TRANSPORTE COLETIVO OU INDIVIDUAL: O que dá mais lucro para o poder público?

Mobilidade

O que dá mais lucro para o poder público? Um ônibus ou um trem, ou centenas e milhares de IPVA, impostos sobre peças, combustíveis, serviços, pneus, etc.

O que é mais interessante para o PODER PÚBLICO ?
Marcos Galesi – técnico em transportes

Para refletirmos:

De acordo com alguns estudos como da Fundação Getúlio Vargas, a cidade deixa de gerar R$ 26,8 bilhões por ano devido à perda de tempo nos congestionamentos e aos custos totais ligados aos acidentes e doenças derivadas do trânsito.
Se há anos, especialistas já alertam o Poder Público, então por quais motivos não se investem em transportes públicos?
Vamos fazer desta matéria uma reflexão:
Parte dos problemas de hoje, poderiam já ser resolvidos se houvesse vontade política.
Vejamos por exemplo o que o documentário Taken for a Ride (deixo o link do documentário) mostra nos anos 50 a perspectiva de como seria os anos 2000 com o transporte individual.
A General Motors estava passando por momentos difíceis nos Estados Unidos, pois os transportes sobre trilhos eram os principais responsáveis pela locomoção da população, então, a GM iniciou uma mobilização intensa em favor do transporte individual.
Iniciou fabricando motor e carroceria de ônibus e conseqüentemente uma companhia de ônibus, na qual a proposta inicial era ir aonde o bonde não poderia ir, mostrando a flexibilidade de um ônibus.
A partir daí iniciou se uma onda de boatos de que o Bonde atrapalhava o trânsito até que chegaram a comprar a companhia de bondes de uma cidade.
Logo após iniciaram o processo de sucateamento dos bondes, e investiram em muita propaganda chamando a atenção da população de que os automóveis eram mais confortáveis.
Sem dúvida acabou dando resultado, a população começou a comprar veículos até que as vias existentes não suportaram a quantidade de veículos e então fabricantes de veículos e componentes, (Petrolíferas, fabricantes de Pneus…) pressionaram o poder público para a construção de mais vias.
O ônibus, na verdade, foi apenas um trampolim para o objetivo: a venda de carros de passeio. Afinal, dá mais lucro vender 80 carros que um ônibus que transporta 80 pessoas. Mas o bonde precisaria ser excluído.
Sabemos que esta história relatada continua ainda hoje, o grande lobby das grandes montadoras, as grandes empresas de petróleo, enfim, todo este grande lobby está mais interessado no bolo maior. E este lobby não tem escrúpulos e nem mede conseqüências pois em nome da venda de veículos não respeita o meio ambiente, pressiona o poder público a construír à margem de rios comprometendo as várzeas, e a desapropriarem imóveis para abrirem grandes avenidas.

Exemplo da Cidade de São Paulo:
Temos 15 mil ônibus, enquanto veículos (transporte individual) temos uma frota de mais de 19,5 milhões
É a frota estimada de veículos no Estado de SP
Fonte: http://noticias.uol.com.br/especiais/transito/2009/09/22/ult5848u59.jhtm
Sei que muitos até podem me criticar, mas DEFENDO o pedágio URBANO em lugar do Rodízio de veículos por um motivo especial, para que parte deste dinheiro financie CORREDORES DE ÔNIBUS E METRÔ, meus amigos calculem, a frota estimada de veículos é de 19,5 milhões, pegue este valor e multiplique por 50 centavaos que seja e você terá o valor aproximado de novecentos e setenta e cinco milhões. Claro que esta receita poderia dar certo se houvesse seriedade na política, se realmente a política fosse transporte coletivo. Uma coisa é certa, o pedágio urbano vai acontecer em algum dia pois a cidade de São Paulo não suporta mais todo trânsito, tudo que foi gasto nas novas pistas do Tietê, foi paliativo e o tempo está mostrando que não está resolvendo muito.

