VVR: O maior patrimônio da humanidade – o ser humano!

ônibus antigo

O Futuro é uma imagem que fica melhor se projetada pelo retrovisor. Por mais contraditória que possa parecer a frade, ela ganha sentido quando for levado em consideração que é conhecendo o passado que é possível entender o presente para fazer um futuro melhor. E foi esse o objetivo da VVR (Viver, Ver e Rever), exposição de ônibus e caminhões antigos, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Muito mais que reunir veículos, exposições como estas congregam histórias e pessoas que contribuíram para o crescimento das cidades e da vida pessoal de cada um que dependeu de seus serviços de transportes, um setor ligado ao cotidiano das pessoas, à economia, política, sociedade e outras áreas. A foto traz um ônibus da Auto Viação Triângulo, de São Bernardo do Campo, no final dos anos de 1970, e é uma das cerca de 20 mil feitas pelo historiador Mário dos Santos Custódio.

A preciosidade da história está no ser humano
VVR, no Memorial da América Latina, não foi apenas uma exposição de ônibus e caminhões antigos, mas uma oportunidade de conhecer histórias vivas de pessoas que ajudaram as cidades a se desenvolverem

ADAMO BAZANI – CBN

ENTREVISTA COM FUNDADOR DE EMPRESAS DE ÔNIBUS

IMAGENS DE CAMINHÕES ANTIGOS EM MOVIMENTO NA VVR

O futuro é uma imagem que fica melhor se projetada num retrovisor.
A frase pode parecer contraditória, mas se for levado em consideração que é conhecendo o passado, a história, é possível entender o que acontece no presente e tomar ações para um futuro melhor, aí ela ganha sentido.
Em sociedades mais desenvolvidas, o passado não é só preservado, mas estudado e redescoberto constantemente.
No Brasil, a memória, recente ou de fatos mais antigos, é esquecida e muitas vezes a abordagem histórica se restringe aos bancos escolares. E é fato que a história oficial nem sempre é completa ou mesmo totalmente verdadeira.
Por isso, todos os eventos que abordam história devem ser prestigiados.
Caso da VVR (viver, Ver e Rever), uma exposição de ônibus e caminhões antigos que ocorre anualmente no Memorial da América Latina, em São Paulo, mas que não reúne apenas veículos, mas pessoas que não só contam a história das cidades e do desenvolvimento, mas como aquelas que ajudaram a construir esta história.
Por trás de cada ônibus e caminhão exposto, muitos fatos, pessoas, econômicos, sociais, políticos, afinal, os transportes estão inseridos em todos estes aspectos e outros mais.
Uma destas histórias vivas deu a honra de compartilhar suas experiências e conhecimentos com este repórter, que tem muito a aprender e procura aprender de fato um pouco a cada dia.
A entrevista teve a colaboração do pesquisador da área de transportes, Mário Brian, que apresentou à reportagem o empresário Adolpho Aquilino.
Adolpho é um senhor que nasceu em são Paulo em 6 de fevereiro de 1930. Indo para seus 82 anos mostra uma saúde e lucidez de dar inveja (inveja boa) a muita gente.
No ano de 1957, Adolpho fundou a empresa Santa Rosa, que fazia a ligação inicialmente entre São Caetano do Sul e Santos. Ele começou a empresa com 3 ônibus. Antes, esta ligação era feita pela EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André.
Em pouco tempo, ele acompanhou o crescimento da demanda e correspondeu às necessidades de ligação entre o maior porto do País, Santos, e o parque industrial que mais se desenvolvia no Brasil aquela época, a região do ABC Paulista.
Adolpho conseguiu prolongar a linha para outros municípios do Litoral, como São Vicente, e do ABC Paulista, como Santo André e São Bernardo do Campo.
Ele contou como era difícil operar transportes na época.
