METRÔ PARECE VESTIBULAR E TEM MAIS CANDIDATOS POR VAGA

Metrô lotado

Metrô de São Paulo é um dos mais lotados do mundo. Para cada passageiro do Metrô, dois querem entrar no sistema. Isso demonstra que a prioridade aos transportes não acompanhou o ritmo do crescimento populacional e urbano. Mas há soluções, como a integração dos modais.

Para cada usuário do Metrô, outros dois querem entrar no sistema.
Cidade perdeu tempo ao não investir no crescimento do Metrô junto com o crescimento populacional e urbano. as nem tudo está perdido e a “fusão” entre os diferentes modais de transportes se mostra como a alternativa mais lógica

ERICK SANTIAGO CARDOSO – ENGENHEIRO ESPECIALIZADO EM TRANSPORTES

A cada dia que passa, vemos as filas de congestionamento se formarem
na cidade de São Paulo cada vez mais cedo e com extensão maior.
Normalmente, ao escutar a Rádio SulAmérica Trânsito, é comum ouvir que
a extensão do congestionamento em São Paulo supera fácil os 300
quilômetros, batendo na casa dos 400 quilômetros. Escutamos também
diversas vezes, seja em encontros de especialistas, seja durante as
campanhas eleitorais para prefeito e governador, as políticas de
incentivo à utilização do transporte público. Porém, o quadro nunca
muda, ou se muda, ocorre de forma discreta.
Tomemos como exemplo o Metrô. Além de ser reconhecido pelos usuários
como o meio de transporte ideal (o que sempre é ressaltado nas
pesquisas sobre os transportes públicos), o metrô é visto como o
principal eixo para desafogar o trânsito caótico da cidade. Porém,
hoje o Metrô paga o preço por ter iniciado a sua implantação
tardiamente, onde não há espaços livres para a sua passagem, obrigando
cada vez mais a utilização de métodos caros, complexos e de longa
duração para sua instalação (através do shield, ou “tatuzões”, como a
população apelidou a máquina TBM que cavou a Linha Norte/Sul, atual
Linha 1-Azul).
Desde a constituição da Companhia do Metropolitano de São Paulo em
1968, a prefeitura de São Paulo (na época, a principal acionista da
CMSP) adjucou ao Consórcio HMD a definição dos estudos de definição da
malha prioritária do metrô da cidade de São Paulo. E desde esse
projeto básico, consta a atual Linha 4-Amarela. Pregada aos quatro
cantos como uma das principais ações para melhorar a distribuição dos
usuários ao longo do sistema, a Linha 4 tem seu traçado interligando
quase todas as linhas do Metrô de São Paulo. Porém, somente no mês
passado, em setembro/2011 o Governo do Estado de São Paulo conseguiu
entregar a primeira fase da linha (essa fase constava as principais
estações de transferência entre linhas). Ou seja, a linha foi
inaugurada com quase 40 anos de atraso!
Os estudos iniciais previam a movimentação de 900mil passageiros/dia
quando a Linha 4-Amarela estiver completa (ou seja, quando as fases I
e II estiverem concluídas). Porém, passo a acreditar que este número
será superado facilmente, e a Linha 4 tornar-se-á uma (senão a) mais
carregada do sistema. Uma semana após o início das operações das
estações República e Luz, a demanda da Linha 4 bateu na casa dos
506mil passageiros/dia, e a quantidade de pessoas que utilizam a Linha
4 aumentará cada vez mais, tamanha a facilidade nos deslocamentos pela
cidade proporcionada pela linha. Como curiosidade, de acordo com o
site da CPTM (http://www.cptm.sp.gov.br/e_companhia/gerais.asp), a
linha que mais carrega passageiros da companhia é a Linha 11-Coral
(Luz – Estudantes), que carrega 526mil passageiros/dia.
Esse atraso na implantação/expansão do Metrô de São Paulo inibe uma
parte do seu potencial de atrair o motorista do automóvel a deixar seu
veículo em casa e ir para o trabalho de metrô. Segundo estudos da
ANTP, para cada usuário que está no Metrô, há mais dois que querem
adentrar no sistema, mas não o fazem devido às conhecidas condições de
superlotação nos horários de pico.
Conclusão: para sanear o problema dos congestionamentos, deverá haver
uma fusão de forças e recursos por parte dos três poderes executivos
(governos federal, estadual e municipais). sabemos que o metrô sozinho
não é a solução, e que a mesma surgirá de uma combinação de modais
(ônibus, trens e metrô). Não devemos postergar mais essa fusão de
forças, sob o qual podemos novamente perder “o bonde da história”.
Erick Santiago Cardoso é engenheiro e estudioso dos sistemas de
transporte, com foco no transporte metroferroviário.