Antes de você meu amigo comentar, assista os documentários:

http://www.youtube.com/watch?v=x8NpPMJxW2k&feature=related– Taken for a Ride (Part I)Legendado
http://www.youtube.com/watch?v=8oc5n_Y9BWU – Taken for a Ride (Part II) Legendado, este filme se eu não me engano é dividido em 9 partes. Se você assistir, preste atenção:
Taken for a ride-GM Motors-legendado portugues.2.mpg (aonde está o numero 2, você pode seqüenciar, 3,4,5…em diante.

Ficam algumas perguntas:
Se você fosse um comerciante o que te daria mais lucro?
Qual o grupo que tem mais poder de pressão? O do transporte coletivo, ou o do individual?
Sei que há mais perguntas, que virão à tona, após esta matéria.

Creio que é necessário haver uma grande mobilização em torno do transporte coletivo tanto de reivindicação quanto de melhora, e isso inicia de cada um de nós, depende unicamente de nós cidadãos fazermos um grande lobby,em favor de um melhor transporte. O lobby dos fabricantes é muito e infindamente menor do que o lobby da população paulistana, é somente todos se unirem em favor deste propósito, pois os fabricantes de carros, são apenas um grupo de gatos pingados, que representam suas empresas mas que tem um grande poderio financeiro. O que fazem com este poderio financeiro, creio que muitos já sabem.
Marcos Galesi, técnico em transportes, integrante do Defesa do Trólebus e vice-presidente do Movimento Respira São Paulo

10 comentários em TRANSPORTE COLETIVO OU INDIVIDUAL: O que dá mais lucro para o poder público?

  1. Boa tarde.

    Galesi, simples, objetiva e, bela matéria.

    Não havia terminado a leitura do texto, quando me vieram a cabeça, as suas palavras “…Uma coisa é certa, o pedágio urbano vai acontecer em algum dia pois a cidade de São Paulo não suporta mais todo trânsito, tudo que foi gasto nas novas pistas do Tietê, foi paliativo e o tempo está mostrando que não está resolvendo muito…” RECONHECENDO QUE, NÃO O EXATO CONTEÚDO, MAS, COM O MESMO INTUITO.

    A mudança ocorrerá não por vontade, mas imperiosa sobrevivência, pela dor.

    Havendo ou não, transporte público de qualidade e, em quantidade, os carros, só permaneceram na garagem, nos dias úteis, ou, somente serão usados, quando realmente necessários (não para ir buscar pão na esquina), quando usá-los, doer no bolso.

    Abçs.

  2. parabens pela reflexão Galesi. Eu só achei ate a 6ª parte no you tube, se alguem achou o resto, posta o link aqui por favor

  3. Amigos, boa noite

    Galesi, gostei do texto; mas sou literalemnte contra a qualquer “coisa” que onere
    ainda mais o bolso de nós cidadãos.

    Temos de resolver este problema na lógica, na razão, ou no colapso.

    Os movimentos da vida irão se encarregar de tal mudança e essa “mentalidade jurássica”
    ela será banida do planeta, seja pela inteligência ou pela MORTE que renova as mentes.

    Você tem razão nas suas considerações, mas penso o seguinte:

    Hoje o buzão não Aguenta tranSportar nem os seus passageiros cativos, certo ?

    Entendo que sim.

    Imagine se um dia todo mundo deixar o carro em casa e for de Buzão; impossível concorda?

    Pois bem, enquanto não tivermos conforto no Buzão ( e aqui soma-se CPTM, Metrô, Expresso Tiradentes, VLT, BRS, BTR, bonde e o escambal), NUNCA as pessoas irão migrar para o
    tranporte público.

    Além disto temos garantido o Direito Constitucional de ir e vir e como ir e vir e este “pedágio urbano” seria uma imposição que restringiria nossos direitos, de ir e de escolha.

    Quanto ao $$$, não se preocupe pois temos excesso de recurso (veja o lixo brasileiro, o mais rico do mundo).

    Precisamos melhorar o transporte público sim; mas com inteligência e não com imposições tarifárias ou seja lá o o nome que quiserem adotar.

