MOBILIDADE DE FAZ DE CONTA: Ônibus deixam Largo da Batata mas não se integram ao Metrô

Largo da Batata

MOBILIDADE INCOMPLETA. Dezessete linhas intermunicipais gerenciadas pela EMTU não param mais no Largo da Batata, em Pinheiros, e vão até a Estação Butantã da linha 04 do Metrô apenas. Até aí, tudo bem. Não vai haver sobreposição, o metrô vai mais rápido que o ônibus e vai evitar que ônibus andem no trecho ociosos. Mas tudo isso não terá integração tarifária entre os modais. Assim, para andar poucos quilômetros, ou o passageiro paga outra tarifa ou então espera uma linha de ônibus que vai absorver a demanda de 17, inevitavelmente ficando lotada.

Linhas de ônibus intermunicipais não param mais no Largo da Batata em Pinheiros
Dezessete linhas foram transferidas para a Estação Butantã do Metrô

ADAMO BAZANI – CBN

Passageiros de ônibus intermunicipais gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que tinham ponto final no Largo da Batata, em Pinheiro, na zona Oeste de São Paulo, devem estar atentos.
A partir deste sábado, dia 15 de outubro de 2011, 17 linhas mudam o ponto final que foi transferido do Largo da Batata para a Estação Butantã, da linha 04 Amarela, do Metrô, na Capital Paulista.
O objetivo é evitar trechos que poderiam ficar ociosos com pouco passageiros por conta de sobreposições entre a linha de Metrô e as de ônibus.
A mudança atinge a Rodovia Raposo Tavares, Avenida Corifeu de Azevedo Marques e Avenida Vital Brasil. De acordo com a EMTU, o trânsito deve melhorar nestas vias já que pelo encurtamento de linhas, o número de ônibus intermunicipais que passam nesta região deve cair de 54 para 20 veículos por hora.

CUIDADO PARA NÃO PAGAR MAIS:

O problema é que foi pensada na sobreposição para as empresas de ônibus, mas do ponto de vista do passageiro não.
Quem quiser seguir da Estação Butantã sentido estação Faria Lima, que é perto do Lardo da Batata, vai ter de pagar a segunda tarifa. Não há integração tarifária entre ônibus e metrô.
A única alternativa é uma linha de ônibus especial que será criada entre o bairro Butantã e o Largo da Batata. Mas a expectativa é de tumulto, já que esta linha vai absorver a demanda de 17 linhas, mesmo com trajeto menor e mais carros, as lotações devem ser inevitáveis.
Assim, a mudança, do ponto de vista operacional foi boa. Os ônibus não correm o risco de se esvaziar no meio do caminho, no Butantã, e seguirem quase ociosos até o Largo da Batata.
Mas para o passageiro, não haverá uma compensação a altura.
Se quiser seguir de metrô, o usuário vai ter de pagar uma tarifa a mais por sentido. Seriam quatro passagens ida e volta.
Se quiser ir de ônibus da nova linha especial, vai enfrentar lotação e aperto. São novidades que mostram evolução no sistema, mas que não foram aplicadas como um todo, para o passageiro.
Pelo custo maior e tempo também de deslocamento entre um ônibus e outro, alguns passageiros dizem que dependendo da situação, vão preferir o carro de passeio.
E é justamente isso que as políticas de mobilidade não devem permitir.
Formas que não incentive o transporte público.
Criar uma linha de metrô e encurtar as de ônibus sem oferecer uma integração tarifária é aumentar o custo de transportes, uma das principais queixas do trabalhador.
E como subsidiar as integrações?
Não é nenhuma fortuna. Estudos apontam que não são necessárias novas formas de custeio. É só saber usar melhor o dinheiro que existe. Evitar desperdícios e investimentos em modais mais políticos que técnicos e que são caros, como monotrilho e VLT, sendo que para a cidade de São Paulo, expansão do Metrô e criação de corredores de ônibus BRT decentes, além da modernização da malha da CPTM, é fazer o mesmo que o VLT e o monotrilho proporcionam, mas gastando bem menos.

CONFIRA AS LINHAS DE ÔMNIBUS QUE NÃO PARAM MAIS NO LARGO DA BATATA, MAS QUE NÃO SÃO INTEGRADAS AO METRÔ:

