltados eram cenas comuns na cidade de São Paulo, que possui o maior sistema municipal de ônibus do País.
O motivo da paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo foi que, segundo o sindicato dos trabalhadores, as empresas de ônibus têm recebido um alto número de multas por falta de qualidade de prestação de serviços, que depois são descontadas nos salários dos funcionários de cada ônibus multado.
O sindicato diz que só aceita que os motoristas tenham os salários descontados por conta de multas previstas no Código de Trânsito Brasileiro – CTB e não do Resam – Regulamento de Sanções e Multas.
Diariamente, pelo Resam da Prefeitura de São Paulo, as empresas recebem 400 multas .
A questão é polêmica. Se um ônibus não cumpre horário, nem sempre é culpa do motorista e nem da empresa por conta de fatores como o trânsito complicado, por exemplo, já que em São Paulo, não há corredores exclusivos suficientes. Se um ônibus está mal conservado, a empresa é responsável e nem sempre o motorista. Mas se um ônibus para longe da plataforma num terminal, dificultando o embarque e desembarque, principalmente de idosos ou pessoas com mobilidade reduzida, aí quem está operando é o motorista e a multa é prevista pelo Resam.
A SPTrans, em nota, repudiou a manifestação.
Os passageiros não foram avisados com alguns dias de antecedência para se prepararem e muita gente foi pega de surpresa.
Os usuários de transportes coletivos devem estar preparados para o próximo dia 06 de fevereiro quando pode ocorrer outro protesto.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.