    Vamos batalhar para que seja construido um corredor sem semáfaros, que se dupliquem as linhas da CPTM sob os leitos já existente, para a implantação de trilhos nas marginais (CPTM ou Metrô), tróleibus sem hastes; onibus LIMPOS INTERNAMENTE, etc ai sim será um trabalho legal.

    Mas, mais tarifas ou impostos; NÃO, NUNCA.

    Muito obrigado.
    Paulo Gil

  4. Amigos Paulo Gil e Gustavo Cunha

    Claro que todos são contra o verbo ONERAR, mas infelizmente o futuro será esse, devido ao pouco viário e ao pouco investimento ao transporte público, e também por conta de que nem o rodizio de veículos está resolvendo.

    Hoje em dia só no Estado de São Paulo, são perto de 1000 veiculos por dia emplacados. Vamos refletir….

  5. Ah sim, para enrriquecer nosso debate, gostaria que o Adamo, o Quintiliano, o Milton Jung, o Vilela pudessem opinar.

  6. Galesi
    Tendo a concordar com Paulo Gil, que o problema está longe de ser falta de $ na RMSP ou no governo federal. Escrevo abaixo sempre sobre RMSP.

    Creio que levaria décadas para mudar o comportamento do usuário a ponto de famílias e empresas optarem por se desfazer de – alguns – de seus carros.

    Concordo que pedágio urbano é inevitável. Mas implantar um rastreador GPS wireless em cada carro que passe pelo centro de São Paulo com acesso liberado para órgãos públicos parece muito difícil, inclusive do ponto de vista legal. Para veículos comerciais, principalmente os pesados, seria mais fácil. Talvez impedir pura e simplesmente o tráfego em maior número de vias possa ser eficiente.

    Como a situação é de caos agora, não vejo como desconsiderar os 20 milhões de veículos e suas necessidades. A ação deveria ser opção de transporte coletivo melhor que o individual. Começa a tomar corpo sobre trilhos, mas é pífia sobre pneus. Pelo contrário: o aumento do monopólio nos ônibus traz maior dificuldade de controle, maior resistência a mudança e inovação, menor consideração pelas questões técnicas, maior atenção no setor a políticos que a técnicos. A acintosa sobreposição de linhas (não só ônibus por ônibus, também ônibus/trilhos) que nunca é resolvida me parece ainda pior que todos os itens que acabo de mencionar, porque passa mensagem de desgoverno.

    O reconhecimento público de Jurandir Fernandes e Marcelo Cardinale da necessidade de rede integrada e BRT para viabilizar os vários bilhões investidos em trilhos é muito bom sinal porque (principalmente Jurandir) sua competência técnica é indiscutível.

  7. Amigos, boa tarde.

    Luiz, síntese e apontamentos, perfeitos !

    Entretanto, apesar de pequeninas amostras de evolução que, temos notícia, ainda creio que, as maiores, mais pesadas, medidas, para o transporte de passageiros, ocorrerá, pelo estrangulamento e, não pela constatação de que é melhor.

    Torço pelo melhor. Precisamos do melhor. Trabalhemos pelo melhor.

    Abçs.

    • Amigos Gustavo Cunha e Luiz

      Ótimas observações, e o que mais me chamou a atenção, foi o que o amigo Gustavo Cunha apontou, a frase “medidas para o transporte de passageiros, ocorrerá pelo estrangulamento e não pela constatação de que é melhor” eu também torço pelo melhor.

  8. Amigos Gustavo Cunha e Luiz

    Ótimas observações, e o que mais me chamou a atenção, foi o que o amigo Gustavo Cunha apontou, a frase “medidas para o transporte de passageiros, ocorrerá pelo estrangulamento e não pela constatação de que é melhor” eu também torço pelo melhor….

    Abraços.

    • Obrigado Galesi
      Mas convém lembrar que estrangulamento também gera:
      – perueiros sem licença
      – fretados brigando por locais para tráfego e parada
      – máfias nas empresas de transportes
      – aumento de acidentes no trânsito, inclusive os fatais.
      Entre vários outros problemas.

      O ser humano sempre se adapta. Mas Governos e Legislativos várias vezes não acompanham o ritmo, seja por falta de recursos ou por conflitos de interesses.

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