26 comentários em METRÔ PARECE VESTIBULAR E TEM MAIS CANDIDATOS POR VAGA

  1. Boa tarde.

    Importante conclusão.

    Nós cidadãos já enxergamos isso. Agora, é a vez de quem possuí a caneta.

    Abçs.

  2. Bom texto, preciso e objetivo.
    Hoje mesmo a FolhaSP publica mais uma artigo na contramão do conceito de rede, falando da “disputa” ônibus/BRT X Metrô a iniciar construção em Curitiba.
    Estou confiante que Curitiba vai cumprir bem o que Erick fala neste último parágrafo,. Até porque, em mobilidade, ela não “perde o bonde”: FAZ a história.

  3. Galesitransportes // 13 de outubro de 2011 às 22:05 // Responder

    Saudações amigo Luiz vilela e Gustavo Cunha

    Brilhante artigo do Eng.Cardoso,Conclusão: para sanear o problema dos congestionamentos, deverá haver
    uma fusão de forças e recursos por parte dos três poderes executivos
    (governos federal, estadual e municipais). sabemos que o metrô sozinho
    não é a solução, e que a mesma surgirá de uma combinação de modais
    (ônibus, trens e metrô). Não devemos postergar mais essa fusão de
    forças, sob o qual podemos novamente perder “o bonde da história”.

    A grande questão é: Quem dá mais lucro para o poder Público??? O Transporte individual ou o Transporte público???
    O que vejo?? O poder público encara transporte individual como INVESTIMENTO e o transporte público vejo como despesa. É aquela velha matemática; MILHÕES PARA ABERTURA DE ESTRADAS E AVENIDAS e MIL PARA CORREDORES DE ÔNIBUS.

    DAONDE SAI O LUCRO PARA O PODER PÚBLICO SE INVESTIR NO TRANSPORTE INDIVIDUAL??
    IPVA, SEGURO OBRIGATÓRIO, INSPEÇÃO VEICULAR, ETC…ETC… ETC….
    E PARA ONDE VÃO TODOS ESTES MILHÕES DESTES POUCOS IMPOSTOS QUE FALEI??

    AH SIM, NÃO MENCIONEI O CASO DAS MULTAS……………………IH, SE EU FALAR MAIS……..AÍ MAIS COISAS APARECEM, deixa eu parar por aqui…….

    abraços a todos

    • Galesi,

      SIM ! SIM !

      Abçs.

    • Ponto muito interessante, Galesi.
      Justificaria de longe um bom debate entre especialistas e políticos (acho que fazem muita falta debates assim) sobre quem dá qual retorno ao político e ao administrador público, transporte coletivo ou individual.

  4. Amigos, boa noite

    Esta é uma questão de lógica e óbvia.

    Melhor a universidade, vestibular mais concorrido.

    Melhor meio de tranporte, maior aceitação dos passageiros.

    Quanto a interligação dos modais ela não é feita, sei lá porque;
    pois dá para fazer e com poucos recursos.

    O problema do nosso transporte é o exce$$o de recur$oS e não falta.

    Querem a resposta?

    Após o funcionamento da linha 4 até o centro, tem um monte de Buzão “batendo lata”, em
    sobreposição a linha 4 do metrô.

    Agora a pergunta chave:

    Têm alguma empresa tomando prejuizo ao rodar batendo lata, claro que não;
    portanto….

    Tai o excesso de recursos.

    Por que não colocam estes buzões para dar acesso aos trilhos da CPT e Metrô de maneira mais eficaz????

    Aguardo as sábias reflexões dos comentaristas.

    Muito obrigado
    Paulo Gil

    • Complementando:

      Que foto nítida.

      PARABÉNS ao autor.

      Paulo Gil

    • Paulo Gil
      Acho sábio assinar embaixo! Gostei bastante destas suas ponderações.

      Quanto a interligação, não minimizo o trabalho que dá. A começar pela gestão. Administrar receitas de várias fontes, distribuí-las para um monte de fornecedores que têm interesses competitivos e conflitantes, gerenciar a qualidade, competência, produzir grandes quantidades de contratos, cobrar seu cumprimento, aplicar multas, acompanhar e cobrar cronogramas, etc, etc, etc… Mas SPTRANS da vida foram criadas para isto e tenho certeza que tem muita gente bem formada e competente querendo trabalhar para elas.

