MAIS ÔNIBUS NOVOS EM CURITIBA E MENOS 18 MIL TONELADAS DE POLUENTES

rENOVAÇÃO DE ÔNIBUS EM cURITIBA

Curitiba deve completar até o final do ano a renovação da frota, colocando 557 veículos novos nas ruas. Além de aumentar a oferta de transportes, a renovação mostra o fato que os deslocamentos por ônibus se modernizaram. Os sistemas contam com novas soluções como corredores mais modernos e os ônibus também evoluíram. O modelo escolhido para a maior parte da renovação foi o Neobus Mega BRT, que na versão biarticulada trata-se do maior ônibus do mundo. Além de trazer um design mais avançado, conferindo modernidade à paisagem urbana, e conforto com um interior maior, a utilização de ônibus novos também traz benefícios ao meio ambiente. Só esta renovação em Curitiba vai representar, segundo a gerenciadora Urbs, menos 18 mil 273 toneladas de poluentes lançadas no ar, perlos ônibus serem mais modernos, eletrônicos e boa parte ser movida a biodisel. Ônibus é uma solução urgente para um problema que precisa de atitudes rápidas, que é a má qualidade do ar nas cidades. Muita gente não pode esperar a implantação de modais mais caros, que deve ser feita paralelamente à modernização dos ônibus. Foto: Adamo Bazani

Curitiba vai receber novos ônibus da segunda-feira
Nesta segunda-feira serão mais 161 ônibus, dos quais 13 biarticulados

ADAMO BAZANI – CBN

Com a renovação da frota que vem fazendo desde março deste ano, a cidade de Curitiba tem mostrado que o ônibus é sim um meio de transporte moderno, que se atualizou para atender aos novos desafios, como demandas cada vez maiores e sistemas cada vez mais exigentes.
Basta que ele tenha prioridade no espaço urbano, com corredores de ônibus exclusivos, tipo BRT (Bus Rapid Transt), que ocupam bem menos espaço urbano que qualquer outro modal e aproveitam melhor a cidade, servindo mais pessoas, Se no lugar fossem construídas pistas para carros, logo ficariam congestionadas e em nada resolveriam s problemas de trânsito.
O melhor aproveitamento do espaço urbano com o uso de transportes coletivos se dá por questões lógicas.
Enquanto para transportar 80 pessoas um ônibus ocupa em torno de 13 metros de comprimento na via, para o mesmo número de pessoas, levando em consideração que um carro leva em média duas pessoas e mede cerca de 4,89 metros, quarenta carros que levariam as mesmas 80 pessoas do ônibus, ocupariam 195,6 metros.
Isso sem contar que são menos 40 escapamentos nas ruas, o que ajuda no combate da poluição do ar, que faz milhares de vítimas todos os anos nas médias e grandes cidades.
Com o corredor, os ônibus podem aproveitar mais ainda o espaço urbano. Isso porque os veículos podem ser maiores e proporcionalmente ocupando menos via, transportar mais pessoas ainda. Estes veículos, por não ficarem no para e anda nos congestionamentos, podem fazer mais viagens no lugar de outros ônibus convencionais e terem um desempenho melhor, contribuindo ainda mais para reduzir a poluição. Os ônibus de BRT podem usar combustíveis alternativos ao petróleo e terem tração elétrica ou híbrida.
E em relação aos veículos, os avanços foram grandes.
Hoje o ônibus está bem menos poluidor que no passado, dependendo do modelo, o conforto é bem maior que alguns anos atrás, a capacidade de transportes aumentou, com veículos mais espaçosos internamente e o design também foi inovado. Tanto é que alguns modelos receberam até prêmios internacionais de design. Isso porque, cada vez mais o poder público, empresas e a população estão cientes de que o ônibus faz parte do ambiente urbano. Assim, um ônibus feio, mal conservado, com linhas ultrapassadas dá um impacto negativo na cidade, como o impacto é positivo se o ônibus for de um desenho que remete modernidade, além de o veículo ter de ser limpo e bem conservado.
Desde março deste ano, a cidade de Curitiba, no Paraná, que é referência mundial de transportes por ônibus, vem renovando a frota dentro deste conceito: corredores revitalizados e veículos modernos, tanto em relação a design, conforto, segurança e respeito ao meio ambiente.
O modelo escolhido para esta renovação, feita pelas empresas de ônibus sob acompanhamento da Prefeitura e da Urbs (Urbanização de Curitiba S.A.), que gerencia a RIT – Rede Integrada de Transporte, foi o Neobus Mega BRT.
O ônibus acompanha os mais novos conceitos de estética. A frente com desenho que forma uma caída do teto ao pára-choque remete modernidade, o que segundo a Neobus, também atrai novos passageiros ao perceberem as mudanças e que o ônibus evoluiu. A lataria é limpa, com menos frisos, dando a sensação de limpeza estética.
O modelo recebeu o prêmio IDEA International Design Excellence Awards, edição Brasil 2011, um dos mais respeitados do mundo em relação a design.
Mas não é só na aparência que o ônibus traz inovações.
O motorista fica posicionado de forma a facilitar sua visibilidade, o que aumenta a segurança dos passageiros e a facilita o trabalho do profissional.
O veículo possui sistemas computadorizados que auxiliam na operação e no monitoramento do ônibus. Um computador de bordo pode indicar em tempo real dados como inclinação correta ou não da carroceria e eventuais problemas que podem ser corrigidos na hora ou prevenidos. Isso é importante na rotina cada vez mais corrida dos transportes, quando os ônibus e as pessoas não podem parar e perder tempo com quebras e defeitos mecânicos.
O veículo é mais espaçoso internamente. A altura por dentro é de 2,20 metros. A largura total é de 2,60 metros, o que significa um interior mais largo também e um corredor entre os bancos que permite melhor circulação dos passageiros dentro do ônibus.
Os bancos são ergonômicos, oferecendo mais conforto, o espaço entre eles é maior também, além de o veículo ter acessibilidade (no caso de Curitiba, embarque no nível da plataforma da estação), espaço para cadeira de rodas, cão guia, sinais de parada específicos para pessoas com deficiência e que avisam ao motorista que uma pessoa que merece atenção especial vai descer no próximo ponto, balaústres em relevo para pessoas com limitações visuais entre outras características.
A meta de Curitiba é colocar até o final do ano 557 ônibus novos, boa parte deste modelo.
O Neobus tem três configurações: convencional, articulado, com 21 metros para 170 passageiros e biarticulado para 270 pessoas, sendo o maior ônibus do mundo.
Nesta segunda-feira, dia 24 de outubro de 2011, a cidade vai receber mais 161 ônibus novos, dos quais 13 biarticulados, 35 ligeirinhos (ônibus que fazem poucas paradas no meio do trajeto), 06 Interbairros, 63 Alimentadores e 44 convencionais.
Se a meta de 557 ônibus fora atingida até dezembro, a renovação de Curitiba vai representar 30% da frota.

