Brasília conta com primeira faixa para ônibus

Brasília

Ônibus em Brasília. Investir em transporte público não é apenas uma questão de mobilidade e sim de democracia no uso do espaço urbano. Um ônibus convencional pode substituir até 40 carros de passeio. Um exemplo é na própria Estrada Parque Núcleo Bandeirante, onde será implantada a primeira faixa exclusiva para ônibus. Desconsiderando motos e caminhões, do total de veículos que trafegam pela via, 94,26% são carros de passeio contra 5,74% de ônibus. Mas os ônibus transportam 70,31% das pessoas que passam pela Estrada enquanto os carros só levam 29,29% de passageiros. Enfileirados estes carros que transportam menos ocupam 286 mil metros quadrados contra 44 mil 820 metros quadrados ocupados pelos ônibus.

Brasília recebe primeira faixa exclusiva para ônibus
Distrito Federal deve receber um total de oito faixas para transportes coletivos. De acordo com Secretaria dos Transportes do DF, ônibus são minoria no trânsito, mas transportam a maior parte das pessoas

ADAMO BAZANI – CBN

Considerada uma cidade planejada para receber veículos de passeio sem nenhuma prioridade ao transporte público, Brasília que sofre com os congestionamentos e morosidade dos transportes coletivos promete reverter ou pelo menos amenizar a situação.
Além das obras previstas no contexto da Copa do Mundo de 2014 e que contam com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Mobilidade, algumas intervenções podem melhorar um pouco o cenário, mesmo sendo medidas simples.
Nesta terça-feira dia 27 de dezembro de 2012, começa a operar a primeira faixa exclusiva para ônibus em Brasília.
O espaço para transporte público foi implantado na Estrada Parque Núcleo Bandeirante – EPNB.
A estimativa é aumentar a velocidade operacional dos ônibus, torná-los mais atraentes para a população, incentivando as pessoas a deixarem o carro em casa.
No total, devem ser oito faixas como as inauguradas nesta terça-feira, em diversas regiões de Brasília.

CARRO GERA OCUPAÇÃO DESPROPORCIONAL DO ESPAÇO PÚBLICO:

De acordo com estudos da Secretaria de Transportes do Distrito Federal, a ocupação que os carros provocam no espaço urbano é desproporcional a quantidade de pessoas que os veículos particulares transportam em comparação com os ônibus. E são muitos carros, o que provoca longos congestionamentos, gastos, viagens mais demoradas, poluição e perda na qualidade de vida.
Na Estrada Parque Núcleo Bandeirante, por exemplo, desconsiderando motos e caminhões, os carros de passeio representam 94,26% dos veículos que transitam pela via e os ônibus são 5,74%. No entanto, estes 5,74% de ônibus transportam 70,31% das pessoas que passam pelo local, enquanto os 94,26% de carros só levam 29,29% das pessoas.
Isso se explica porque, levando em consideração que em média, um carro circula com duas pessoas, um ônibus convencional (de porte médio, sem ser articulado ou com três eixos) transporta 80 passageiros, o equivalente a 40 carros de passeio, ocupando, no entanto, o espaço de quatro carros.
Ainda segundo o estudo, se todos os carros de passeio que transitam pela Estrada Parque Núcleo Bandeirante fossem enfileirados, eles ocupariam uma área de 286 mil metros quadrados, seis vezes mais se o mesmo fosse feito com os ônibus, que ocupariam 44 mil 820 metros quadrados.
Assim, priorizar o transporte coletivo no espaço público, além de ser uma questão de mobilidade urbana, é uma questão de democracia, ou seja, atender a maioria que utiliza mais racionalmente este espaço.
Para melhorar o sistema de transportes, o Distrito Federal deve realizar uma licitação dos serviços. Hoje Brasília possui uma das frotas mais antigas e com problemas, além de um dos maiores números de atrasos e viagens não realizadas entre as principais cidades brasileiras.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

1 comentário em Brasília conta com primeira faixa para ônibus

  1. Li atentamente a notícia. O primeiro sentimento que aparece é que a cidade que tinha sido feita para o terceiro milênio sofre de problemas banais com 50 anos de vida. Na época da sua construção Brasília foi um alento para os brasileiros. A julgar pelo que está escrito sob a circulação viária, hoje a nossa capital em nada difere, neste quesito, de uma cidade-dormitório (assim como está descrito). Lamentável. O segundo sentimento é também triste. Pelo que se entende das explicações das autoridades estas, desculpe a franqueza, não entendem nada de transporte e circulação (o que não difere muito de outras cidades). E qualquer coisa que quiserem implantar nas vias de Brasília deveria ser feito do centro para a periferia. Recomendo as autoridades em questão que leiam Maquiavel ou então terão que ouvir muito “sabe com quem está falando” e o transporte da nossa capital da esperança irá para o brejo. Vida que segue.

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