  5. Bruno quintiliano // 14 de outubro de 2011 às 01:01 // Responder

    Paulo gil, na verdade tem sim
    a VIM ta até tentando com a SPTrans cortar a 577T-10 só até o metrô paraíso por causa disso e a mudança já está em estudo.

    • Bruno, boa noite

      Também, rodando a álcool…

      Nem precisa de estudo, por isso que não vai.

      Já devia ter cortado faz tempo, esta e tantas outras; mas…

      É o velho “CMTC System”.

      Grato
      Paulo Gil

  6. Amigo Luiz Vilela

    A grande pergunta: Será que o poder público e especialistas querem realmente debater o assunto??

    • Não duvidaria, se um grande grupo de midia bancasse este projeto com os devidos potentes holofotes nos participantes da Mesa. O momento não poderia ser melhor: há enorme necessidade, abundância de recursos técnicos poderosos e um bocado de R$, como há tempo não havia. Parece haver mais técnicos competentes. Infelizmente os políticos pouco ou nada evoluíram.

      Discordo do Nossa São Paulo que mobilidade é o 5o. item. Numa RMSP, RMRJ é a 2a. ou 3a.

  7. Caramba, levando ao pé da letra a teoria (do “vestibular”. Ratificada pelo Paulo Gil que evita a Sé nos picos) do Erick Cardoso não só temos boa explicação para a ocupação quase selvagem da Metro 4 Amarela como pode-se prever uma explosão de ocupação da Metro 5 Lilás imediatamente após ela chegar ao Ibirapuera.

    Realmente um ótimo artigo. É pra se rezar para o poder público mergulhar fundo nestes conceitos. E pressionar muito; difundir o máximo possível.

  8. Caro ERICK SANTIAGO CARDOSO,

    a palavra-chave em TRANSPORTE URBANO é: INTEGRAÇÃO (física e tarifária)!

    Unicamente para colaborar acrescento que é melhor existir algum transporte na sua porta do que NÃO existir nenhum. Se este transporte “na porta” for o METRÔ tanto melhor. Após o cidadão utilizar o transporte disponível “na porta” ou ele chegou ao destino ou ele se transferirá para outro modal, se for o METRÔ tanto melhor.
    O METRÔ portanto NÃO é o “transporte ideal”. O transporte ideal é aquele mais próximo a sua porta e que o leva ao destino ou transfere o cidadão a um outro modal que finalmente o conduz ao destino.

    O METRÔ.percebido como “o principal eixo para desafogar o trânsito caótico da cidade” irá sempre decepcionar! O TRANSPORTE PÚBLICO é implantado prioritariamente para transportar o cidadão e não para solucionar o trânsito.

    Esta foi a minha colaboração neste conjunto de comentários. Saudações.

  9. Bruno quintiliano // 14 de outubro de 2011 às 10:52 // Responder

    Discordo dessa ideia. um dos principios da democracia é levar as preferências do cidadão para escolher uma política pública. Aceitar a escola, o hospital e o transporte que estão na porta é o que permite aos políticos escolherem por minorias e também a corrupção.

  10. Bruno quintiliano // 14 de outubro de 2011 às 10:53 // Responder

    Dificilmente alguém vai pazer o melhor por uma sociedade que se contenta com o que está “na porta”

  11. Uma coisa que nenhum especialista de transportes comentou. O Metrô para onde vai, valoriza os arredores com Shoppings, novos empreendimentos como valorização do metro quadrado e aí vai. A grande pergunta; POR QUE NÃO SE COBRAR TAXA DE MELHORAMENTO NOS ARREDORES DO METRÔ ?? Os novos empreendimentos e Shoppings, ganham MILHÕES em cima do metrô, e não contribuem em nada, em nenhum centavo para o METRÔ, e eu creio que deveriam contribuir sim, pois o preço da melhoria de determinado bairro foi às custas do METRÔ.Eu não sei se é verdade, mas dizem que a especulação imobiliária é quem dita os bairros para o METRÔ passar, e fazer as determinadas estações, se isso for verdade, então, esta mesma especulação imobiliária é quem deveria pagar TAXA DE MELHORIA, para o METRÔ.

