VLT e a doce ilusão do PPP. Depois de convencer o Governo Federal e a população de que o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) não pesaria tanto no bolso no contribuinte, pois mesmo sendo bem mais caro que os corredores de ônibus, ele poderia ser financiado por uma PPP (parceria Público – Privada), agora o governador Silval Barbosa diz que não será mais possível a PPP. O motivo é simples. O VLT precisa de mais tempo e recursos para ser implantado e não haveria prazo disponível para uma estruturação de PPP dentro do prazo legal. Especialistas dizem que o VLT é contestável na relação custo benefício, pois ele sairá muito mais caro em relação aos benefícios que poderia trazer. Os 23 quilômetros de VLT de Várzea Grande a Cuiabá vão custar R$ 1,152 bilhão enquanto que em corredores de ônibus, atendendo demanda semelhante de passageiros, esses 23 quilômetros custariam R$ 451 milhões.
VLT de Cuiabá não vai contar com PPP
Motivo é a falta de tempo para a implantação e o alto valor da obra contrariando possibilidade prometida quando governo do estado decidiu escolher este meio de transporte
ADAMO BAZANI – CBN
Após convencer o Governo Federal e a população de que o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) poderia ter Participação Público-Privada (PPP), em sua obra, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, agora diz que essa possibilidade que ele mesmo havia prometido está descartada.
Sendo assim, diferentemente do que havia aventado o poder público, o Veículo Leve sobre Trilhos terá de ser financiado totalmente com o dinheiro da população.
Anteriormente, o projeto era para que a principal ligação para preparar a cidade para a Copa do Mundo fosse feita por corredores de ônibus rápidos, como BRT – Bus Rapid Transit.
O BRT já tinha dinheiro liberado e custaria no mesmo trajeto R$ 451 milhões. O VLT vai ter o custo de R$ 1,152 bilhão.
Apesar de ser uma obra aprovada, o modal ainda recebe críticas pelo fato de o quanto ele eventualmente puder transportar a mais de passageiros, não compensaria a diferença em comparação com o BRT na relação custo benefício. Ou seja, a diferença de custo a mais para o VLT não deve se refletir na mesma proporção de benefícios que ele pode trazer.
O governador descartou sua promessa de tentar uma PPP para o VLT pelo fato de o modal de transporte ser de mais difícil implantação e mais caro, não havendo tempo para uma relação entre poder público e privado.
Segundo Silval Barbosa, o tempo para estruturar uma PPP é de cinco a seis meses, o que não possibilitaria que o projeto ficasse pronto antes da Copa do Mundo.
O tempo limitado para a implantação do VLT é uma das preocupações. Enquanto 10 quilômetros de BRT ficam prontos em 2,5 anos em média, no VLT, o tempo é de 04 anos. Ou seja, para a Copa, o VLT vai ter de correr contra o tempo.
Praticamente esquecendo da promessa que fez sobre o VLT poder ser financiado por uma PPP, Silval descartou a possibilidade:
“Não temos mais tempo para isso. Vamos construir o VLT se acharmos um parceiro que se interesse na concessão do sistema de transporte e que tenha retorno de todo ou de parte dos investimentos” – disse em entrevista coletiva.
O mais irônico é que a declaração do governador foi dada na mesma semana que a Assembléia Legislativa de Mato Grosso aprovou a lei que institui o Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas do Estado.
De acordo com o projeto de lei, enviado pelo próprio executivo, o poder público tem autorização para estabelecer contratos para diversas obras como educação, cultura, saúde, assistência social, transportes públicos, ferrovias, rodovias, pontes, viadutos e túneis, portos, aeroportos, terminais de passageiros, plataformas logísticas, saneamento básico, energia e habitação.
O governo do Mato Grosso quer com as parcerias público-privadas integrar 44 municípios do Estado que ainda sofrem com problemas de transportes.
O VLT do Mato Grosso, obra prevista para a Copa do Mundo de 2014, terá 23 quilômetros de extensão e vai ligar os municípios de Várzea Grande e Cuiabá.
Serão 30 estações distribuídas nestes 23 quilômetros. Há dois itinerário:s CPA – Aeroporto e Coxipó – Centro.
Cada estação do VLT deve ter em média 82 metros de comprimento, sendo que as plataformas terão 45 metros de comprimento e cinco de largura.
Cada estação, que vai contar com bilhetagem eletrônica, vai ter capacidade para 450 passageiros hora / pico, comportando 6 pessoas por metro quadrado.
As estações Praça Bispo Dom José e Morro da Luz devem ser maiores e comportarem 800 passageiros hora / pico, de acordo com o governo do estado.
A obra vai exigir a construção de alguns túneis para a população ter acesso aos bondes com mais segurança, para não ter contato com os trilhos ou saírem diretamente das plataformas para o trânsito convencional.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes