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Prefeitura de Santo André prioriza o transporte individual e muda pontos de ônibus

Ônibus intermunicipal nas proximidades da Avenida Industrial em Santo André. Em vez de a prefeitura priorizar o transporte público, a cidade é uma das únicas na Grande São Paulo que não oferece integração entre os ônibus do próprio sistema, para melhorar a fluidez do trânsito, Prefeitura de Aidan Ravin retira pontos de ônibus em local onde há concentração excessiva de carros de passeio, na Avenida Industrial, próximo a um Shopping Center. Muitas perssoas usam carro em Santo André porque pela falta de integração entre ônibus, obrigando o pagamento de mais de uma passagem, e de linhas bairro a bairro sem passar pelo centro, fica caro e demorado andar de ônibus. Foto: Adamo Bazani.

Prefeitura de Santo André não entendeu ainda o que é mobilidade urbana
Para o poder público, quem atrapalha o trânsito são os ônibus

ADAMO BAZANI – CBN

Além de ser uma das únicas cidades de toda a Grande São Paulo que não oferece integração real em todo seu sistema municipal, obrigando o passageiro a pagar duas tarifas mesmo que use o segundo ônibus por poucos minutos e ainda ter linhas que convergem para o centro, aumentando o tempo de viagem das pessoas que não passam pela região central, Santo André agora diz que são os ônibus que atrapalham o trânsito na Avenida Industrial, nas proximidades de um dos shoppings que mais recebem veículos na cidade.
Alegando melhorar a fluidez do trânsito, em vez de oferecer as integrações que estimulariam o uso do transporte público ou criar um número significativo linhas que servem bairro a bairro sem passar pelo centro, a solução do prefeito Aidan Ravin é retirar pontos de ônibus das proximidades dos locais onde as pessoas concentram seus carros de passeio.
Agora, no ponto de ônibus perto do Shopping e do Terminal Oeste, na Avenida Industrial, as linhas intermunicipais de ônibus estão proibidas de atender os passageiros. Só vão parar as linhas municipais.
Não param mais neste ponto da Avenida Industrial, antes da Rua Catequese, as seguintes linhas:
– As que vão para São Caetano do Sul, Sacomã, Parque Dom Pedro II e Avenida Paulista, da EAOSA (Empresa Auto Ônibus Santo André), Viação Ribeirão Pires e Publix
– 069 (Santo André – Rudge Ramos – São Paulo), da Viação São Camilo
– 070 (Santo André – Rudge Ramos – São Paulo), da Viação São Camilo
– 323 (Santo André – São Paulo – Jardim Clímax), da Viação São Camilo
– 470 (Santo André – Aeroporto de Congonhas), da Publix Transportes

As linhas que vão para São Caetano, Sacomã, Dom Pedro II e Avenida Paulista vão obrigar os passageiro a andarem mais por conta da mudança da prefeitura de Santo André.
Elas vão subir pela travessa São João, parar no ponto da travessa São Bento, perto do número 60, e seguirem pelo trajeto original a partir das ruas das Monções.
Apesar de as linhas serem intermunicipais, gerenciadas pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, a solicitação de mudança partiu da Prefeitura.
O espaço deixado pelos ônibus facilmente será preenchido por mais carros, muitos de pessoas que vão ao shopping ou região central de Santo André de transporte individual, porque em Santo André, pela falta de integração, é mais fácil e barato andar de carro que de ônibus.
Não há integração por bilhetagem eletrônica e nem dentro do Terminal Oeste ou Leste. Mesmo parando dentro dos terminais, o passageiro vai ter de pagar uma segunda passagem.
Quanto a corredores de ônibus, ou pelo menos faixas exclusivas, integrações no sistema municipal que não dependem da posição de outros órgãos públicos), a Prefeitura de Santo André não fala nada de forma concreta.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

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