BUSSCAR: Autorização de venda de imóvel causa polêmica

Busscar Crise

Micro-onibus sendo produzido na Busscar recentemente. Justiça deu o aval para a encoarroçadora, em crise desde 2008, vender uma fazenda, em São Francisco do Sul, em Santa Catarina, avaliada em R$ 7 milhões. Mas a decisão causou polêmica, já que o imóvel estava bloqueado como garantia de pagamento de dívidas trabalhistas. A Busscar acumula 21 meses sem pagar salários e outros direitos dos trabalhadores. O Sindicato dos Mecânicos de Joinville, se queixa do fato de não ter sido consultado, já que o imóvel era uma garantia para os funcionários, mesmo os já desligados e que têm a receber. Segundo advogados da Busscar, a empresa está em fase de recuperação, e a retomada de produção é essencial para este momento e para a manutenção dos postos de trabalho remanescentes. A empresa alega que o dinheiro da venda da Fazenda Itinga é para produzir 39 ônibus que já foram encomendados. Foto: Rede RBS.

Justiça autoriza venda de terreno da Busscar e contraria sindicato dos trabalhadores
De acordo com a encarroçadora, os R$ 7 milhões obtidos pela venda do imóvel serão usados para produzir 39 ônibus que já foram encomendados

ADAMO BAZANI – CBN

A Justiça do Trabalho autorizou a Busscar, encarroçadora de ônibus, a vender um imóvel avaliado em R$ 7 milhões.
A empresa está em crise financeira desde 2008, acumula dívidas de R$ 700 milhões entre fornecedores, bancos e salários e direitos de trabalhadores, e aguarda a aprovação de um plano de recuperação judicial para não ter a falência decretada.
O imóvel, Fazenda Itinga, fica na cidade de São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina.
O Sindicato dos Mecânicos de Joinville, que representa cerca de 5 mil trabalhadores que estão com 21 meses de salários atrasados, se manifestou contrariamente à venda direta da área. Isso porque, a Fazenda havia sido bloqueada na Justiça para garantia de pagamento de dívidas trabalhistas.
Em nota, o presidente da entidade, João Bruggmann, afirmou que sem o imóvel, os trabalhadores possuem uma garantia a menos e que o sindicato não foi consultado, o que deveria acontecer, na visão e Bruggmann, já que a Fazenda era bloqueada para dívidas trabalhistas.
“O que causa preocupação e apreensão entre os trabalhadores é que está se liberando um bem que estava bloqueado para garantir os pagamentos dos salários atrasados há 21 meses! E que essa liberação abre um precedente, e isso é estranho, antes mesmo que a pretensa proposta de recuperação judicial seja analisada, debatida e aprovada ou não pela assembleia geral de credores. Afinal a recuperação já está valendo então?”, afirma o presidente Bruggmann.
A diretoria também está atenta aos fatos porque a liberação ocorreu entre um juiz e outro sem que sequer o Sindicato, autor da ação que defende os trabalhadores, ter sido citado para se manifestar sobre o pedido feito pela empresa e seus advogados. “A rapidez na liberação também estranha porque os trabalhadores estão há quase dois anos sem receber um centavo, e não tem a mesma deferência. Outra situação que avaliamos é para onde vão esses recursos? Será que vão para pagar também os trabalhadores, ou só para pagar alguns privilegiados? Vai acabar com a farra das diárias, ilegais e imorais?”, questiona o presidente e sua diretoria.

O OUTRO LADO:

Para a Busscar, a venda do imóvel é essencial nesta fase de recuperação da empresa.
Segundo advogados da empresa, a venda é agora autorizada pela Justiça e os recursos servirão para iniciar a produção de 39 ônibus que já foram encomendados e poderão auxiliar em outras encomendas.
A empresa ainda diz que a retomada de produção é o que vai garantir a manutenção dos empregos existentes e o pagamento das dívidas.

Quando começou a enfrentar o segundo período de dificuldades (o primeiro foi entre 2002 e 2003), no ano de 2008, a Busscar tinha cerca de 5 mil funcionários. Hoje são aproximadamente 900.
Em 2008, a Busscar alegou que a as dificuldades foram conseqüência da crise financeira internacional, que restringiu os créditos da empresa.
Analistas dizem que a empresa na prática ainda não tinha se recuperado da primeira crise, quando recebeu apoio do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e por isso estava fragilizada frente à restrição de crédito que outras companhias dos mais diversos setores também enfrentaram. Eles atribuem este quadro a possíveis erros de administração.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

2 comentários em BUSSCAR: Autorização de venda de imóvel causa polêmica

  1. Adamo, Li no site da Sptrans que em 4 anos houve 80% de renovação na frota de onibus em São Paulo, pergunto aonde estão estes onibus que ninguem ve, nas garagens, se puderem vão até o Pq. Dom Pedro, e vejam se não houve no minimo um certo exagero, exitem onibus que já roda a mais de 8 anos e na lataria diz fabricado em 2008, quando o correto seria remontado na garagem em 2008,

    • concordo com vc eles devem falsificar a frabricaçao!nao lembro onde um prefeito pegou onibus velho pintou e fez alguns emprovisos e disse que era zero.agora aki em sp cade nao vi nada.os noventa e pouco trolebus nao vi só vi um busscar e um millenium.ta osso!

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