MENOS POLUIÇÃO:

Com a entrada destes novos ônibus, a média da idade da frota cai de 4,7 anos para 4,5 anos.
Mas o ganho maior será em relação à preservação do meio ambiente.
Como os ônibus são mais novos, possuem motores eletrônicos e alguns são movidos totalmente a biocombustível, de acordo com a Urbs, a entrada destes ônibus no sistema vai representar neste ano 18 mil 273 toneladas de poluentes A MENOS jogadas no ar. Assim, investir em ônibus é uma solução ágil e urgente para combater a poluição. Afinal, quem sofre de problema respiratório talvez não tenha tempo e saúde de esperar a implantação de um sistema que demande anos e muitos recursos. Estes sim devem ser planejados, mas sem o poder público esquecer que há problemas que devem ser resolvidos logo.
Atualmente, a RIT, Rede Integrada de Transporte, que serve a cidade de Curitiba e municípios da Região Metropolitana, conta com 1915 ônibus que transportam diariamente 2,3 milhões de passageiros, segundo a Urbs. Estes veículos rodam por dia 490 mil quilômetros fazendo diariamente 21 mil viagens diárias.
O sistema ainda conta com 355 linhas, 364 estações tubo (que permitem pagamento da passagem antes a da entrada no ônibus e oferecem acessibilidade, com o piso no mesmo nível do assoalho dos veículos, além de protegerem o passageiro de chuva e sol enquanto esperam pelo transporte). Há também 6 mil pontos de paradas convencionais.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

9 comentários em MAIS ÔNIBUS NOVOS EM CURITIBA E MENOS 18 MIL TONELADAS DE POLUENTES

  1. Boa tarde.

    Como disseste em sua reportagem Adamo: “…ônibus é uma solução para um problema urgente…”. Nem de longe DESCARTAR a implantação e ampliação de outros modais, mas, é necessário e imperioso, lançar mão, das ferramentas mais próximas.

    Do contrário, é a eterna discussão e ZERO de atitude.

    Abçs.

  2. exartamente. Nem de longe descartei.

    Mas enquanto se planeja , licita, cria as licenças ambientais, responde aos entraves burocráticos, desaporopria, começa as obras, faz-se aditivos até concluir os modais mais caros de maior capacidade, ALGO TEM DE SER FEITO JÁ, COM RESPONSABILIDADE FINANCEIRA, COM O DINHEIRO PÚBLICO. E isso pode ser feito já com os ônibus.

    INVESTIR EM ÔNIBUS NÃO SIGNIFICA ANULAR OS INVESTIMENTOS EM OUTROS MIODAIS, até porque é barato e eficiente modernizar ônibus…É o que escrevemos aqui sempre, mas ainda há pessoas que não entendem.

    Ainda bem que você captou o intuito verdadeiro do texto, amigo Gustavo

    Abração

  3. Gustavo e Ádamo
    De fato, bem colocado. Nas grandes aglomerações urbanas o mais importante é atuar sempre e em todos os níveis. Curitiba continua dando o melhor exemplo: segue aprimorando seus BRTs e já faz projeto executivo de seu Metrô. Enquanto São Paulo começou e parou o Metrô, nem começa os BRTs, patina na integração e se vê exposto a monopólio
    .
    Me vem à mente o especialista que teria saído do órgão público de Curitiba por ser contra o Metrô. Opiniões, posturas e atitudes são direito de pessoas, mas a continuidade do investimento técnico, administrativo e financeiro do transporte público coletivo é responsabilidade de cada esfera de governo por todo o tempo das gestões.

    • Luiz,

      Com certeza ! É uma afronta, a descontinuidade do que está dando certo, bem como, por não simpatizar com este ou aquele modal, condená-lo e trabalhar contra.

      Muitos de nós, gostamos de ônibus, afinal, já disse isso, em outras oportunidades, mas apenas a complementação dos modais é que pode atender a necessidade, de nós, cidadãos.

      Abçs.

  4. Caro Luiz Vilela.

    O comentário feito por você sobre o transporte por ônibus em São Paulo é perfeito. A cidade caminha para o monopólio de um empresário só, e durante os 6 anos de governo do incompetente prefeito Kassab o que vimos foi o abandono dos projetos de corredores, estes que já foram piorados pelo governo Marta Suplicy, que reformulou os antigos corredores para pior, e construiu novos corredores absolutamente mal planejados e ineficientes.

    Entretanto, o transporte sobre trilhos não parou não, pelo contrário, evoluiu demais. Hoje enfim temos a Linha Amarela, que integrou de vez a parte oeste da Cidade ao sistema metroviário, e os trens da CPTM melhoraram muito os intervalos e a oferta. Se estão superlotados é porque atrairam muita gente, e se atrairam muita gente, é porque se tornaram mais eficientes.

    Abraço.

    • Rafael Asquini, boa noite

      …”Se estão superlotados é porque atrairam muita gente, e se atrairam muita gente, é porque se tornaram mais eficientes.”

      Perfeito!

      É a inércia do Buzão de Sampa; só a concerrência para fazer com algo melhore.

      Pra não “bater lata”, vão ter de se virar nos 29

      Grato
      Paulo Gil

  5. Amigos, boa noite

    Brilhantes os comentários supra.

    Deixo uma questão para reflexão e / ou uma tarefa para o “ligeirinho” Adamo
    (UFA!, você está numa produção incrível, Parabéns).

    POR QUE CURITIBA NÃO UTILIZA TRÓLEIBUS?

    Quem puder, souber e quiser tirar esta dúvida, entendo que será de
    utilidade pública.

    Muito obrigado.
    Paulo Gil

  6. Agradeço os elogios e o alto nível da discussão. Achei boooooaaaaaaaa a pergunta de Paulo Gil!
    Ótimo tema para discutir e entender melhor ônibus.

    Rafael Asquini,
    “Começou e parou Metrô”, quis me referir às gestões anteriores a Serra, citadas recentemente com números pelo Galesi. O inaceitável “buraco” entre a Metro 2 a – ainda – atrasada Metro 4 e a – ainda – encrencada Metro 5. Concordo sim, que os trilhos evoluiram demais, mas me permita otimismo comedido: foi em comparação a uma CPTM muito ruim num sentido amplo e a uma implantação de Metrô inexplicavelmente lenta (que acredito poder ser mais rápida e melhor planejada do que está sendo agora, inclusive).

    Não se deve esquecer que Alckmin, ao assumir, ameaçou parar vários projetos de ferrovias. Voltou atrás rapidamente ao bater de frente com sua bem colocada frase “Se estão superlotados é porque atrairam muita gente, e se atrairam muita gente, é porque se tornaram mais eficientes”. Os números comprovam absolutamente.

    • Luiz,

      São Paulo e região metropolitana, podem até otimizar o uso do ônibus, em suas variantes, minimizando os problemas do transporte, mas, a expansão do metrô e da CPTM, poderá contribuir em muito, para a melhoria do transporte.

      Nós sabemos disso e, o nosso Governador, também.

      Abçs.

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