“Hoje tem a dificuldade do trânsito e tudo mais. Só que tínhamos de enfrentar ruas de terra, estreita com veículos mais simples e não tão fáceis de operar como os de hoje. Atualmente, os transportes precisam acompanhar as necessidades, mas tenha certeza, a situação já foi pior” – disse Adolpho.
O empresário contou como eram as cidades onde prestava serviços e quem vê essas regiões hoje, com grandes vias e várias linhas de ônibus, talvez nem possa imaginar como eram anteriormente.
“A única via asfaltada de São Bernardo do Campo era a Marechal Deodoro que usávamos para ter acesso a rodovia Anchieta” – disse Adolpho.
Ele também operou na Capital Paulista. Entre 1964 e 1972, Adolpho foi proprietário da Auto Viação Moema.
A linha era Moema – República, passando pela Vergueiro e Vila Mariana.
“Essa região cresceu muito e acompanhávamos” – lembrava Adolpho.
Com a inauguração do Metrô a linha teve de ser dividia em duas.
“Teve de ser feita uma variante. A avenida São Luís, eu descia ela. Depois foi mudada a direção da via e começamos a subir pela Brigadeiro Luís Antônio” – explica.
Adolpho é de uma família de transportadores.
O pai trabalhava com carga e o irmão com transporte de passageiros também.
“Eu cheguei a ter sociedade com meu irmão Arnaldo Aquilino. O Arnaldo teve a Viação Monções e foi sócio da Bola Branca (ambas urbanas de São Paulo) e da Impala (empresa rodoviária que ligava São Paulo a Belo Horizonte que depois foi adquirida pela Viação Cometa)”
A história completa de Adolpho e de parte da cidade de São Paulo e outras regiões será contada em outra edição, em breve, já que são muitas informações que merecem ser abordadas com mais detalhe.
Como a maioria dos empresários que foram fundadores de companhias e pioneiros do setor, Adolpho dirigiu, cobrou e ajudou na manutenção dos ônibus. Eles atuavam em todas as áreas.
Com as mudanças da economia, do relacionamento entre o cidadão e as empresas e com o poder público, hoje não é mais possível o empresário estar envolvido tão intimamente com a operação direta dos ônibus.
Hoje o transportador precisa ser mais negociador, planejar mais, administrar grandes recursos e frotas, mas algumas lições passadas por estes empresários pioneiros servem para sempre: a dedicação, o empenho e acima de tudo nunca perder a consciência de que por mais legítima e saudável seja a busca pelo lucro, nos transportes, assim como em outras áreas: A PRIORIDADE SEMPRE TEM DE SER O BEM ESTAR DO SER HUMANO!
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

3 comentários em VVR: O maior patrimônio da humanidade – o ser humano!

  1. Estive vendo a Expo dos antigos no sábado[ ontem]e bati um bom papo com o dono da Santa Rita que tinha 2 relíquias em exposição.
    surgiu uma dúvida;
    Onde posso conseguir tabela aproximada de preços das carrocerias urbanas ? na Fabus nada consegui;
    Abraços e parabéns pelo ótimo blog

  2. Nossa que sensacional essa entrevista com o Sr. Aquilino, confesso que não vejo a hora de sair a matéria exclusiva com ele, o Mario Brian então é tudo que a gente precisa pra conhecer a história do desenvolvimento urbano de São Paulo e RMSP, tai a prova de que Onibus também é História, sempre digo isto e não estou sozinho tai eles pra provar. A VVR por si só tornou-se um espaço de grandes encontros, só temos que prestigia-la e torcer que a cada ano ela seja melhor, parabéns e forte abraço.

  3. Bom dia,

    Gostaria de saber, se alguem teria o telefone ou um contato da empresa Viação Monções, pois estou precisando entrar em contato a respeito de um Formulário de Insalubridade, para um cliente meu, para fins de aposentadoria. Trabalho em um escritório de advocacia.

    Desde de já, obrigado.

    Att

    Marcio Cardoso
    (11) 4323 – 3410

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