Linhas alteradas para a Estação Butantã do Metrô
036 Vargem Grande Paulista (Jardim São Marcos)
036BI1 Embu (Jardim Tomé)
037 Cotia (km 21 da rodovia Raposo Tavares)
059 Osasco (Conjunto dos Metalúrgicos)
059PR1 Carapicuíba (Jardim Novo Horizonte)
060 Osasco (Olaria do Nino)
060BI1 Osasco (Jardim Santa Maria)
061 Carapicuíba (Jardim Guapiuva)
081 Jandira (Jardim Nossa Senhora de Fátima)
297 Cotia (Caucaia do Alto)
334 Cotia (Jardim do Engenho)
404 Osasco (Olaria do Nino)
428 Barueri (Jardim do Líbano)
492 Carapicuíba (Parque Santa Tereza)
516 Jandira (Jardim Nossa Senhora de Fátima)
517 Itapevi (Centro)
543 Cotia (Jardim Santa Isabel)
Criação de linha para o terminal Butantã
572 Osasco (Jardim Santa Maria) via Raposo Tavares
Alteração de itinerário para atendimento de passagem ao Terminal Butantã
020 Carapicuíba (Vila Dirce) – São Paulo (Pinheiros) via Ponte Cidade Universitária
023 Carapicuíba (Cohab V) – São Paulo (Pinheiros) via Ponte Cidade Universitária
225 Carapicuíba (Cohab V) – São Paulo (Pinheiros) via Clínicas
061EX1 Carapicuíba (Jardim Guapiuva) – São Paulo (Pinheiros), via Ponte Cidade Universitária
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

15 comentários em MOBILIDADE DE FAZ DE CONTA: Ônibus deixam Largo da Batata mas não se integram ao Metrô

  1. Amigos, boa noite

    MUVUCA TOTAL, pois o Terinal Butantã não tem capacidade para tal.

    Uma dúvida, não haverá a integração parcial, ous eja paga-se a diferença?

    Sai o Lago da Batata entra o Terminal BATATADA.

    Não esqueçam o Terminal é reto [90 graus], facinho pra entrar com um Viale .

    Mais uma previsível, anotem ai 15.10.11 as 19:57 hs .

    Muito obrigado
    Paulo Gil

  2. São soluções feitas nas coxas, como esta de seccionar as linhas sem oferecer um espaço bom para elas e tão pouco integração para os passageiros, que ME IRRITAM QUANDO VEJO AS “TORIDADES” de gravata falanbdo de transportrs.

    Como pode, por causa de alguns quilômetros a mais, o passageiro ter de pagar outra tarifa.

    E TEM MAIS UM,A QUESTÃO:

    Um dos itens que formam o valor das passsagnes de ônibus não é a QUILOMETRAGEM QUE ELE RODA?

    Estas linhas vão ficar menores. SUAS TARIFAS NÃO VÃO SER REDUZIDAS TAMBÉM?

    Falar que inaugurou estação de Metrô é fácil. Mas ofereça-se uma mobilidade plena, com integração.

    E NESSE CASO NEM TEM DESCULPA POR SER DE PODERES DIFERENTES.

    Metrô e linhas intermunicipais da EMT são gerenciadas por um único ente: O GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO.

    Nem há o po0rtexto de rixas políticas ou falta de colaboração entre poderes.

    Depois a pessoa usa o carro em vez de o tranbsporte público e reclamam,,,

    • É isto, Ádamo
      Quem mora em Cotia e Embú está condenado ao carro e aos congestionamentos. Granja Vianna hoje é a Alphaville de ontem, mas o governo parece não ter aprendido nada com os vários anos de desespêro da Castello Branco. Os que não aguentam mais vêm se mudando.

      A fortuna – justa – investida no Rodoanel Oeste está sendo desperdiçada em congestionamentos causados pelo tráfego local, que foge pra ele por pura falta de opção.

      Alckmnin promete um corredor de ônibus Itapevi-Cotia. Gostaria de saber por onde, já que a estradinha é pista simples, cheia de curvas, aclives e declives e trânsito pesado.

      Continuo me perguntando por que não implantar linhas de ônibus expressas e semi-expressas para Metrô Butantã. E convencido que a solução mais razoável é um anel de monotrilho desde Itapevi até a futura Metrô 4 Taboão. Assusta muito o planejamento das ferrovias mostrar NADA nesta rota PARA 2025, como se Cotia e Embú não existissem.

  3. A única esperança é que esta mudança – que demorou muito sem explicações – seja um COMEÇO.

    Além da óbvia integração aos ônibus, há MUITA coisa a fazer nos arredores da Metro 4 Butantã com TODOS os modais, inclusive os carros. TODOS GANHARIAM, até os Srs. Kassab e Alckmin et caterva. Algumas sugestões:
    – adequação de várias mãos de vias
    – criação de estacionamento(s) do topo e-fácil
    – criação de linhas de ônibus expressas e semi-expressa a Granja Vianna, Terminal Cotia, Vargem Grande, Caucaia. Com ônibus de conforto, capacidade (modulados?) e tarifas adequados, para a IMPRESCINDÍVEL ajuda ao CAOS dos picos da Raposo Tavares
    – eliminação ou profunda readequação do vários, caóticos, desconfortáveis e perigosos pontos de ônibus.

    Não sei vocês, mas eu acho a região da Metro 4 Butantã BONITA. Como tal, merecedora de revitalização da Prefeitura.

    • Luiz Vilela, boa noite

      Perfeito!

      O pior é que nem dando a receita do bolo, ninguém tem coragem de fazê-lo.

      As sugestões aqui postadas são merecedoras é de Royalties ou no mínimo um Bilhete Único / BOM “free”.

      Mas…

      Segundona será o caos.

