É possível reduzir as tarifas de ônibus?
Publicado em: 13 de janeiro de 2012

Ônibus em São José do Rio Preto. Com investimentos na ordem de R$ 9 milhões no sistema de transportes, a prefeitura conseguiu em novembro reduzir as tarifas de ônibus de R$ 2,30 para R$ 2.10 e o prefeito Valdomiro Lopes estuda a possibilidade de redução de mais de R$ 0,10. Mesmo com realidades que não podem ser as mesmas de outras cidades, o município é exemplo de que é possível deixar os transportes mais baratos para a população.
São José do Rio Preto deve reduzir ainda mais a tarifa
Passagens de ônibus municipais que eram de R$ 2,30 e passaram para R$ 2,10 podem chegar a R$ 2,00 em março
ADAMO BAZANI – CBN
A maior parte das cidades do País vive uma época de aumento nas passagens de ônibus. Muitos são feitos de acordo com a inflação, outros pelos custos de operação e manutenção dos sistemas e alguns com índices até abaixo das variações inflacionárias.
Em diversas destas cidades, houve registros de manifestações contra os aumentos que se transformaram em atos de violência e vandalismo, com abuso dos manifestantes que colocaram fogo em ônibus e depredaram veículos e patrimônio público e suspeita de abuso policial na repressão destes atos, como o que ocorreu em Vitória, no Espírito Santo, e em Teresina, Piauí.
Mas por que as tarifas de ônibus sobem tanto?
Há várias versões que tentam responder esta pergunta, que não tem apenas uma explicação.
No entanto, uma linha de pensamento parece ser razoável. Onde há investimentos em transportes públicos, seja em forma de infraestrutura, subsídios às operações por ônibus ou desoneração de impostos.
Além disso, quando o poder público participa ativamente do sistema de transportes, não apenas fiscalizando ou jogando todo o encargo para as operadoras, a tendência é de que os custos dos transportes sejam melhores divididos entre toda a sociedade que é beneficiada pelos serviços o que pode refletir nos valores das tarifas.
A divisão dos custos dos transportes por toda a sociedade é considerada justa pelo fato de que todos se beneficiam com o transporte público, até mesmo quem não usa ônibus, trem ou metrô. Isso porque o transporte coletivo ajuda a diminuir os índices de congestionamentos, ajudando também quem só utiliza carro, e de poluição, auxiliando a melhoria na qualidade de vida de todos os cidadãos.
As formas desta divisão de custos dos transportes públicos ainda são alvos de discussões.
Em São José do Rio Preto, no Interior Paulista, enquanto as cidades aumentam suas passagens de ônibus, conseguiu em novembro baixar o valor de R$ 2,30 para R$ 2,10 e discute reduzir ainda mais o valor.
Ao portal Segs, o prefeito Valdomiro Lopes que em março, a passagem de ônibus pode ficar até R$ 0,10 mais baixa.
Para isso, Valdomiro disse que o poder público investe no setor.
“Estamos investindo R$9 milhões por ano para garantir transporte mais barato para a população. E vamos baixar ainda mais”
A quebra de monopólio nos serviços, que antes pertenciam a Empresa Circular Santa Luzia, também é considerada pelo prefeito um dos motivos para a redução tarifária e melhoria na frota e no atendimento à população.
Foram colocados em circulação 256 ônibus novos.
A redução tarifária, segundo a Prefeitura, beneficiou quase 2 milhões e 300 mil passageiros por mês.
A realidade de São José do Rio Preto pode ser diferente de várias outras cidades que exigem medidas específicas ao cotidiano de seus sistemas de transportes, mas o município é exemplo de que o “sonho” de baratear os transportes para o cidadão, em especial o de baixa renda que sofre mais com os reajustes, não é impossível.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.


Caro Adamo, Peço sua ajuda, tenho o bilhete especial do obeso, voce paga passagem (eu tenho que caregar em dinheiro) , vira a catraca e desçe pela frente, so que a partir do dia 09/01/2012 estou recebendo vale tranporte eletronico, por incrivel que pareça não posso receber os creditos no bilhete do obeso e sim num bilhete comum, o que esta me causando constragimentos, por que a pergunta e obvia se voce tem o bilhete especial do obeso por que esta passando o comum, acho que existe algum equivovo em relação ao meu caso, voce pode me ajudar.
grato
Pedro
Posso tentar checar essa situação sim, mas a prioriri, o cartão de passageiro comum é o que deve ser utilizado. Acredito qu houve uma desatenção do poder púyblico em não criar o cartão eletrônico com a identificação para obeso.
