TRANSPORTES, FELICIDADE E RIQUEZA

Transportes e Felicidade

O Brasil é um País tipicamente urbano. De acordo com o doutor em engenharia de produção e mestre em transportes pelo Instituto Militar de Engenharia, Marcus Quintella, cerca de 80% das pessoas vivem em áreas urbanas onde são realizadas aproximandamente 70 milhões de viagens por dia, pelo fato de locais onde estão as moradias, os equipamentos de lazer e educação e onde há geração de emprego e renda ainda serem distantes uns dos outros na maioria das configurações urbanas brasileiras. Assim, muito mais que por programas assistencialistas, a erradicação da miséria, que permite cidadãos mais felizes, passa pelo acesso às necessidades básicas, o que é garantido pelos sistemas de transportes. O setor então deve fazer parte dos planos de erradicação da pobreza. Foto: Adamo Bazani.

Transportes trazem felicidade às pessoas
Especialista, mestre em transportes, Marcus Quintella, diz que erradicação da pobreza não passa apenas por programas como Fome Zero, mas pelo acesso às necessidades básicas do cidadão, o que é proporcionado pelos serviços de transportes tanto de cargas como de passageiros
A erradicação da pobreza em nosso país sempre será um processo longo e de difícil execução, já que dependerá de desenvolvimento econômico e social sustentado e contínuo, com uma distribuição de renda justa e evidente, além do empenho político permanente de todos os níveis dos poderes públicos. Desde o primeiro governo FH, passando pelos dois mandatos de Lula e, agora, com a presidente Dilma, a prioridade tem sido a erradicação da pobreza, cujos focos principais são a geração de empregos, os programas Bolsa Família e Fome Zero, os projetos de segurança pública e as obras de infraestrutura, que incluem habitação, saneamento e transporte público de metrôs e trens.
Assim como os governos anteriores, o atual parece estar definitivamente convencido de que a erradicação da pobreza vai muito além do Fome Zero, pois dependerá de ações que garantam à população acesso às clássicas necessidades humanas básicas preconizadas pelo Banco Mundial, que compreendem educação, saúde, nutrição, água, saneamento e habitação. Além disso, felizmente, o governo brasileiro incluiu nessa relação, como uma das necessidades humanas básicas, o transporte público e de cargas, uma vez que os deslocamentos casa-trabalho, casa-escola e casa-lazer, o acesso a hospitais, a chegada dos alimentos à população, o escoamento das produções agrícolas e industriais e a comercialização de produtos e serviços dependem fundamentalmente de alguma modalidade de transporte.
O transporte, na realidade, é um fator de extrema relevância para a melhoria de vida das pessoas e deveria sempre ser privilegiado nas ações de combate à pobreza, pois é o único serviço que participa de todas as atividades da sociedade e afeta as pessoas todos os dias. Além disso, mais de 80% dos brasileiros residem em áreas urbanas, onde ocorrem cerca de 70 milhões de viagens diariamente, pelo fato de os locais de moradia, trabalho e lazer estarem cada vez mais separados espacialmente entre si.
A efetiva erradicação da pobreza no Brasil deve começar pela implementação de projetos de transportes que produzam reais benefícios sociais, econômicos, ambientais e humanos para toda a população, de forma que suas finalidades precípuas sejam atingidas: deslocar seres humanos de forma econômica, rápida, segura, confortável e saudável. Os sistemas de transporte público, metroferroviário, aquaviário e rodoviário, devem ser encarados como grandes aliados no combate à pobreza, porque invariavelmente produzem os benefícios acima.
As cidades brasileiras de médio e grande portes carecem de metrôs, trens suburbanos, veículos leves sobre trilhos, BRTs e sistemas marítimos, lacustres e fluviais de passageiros, desde que planejados de forma racional e integrados entre si e com política tarifária adequada ao poder aquisitivo da população. Ao mesmo tempo, as dimensões continentais de nosso país comportam grandes ferrovias de cargas e de passageiros de média e longa distâncias, que poderiam ajudar no equilíbrio da demografia e no desenvolvimento econômico do país, bem como na redução do chamado custo Brasil — um de nossos empecilhos à boa competição no mercado internacional.
Em última análise, os poderes públicos responsáveis pelas políticas de transporte precisam continuar investindo para modificar significativamente a matriz de transportes em nosso país, para que as modalidades de transportes urbanos, regionais e de carga sejam mais equilibradas, possam ser sólidos pilares de nosso crescimento econômico sustentado e contribuam efetivamente no combate à pobreza.
O transporte de carga competente e abrangente contribui para o desenvolvimento social e econômico do país, pois leva os bens de consumo às pessoas, nos mais remotos locais do território nacional, de forma rápida, segura e mais barata. Povo abastecido é povo feliz. Simultaneamente, o transporte público eficiente e eficaz, ou seja, rápido, seguro, confortável, econômico, abrangente e integrado, proporciona felicidade às populações urbanas, por meio da redução dos tempos de deslocamentos, menos poluição atmosférica e sonora, menor número de acidentes de trânsito, maior segurança, tranquilidade e baixíssimo nível de stress. Povo feliz é povo rico.
* Marcus Quintella, doutor em engenharia de produção, é mestre em transportes pelo Instituto Militar de Engenharia.
Artigo publicado no Jornal do Brasil

1 comentário em TRANSPORTES, FELICIDADE E RIQUEZA

  1. Eu concordo, transporte público traz felicidade. Pelo menos para mim. Quanto aos meus concidadãos cariocas já não sei. Quando eu ando, por exemplo, em um ônibus novo eu acho bom, mas a turma aqui no Rio anda em pé na van e acha bacana. O passageiro da van só vai dizer que a van é ruim e o ônibus PODE SER bom se você entrevistá-lo para uma pesquisa longe da multidão. Recentemente chegamos a um nível muito bom de desenvolvimento econômico mas o passageiro continua aceitando situações no transporte (e não é só preço elevado das passagens) que não deveriam lhe ser oferecidas. É por isso que eu creio que Educação é o problema em nosso país. Na Economia baseada em exportação de commodities chegamos lá e deixaríamos com orgulho o Martim Afonso de Sá que introduziu a cana-de-açúcar em nossa terra. Saudações.

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