    Espero que os amigos Adamo Bazani, Milton Jung, Paulo Gil,Paulo Z, Luiz Vilela, Bruno quintiliano, Lucas Fonseca e outros amigos possam debater sobre este tema que alenquei.

    • Galesi,

      Ponderação “interessante” a sua, para dizer o mínimo.

      Este caso, é um jogo de xadrez.

      Nós cidadãos, precisamos jogar melhor.

      Abçs.

    • Galesi
      O tema é bom e atual, tudo a ver com a Metro 20 Rosa.
      Shopping centers ainda podem ser dirigidos para consumidores A, B ou C e setores (roupas e eletrodomésticos, materias de construção, decoração) mas habitação de alta concentração, hotelaria e edifícios comerciais – principalmente estes últimos – certamente ganham com ferrovias. A Marginal do Pinheiros e a CPTM 9 Esmeralda são ótimo exemplo. Acho válido sim, que revertam bens e serviços para a ferrovia, suas estações e integrações.

      Por outro lado assusta a situação que ficariam (continuariam a ficar!) locais como M´Boi Mirim e Raposo Tavares que não têm estes atributos. Aliás Cotia PROIBE edifícios maiores de 3 andares justamente para evitar adensamentos populacionais que exigiriam mais ruas, avenidas, semáforos.

      Portanto considero sua questão politicamente delicada. Válida, sem dúvida, mas entendo que pesquisa O/D deve ser fator determinante de prioridades.

      • Gustavo Cunha // 14 de outubro de 2011 às 15:25 //

        Luiz,

        MUITO BEM LEMBRADO !!!

        Quando me reportei ao jogo de xadrez, o fiz por estalo, mas, suas considerações, demonstram o quão complexa é a questão.

        Abçs.

    • Galesi, boa noite

      Entendo que nenhum brasileiro merece pagar mais nenhum imposto, taxa, tarifa, ou seja lá o que for.

      Deve-se cobrar licenças de empreendimentos cujos acessos são diretos da estação de metrô, ou que sejam construídos sob uma estação.

      No mais, deixa o mercado se regular a vontade.

      E o metrô daqui 100 anos será igual aos “Apachinhos” de hoje; algo ultrapassado; pois os novos serão todos “magnéticos” e de alto desempenho.

      Muito obrigado
      Paulo Gil

      • Paulo Gil
        Pensei muito nisto também, não colocar MAIS R$ AINDA na mão de governo. Por isto escrevi “reverter bens e serviços”. Calçadas, acessos, pistas, pisos, urbanização, reforma e projetos de estações e áreas de integração. Assim acho que não seria injusto, por exemplo, o pessoal da Berrini e adjacências transformar a Estação Berrini da CPTM 9 numa jóia de arquitetura condizente com seus arrojados edifícios comerciais.

      • Luiz Vilela, boa noite.

        De acordo.

        Não oneraria nenhum cidadão e as empresas interessadas
        em firmar parcerias com o Estado e/ou Município, poderiam fazê-lo,
        com a devida contra partida.

        Ai sim, um bom negócio para todos, inclusive para a sociedade.

        Grato
        Paulo Gil

  12. Bruno quintiliano // 14 de outubro de 2011 às 15:34 // Responder

    Nunca tinha pensado nisso. excelente ideia. nada mais justo. essa taxa poderia ser no iptu ou equivalente. Mas como metro demora muito para ficar pronto a cobrança seria depois da conclusão da obra para financiar futuros projetos certo? ou então taxar novas obras que usam o metro pra se valorizar

    • Sim amigo Bruno, a cobrança poderia ajudar a financiar a própria linha que fosse ser construída ao lado do empreendimento e também taxar novas obras que usaram e ainda usam o metrô para se valorizar.
      Esta medida poderia e muito acelerar várias obras do metrô. E se os politicos fossem levados à sério eu também sugeria o PEDÁGIO URBANO com valor mínimo de R$ 1,00 para acessar o Centro da Cidade e acabaria com o Rodizio de veículos mas todos os recursos seriam para a construção de novas linhas do METRÔ e melhoria das vias que utilizariam este pedágio. Seria assim: 0,50 c para o METRÔ e 0,50c para arrumar a via que fosse cobrada o pedágio urbano.

  13. Bruno quintiliano // 14 de outubro de 2011 às 15:36 // Responder

    a ideia é boa mesmo. voce disse que faz curso de transporte, sugiro usar pro projeto do curso. seria talvez uma ideia boa ate pra mestrado ou doutorado talvez

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