Tente também se informar na autarquia de transportes.
Adamo Bazani
Boa tarde.
Sobre o tema, pergunto:
Qual a fórmula utilizada ? Subsídio ? Desoneração tributária municipal ?
Abçs.
No caso de São José do Rio Preto são subsídios anuais de R$ 9 milhões
Ok, Adamo !
Não havia prestado a atenção devida, pois você mencionou o investimento do valor, na matéria, mas, interessante que o valor não é tão alto assim, em se tratando de orçamento público de cidades de médio porte, como SJ do Rio Preto, Ribeirão, Sorocaba, entre outras cidades paulistas, mas, pelo menos por hora, apenas SJ do Rio Preto dá mostras de sucesso na iniciativa.
Entretanto, na Capital paulista, nem com o CAMINHÃO DE SUBSÍDIO, a tarifa abaixa, pelo contrário.
ABRAÇÃO.
Na verdade tem muito jeito para diminuir a tarifa. Hoje a maior parte das cidades utiliza o modelo de “transporte integrado” com caixa centralizado em uma companhia municipal. O que dava para fazer é centralizar todas as linhas nessa “empresa” e licitar os serviços. Se o zé das tantas tem uma empresinha com um ou dois ônibus, dentro do padrão, pode haver um leilão on-line onde ele e outros poderão participar.
Quanto a pinturas, para assegurar a modicidade, cada empresa poderia ter a sua resguardando apenas uma faixa estreita que indicaria o tipo de serviço, numeração e o município. Conforme mais municípios aderissem, haveriam mais ônibus disponíveis para “leilão de serviços”.
Em 2010 na cidade de São Paulo o subsídio aumentou de 600 milhões para 660 milhões e a tarifa também aumentou foi de R$ 2,30 para R$ 2,70 um aumento de uns 18 ou 20% mais ou menos e foi acima da inflação. Em 2011 a história se repete, do absurdo valor de R$ 2,70 a passagem foi para R$ 3,00, um aumento de 11,11 % acima da inflação oficial que foi de 5,83%.
Em 2012, não só a cidade de São José do Rio Preto que abaixou a tarifa, a cidade de Louveira (que fica a 70 Km da capital) também abaixou a tarifa, ela agora custa R$ 1,00 e nos finais de semana e feriados o ônibus será gratuito.
Desde setembro de 2011, os moradores de Porto Real – RJ (123 Km da capital) podem desfrutar de ônibus inteiramente gratuitos todos os dias da semana e sem restrições a usuários.
Em Potirendaba – SP (440 Km da capital) desde 1998 os ônibus são gratuitos a todos.
Em Agudos – SP (330 Km da capital) desde 2001 os ônibus são gratuitos.
Hasselt na Bélgica, foi a 1° cidade do mundo a ter ônibus gratuitos em 1997 e desde lá, vem sendo seguida por várias cidades como por exemplo Gibraltar (território britânico no Sul da Espanha), Changning e Changzhi na China, onibus gratuitos também são encontrados no Centro de Zagreb na Croácia e Sydney na Austrália.
É preciso mais do que reduzir o preço das tarifas, é preciso acabar com elas. O próprio fato dela existir, ja implica em exclusão e um serviço público não pode haver exclusão. No Brasil, segundo uma pesquisa do IPEA de 2007, 37 milhões de pessoas não usam o transporte PÚBLICO simplismente porque não podem pagar por ele.
Em Agosto de 2011, foi lançada em São Paulo uma campanha chamada Tarifa Zero. É um projeto de lei de iniciativa popular que precisa coletar 500 mil assinaturas de eleitores da cidade e esse projeto preve o fim das tarifas de ônibus. Para saber mais visite: http://www.tarifazerosp.net
Para saber mais sobre tarifa zero no Brasil e no mundo visite: http://www.tarifazero.org
Vitorio – Militante do Movimento Passe Livre – São Paulo
O Movimento Passe Livre é um movimento Social autônomo, apartidário, horizontal e independente que luta por um transporte realmente público.
O Facebook do MPL é: http://pt-br.facebook.com/pages/Passe-Livre-S%C3%A3o-Paulo/176309402425319