RECUPERAÇÃO DA BUSSCAR COM POUCAS PROPOSTAS CONCRETAS

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Ônibus da Busscar. O período de recuperação judicial da empresa está em reta final e até agora, segundo o Sindicato dos Mecânicos de Joinville, não foram apresentadas propostas concretas para o pagamento de trabalhadores e outros credores.A empresa tentou a liberação judicial de terreno no valor de R$ 7 milhões para novos investimentos, mas entidade trabalhista se colocou contra a proposta por temer que o dinheiro não seja usado na recuperação.

Busscar tenta liberar terreno de R$ 7 milhões para recuperação judicial, mas sindicato nega
Entidade trabalhista reclama do fato de não ter havido nenhuma proposta concreta para pagamento de salários atrasados
ADAMO BAZANI – CBN
O tempo corre contra a Busscar, que está em regime de recuperação judicial.
Em crise financeira desde 2008, a segunda desde 2002, a encarroçadora de Joinville, Santa Catarina, tem só até o próximo mês para concretizar uma proposta que tire a empresa da atual situação: dívidas que beiram 700 milhões de reais, um total de 20 meses de salários sem pagamento, um quinto da mão de obra ainda empregada (de 5 mil trabalhadores agora tem cerca de mil) e produção praticamente parada.
Isso ocorre no melhor momento da industria de carrocerias de ônibus que, com a forte demanda por veículos rodoviários e urbanos, deve fechar 2011 com produção 8,3% maior que 2010, o que representa mais de 35 mil carrocerias produzidas e vendidas.
Na semana passada, a empresa, na tentativa de recuperação, quis liberar um terreno de R$ 7 milhões, bloqueado pela Justiça, alegando que o dinheiro seria para investimentos.
O Sindicato dos Mecânicos de Joinville se mostrou contra a proposta por temer que o dinheiro não seja usado de fato para a recuperação.
A entidade divulgou uma nota oficial, que diz que até agora, a Buscar não apresentou nenhuma proposta concreta para o pagamento dos salários.
Se a recuperação judicial da Busscar não for aprovada pelo administrador do processo e pelos credores, empresa pode ter a falência decretada.
CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA:
Busscar tenta liberar terreno, mas Sindicato nega o aval
Entidade quer propostas concretas da recuperação judicial e tenta proteger direitos dos trabalhadores

A Busscar Ônibus continua a marcar negativamente a vida de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, e também a história de bom gestores empresariais de Joinville (SC). Agora completaram-se 20 meses sem pagamento de salários, mais dois décimos – terceiros e meio sem pagamentos, mais FGTS, INSS e outros. E mais, com o agravante final da recuperação judicial que ainda não se sabe se passará pelo crivo dos credores, e com um caminho já percorrido por seus acionistas, e agora repetido por seus advogados representantes da pretensa recuperação judicial: a liberação de um terreno pelo valor de R$ 7 milhões, para quê? Uma suposta retomada da produção de meia dúzia de ônibus. Ou seja, os erros continuam, segundo o Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região.

A intenção foi levada ao conhecimento do Sindicato na semana passada, e prontamente negada diante do histórico de acordos não cumpridos, do abandono dos seus trabalhadores, e da falta de mudanças significativas para que a pretensa recuperação judicial realmente aconteça. Até o momento não se viu sinalização de novos investidores e administradores para gerir essa nova fase, mas sim a permanência dos gestores que inviabilizaram a empresa, propuseram vários acordos e não cumpriram nem mesmo em frente da Justiça do Trabalho. Agora a empresa protocolou o pedido na Justiça Comum, onde corre o processo de recuperação judicial, para fins que são no mínimo obscuros.

O Sindicato destaca que para o pagamento de salários atrasados, ou alguma parte deles, não se ventilou nada até o momento. “O Sindicato nega a venda dos bens que foram bloqueados, e já penhorados, para garantir o pagamento dos trabalhadores. Nós não vamos ser responsabilizados por liberar bens. Dessa maneira, eles querem abrir precedentes, e ir liberando bens sem pagar o que devem aos trabalhadores, e isso não vamos aceitar. Cabe à Justiça decidir, e espero que negue o pedido em respeito aos trabalhadores, credores e sociedade”, disparou o presidente João Bruggmann.

Com autoridade de quem já esteve na mesa de negociações que salvou a empresa em 2003/2004 com dinheiro público do BNDES, Bruggmann relembra que naquele momento foram conseguidos R$ 45 milhões e o panorama era bem menos crítico que o atual. E mesmo assim a empresa, com todos esses milhões, não cumpriu com as orientações firmadas, e sucumbiu facilmente anos depois, como vemos agora. “Ou seja, com todo aquele dinheiro quebraram, e agora querem dizer que com R$ 7 milhões começam a recuperação? Isso é duvidar da nossa inteligência, e querer tumultuar o processo. Lembrando que qualquer credor pode impugnar essas atitudes, e com isso, inviabilizar a última saída que é a recuperação judicial”, destaca o presidente do Sindicato.

A apresentação do plano de recuperação judicial está prevista para o final de dezembro. Faltam poucos dias, e até agora nada de concreto, real, investidores, dinheiro para pagamento dos trabalhadores, reinício de operações e novos gestores da empresa para um novo momento, foram apresentados. Pelo contrário, as primeiras manifestações foram pedir aos trabalhadores para reduzir o que tem a receber da Busscar por tantos meses de abandono. A última foi de R$ 9 milhões em 12 meses, uma vergonha. Os trabalhadores já deram tudo o que podiam pela empresa, e o que receberam foi até agora, 20 meses sem ver salários, sonhos destruídos, perderam bens, e também a paz.

“Nosso desejo sempre foi de que a empresa se recuperasse. Tentamos várias alternativas, oferecemos várias saídas, mas todas foram ignoradas sempre. Agora era o momento de mostrarem grandeza, abrirem de vez para que novas cabeças façam a Busscar realmente sair do atoleiro, mas não repetindo os erros, a forma de tratar os trabalhadores, o Sindicato, os credores”, finaliza o presidente João Bruggmann. A Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido da empresa.

Texto inicial: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.
Nota: Assessoria de Comunicação – Sindicatos dos Mecânicos de Joinville e Região (SC)

2 comentários em RECUPERAÇÃO DA BUSSCAR COM POUCAS PROPOSTAS CONCRETAS

  1. Sérgio - Santo André // 14 de dezembro de 2011 às 18:49 // Responder

    Como fã da BUSSCAR, é triste ver o fim de um ícone da história dos transportes no Brasil, principalmente pelo o que esse fim vai representar na vida de milhares de famílias que dependiam dessa empresa. O senhor Nielson, fundador da empresa deve estar se revirando em seu caixão, com essa situação. Tantas empresas, após a perda de seus fundadores acabam sucumbindo a incompetência de seus herdeiros, são raras as excessões como a Cometa, a São Geraldo, mas que no final acabam perdendo a sua identidade original. Nessa altura do campeonato o paciente está na UTI, já desenganado, apenas aguardando a sua hora. E lá se vai junto a nossa memória.

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