BUSSCAR PREVÊ PRODUZIR 1,8 MIL ÔNIBUS EM 2012

Crise na Busscar
Ônibus da Busscar. Empresa apresentou plano de recuperação que será analiso pela Justiça. As dívidas da encarroçadora se aproximam de R$ 700 milhões. O ponto mais polêmico do plano é em relação aos descontos sobre os débitos propostos pela empresa que variam de 7% a 95%. Vários credores se desagradaram com as propostas, inclusive o Sindicato dos Mecânicos de Joinville, que representa os trabalhadores. Para iniciar os trabalhos em 2012, a Busscar precisa de R$ 100 milhões e admite novos investidores além de pedir a inclusão no programa de exportação de ônibus para a Guatemala. O faturamento projetado para este ano é de R$ 335,6 milhões com produção de 1,8 mil carrocerias. A Busscar só teria saldo a partir de 2014 e para 2016 prevê faturamento de R$ 1,1 bilhão e produção de 4,5 mil ônibus. Foto: Adamo Bazani

CASO BUSSCAR: Justiça analisa plano de recuperação
Encarroçadora propõe descontos que variam de 15% a 95% nos valores das dívidas. Após análise completa do juiz, os credores terão seis meses para realizarem assembléias e decidirem se aceitam propostas

ADAMO BAZANI – CBN

A Justiça em Joinville, Santa Catarina, começa a análise do plano de recuperação da Busscar, encarroçadora de ônibus em crise financeira desde 2008, que já atrasou 19 meses de salários e acumula dívidas gerais de cerca de R$ 700 milhões.
O ponto mais polêmico do plano de recuperação é o desconto proposto pela empresa da família Nielson sobre as dívidas.
Estes descontos variam entre 7% e 95%.
Os menores descontos serão sobre as dívidas dos trabalhadores que acumulam R$ 110 milhões. Funcionários das empresas do grupo, Tecnofibras e Climabuss, não terão descontos. Já os trabalhadores desligados com processo de execução finalizado terão, de acordo com a proposta, desconto de 37%. A carência para início de pagamento também varia de acordo com a situação do trabalhador na empresa, podendo chegar a seis meses.
Confira os descontos apresentados aos trabalhadores:
http://www.setpesc.org.br//prb12799981.pdf
Para os ex – sócios da empresa que têm a receber, os descontos sobre as dívidas podem chegar a 95%.
Já para os bancos, os maiores credores da Busscar, com débitos de pouco mais de R$ 300 milhões, o desconto proposto é de 60%, com exceção do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -, entidade pública. A carência para o pagamento no caso dos bancos é de 48 meses, com 96 meses para a conclusão.
FATURAMENTO DE MAIS DE R$ 1 BILHÃO
O estudo para a elaboração do plano foi feito com a participação da consultoria Delotite.
Em 2012, a Busscar espera faturar R$ 335, 6 milhões e produzir 1 mil 800 unidades.
No entanto, para iniciar as produções, a empresa, que já chegou a empregar cerca de cinco mil pessoas, precisaria de R$ 100 milhões. O dinheiro viria com a participação de investidores novos e outras formas de financiamento.
Para a captação destes recursos, é levantada a possibilidade de venda da empresa Tecnofibras, que produz acessórios de plástico e fibra de vidro para caminhões e ônibus.
A empresa também quer a inclusão no programa de exportação de ônibus para a Guatemala, gerido pelo BNDES. O programa é de R$ 400 milhões e a Busscar quer a participação com financiamentos de R$ 130 milhões.
A venda de um terreno no valor de R$ 7 milhões em forma de leilão foi bloqueada na Justiça a pedido do Sindicato dos Mecânicos de Joinville.
A Busscar só ficaria com as contas positivas, ainda seguindo esta projeção, em 2014, quando poderá produzir o equivalente a um saldo de R$ 30,2 milhões, já descontados os pagamentos, custos de produção, salários, impostos e demais encargos
Em 2016, a empresa prevê um faturamento de R$ 1,1 bilhão com a produção de 4,5 mil ônibus.
Os descontos desagradaram vários credores.
“Estamos falando de pessoas que estão há dois anos sem salários, de pessoas que estão endividadas e que não vão conseguir desconto nas suas dívidas porque a Busscar não vai pagar o valor integral dos seus débitos” – disse o presidente do Sindicado dos Mecânicos de Joinville, João Bruggmann.
A partir da conclusão da análise do plano de recuperação pela Justiça, os credores podem fazer assembléias e discutirem a posição judicial. O prazo para isso é de 6 meses.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.