      Grato
      Paulo Gil

      • Paulo Gil
        É impressionante o preço que a RMSP paga pelo atraso/enrolação com a Metro 4 Amarela.
        E Jurandir Fernandes ainda vem a público choramingar que “Vila Sonia 2014 é difícil” e embroma o pontapé inicial das Pirajussara e Taboão!

  4. Bruno Quintiliano // 16 de outubro de 2011 às 01:47 // Responder

    E esse cartão BOM (comparando com o bilhete único é horrível). Além de não dar direito a integração, tem poucos postos de recarga, com filas que parecem que estão fazendo um favor em nos atender. já reclamei pra EMTU e eles respondem que está adequado (25 min pro bom e quase 50 pro passe da metra, que eles vendem em locais separados, pra termos que pagar pra ir de um ao outro). Quando eu acho a SPTrans horrível, eu começo a usar linhas da EMTU com mais frequencia e vejo que é um pouco pior.

  5. Até que fizeram alguma coisa certa. As linhas que vem da Raposo e da Corifeu chegam com lotação de banco no Largo da Batata. Param num local absurdo, jogadas na rua, sem conforto, segurança, banheiro. Não tem abrigo. Agora foram pelo menos para um Terminal. Tem tres linhas que por causa da diminuição da quilometragem vão reduzir a tarifa. Pra quem quer continuar para o Largo da Batata tem uma nova linha que vi no sábado, linha 576, de graça. Depois de terça tem que ter o BOM. Na segunda, começa a linha 572 que vem do Santa Maria, Primeiro de Maio, em Osasco, pela Raposo.

  6. Paulo Gil, com referência à integração: quem descer de uma linha metropolitana no Terminal do Metrô Butantã e tiver o BOM, e for para Pinheiros através da linha 576TRO, poderá passar pela catraca sem pagar custo adicional. Já quando vier de Pinheiros até o Metrô Butantã através da 576TRO, e tiver o BOM, vai pagar os R$ 2,80 da tarifa. No Terminal, ao entrar no seu ônibus metropolitano, vai pagar a diferença entre a tarifa que pagou na 576TRO e a tarifa de sua linha. Se a tarifa de sua linha for R$ 2,90, por exemplo, ao passar o cartão pelo validador de sua linha, este só vai descontar R$ 0,10 do seu cartão.

    A idéia da integração da secção de linhas e a substituição desses vários trajetos sobrepostos por uma linha que faça o trajeto não é ruim. O problema é como ele é implantado. No Terminal Butantã há uma volta morta: quando o ônibus deixa o Terminal precisa dar uma volta em torno do mesmo até chegar à Avenida Vital Brasil; como a 576TRO vai ser operada com ônibus convencionais, se a demanda for enorme, o passageiro dificilmente irá no primeiro ônibus da linha, ficando mais tempo no terminal e dentro de uma (segunda) fila; o ônibus vai em uma via comum, junto com outros veículos quando, em casos como esse, deveriam seguir por faixas/corredores exclusivos para compensar o tempo do transbordo.

    Infelizmente as boas idéias, ao invés de ajudar, pioram a situação. Pensa-se somente no que fazer e não no COMO fazer uma mudança que torne o “sistema” eficiente para todos.

    • José Euvilásio, boa tarde

      Obrigado pela dica.

      Estou de acordo com você – “vamos fazer; mas como…”; os operadores e os passageiros se viram nos 29, pois nos 30 todo mundo se vira.

      Grato
      Paulo Gil

    • José Euvilásio
      É isto. Uma mudança destas precisaria ser anunciada com cronograma e em etapas, utilizando funcionários das cias. de ônibus e da SPTRANS prestando esclarecimentos no local.

      O próprio governo teria a ganhar, anunciando (OK, com o nosso R$ de impostos…) etapas implantadas com sucesso e eventuais remodelações.

      Para isto o USUÀRIO teria que ser realmente IMPORTANTE, CLIENTE de fato.

  7. Tem alguns orientadores da EMTU no Terminal Butantã e no Largo da Batata e também recebi um folhetinho. O problema é que o farol da MMDC com a Camargo para vir a direita não está sincronizado com o farol da Camargo com a Vital Brasil. Aí demora pra sair do Terminal com destino ao Largo da Batata. Já a saída para a Raposo ficou muito boa, quase que exclusiva para ônibus (MMDC direto até a Alvarenga e logo depois está a entrada para a Raposo). Mais empenho e dedicação para ficar melhor.

  8. Integração significa trabalho duro e competente de gestão, coisa que político normalmente não gosta, não sabe fazer e não deixa quem sabe fazer trabalhar.

    Metrô 4 Butantã se mostra um grande e atual exemplo de falta de determinação e empenho do poder público. Precisam abrir os olhos para o fortalecimento do monopólio nas cias. de ônibus e aproveitarem o momento para agir, marcar presença.

  9. Horrivel essa mudança preferia quando ele parava no largo da batata não pego mas esses onibus

  10. Passada uma semana, me parece que a operação está melhor. Temos um local seguro, limpo e organizado para pegar as linhas de ônibus.

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