Perspectiva do BRT, sistema de corredores de ônibus de trânsito rápido, de Manaus, no Amazonas. Até novembro, a Prefeitura de Manaus deve divulgar o vencedor do certame. A obra deve custar R$ 290 milhões, financiados pela Caixa Econômica Federal, e ficar pronta em dois anos. O BRT deve ter 22 quilômetros de extensão que vão ligar o centro de Manaus à zona Leste da Cidade. A maior preocupação na cidade é em relação ao monotrilho, que ainda está na fase de pré-licitação e as obras são mais demoradas e caras. Imagem: Prefeitura de Manaus.
Lançado edital do BRT de Manaus
Obra deve custar R$ 290 milhões e ficar pronta em dois anos. Mesmo assim, prazo preocupa
ADAMO BAZANI – CBN
A Prefeitura de Manaus lançou nesta terça-feira o edital de licitação para a construção do BRT (Bus Rapid Transit) que deve preparar a cidade e modernizar os transportes até a realização da Copa do Mundo de 2014.
A obra já tem recursos garantidos. Custando R$ 290 milhões, será financiada pela Caixa Econômica Federal.
Todo o certame será acompanhado pela instituição financeira, assim como pelo Ministério Público, Controladoria Geral da União (GCU) e Tribunal de Contas da União (TCU).
A Caixa Econômica recomendou uma série de ajustes no projeto pouco antes de liberar os recursos.
A licitação deve ser concluída até o final do ano. A previsão da abertura de envelopes é em 03 de novembro deste ano, às 10 horas da manhã.
O BRT – Bus Rapid Transit, sistemas de corredores de ônibus de trânsito rápido e modernos, que asseguram acessibilidade, maior velocidade operacional e conforto para os passageiros, pelo fato de os ônibus percorrerem em vias segregadas do trânsito convencional, tem outra vantagem em relação aos outros modais. Boa capacidade de atendimento tempo e custo de implantação baixos.
Mesmo assim, o fator tempo no caso de Manaus preocupa.
A obra vai depender de algumas desapropriações que ainda não foram definidas de maneira clara. No entanto, a estimativa é que sejam desapropriadas 1,3 mil edificações.
Só este processo de desapropriações deve custar cerca de R$ 30 milhões, mesmo o BRT gerando menos impactos que outros modais, segundo a Prefeitura.
Os maiores impactos devem ser nas imediações da Grande Circular, onde o BRT vai exigir pistas paralelas à via convencional.
A previsão é de que o sistema esteja pronto em dois anos, ou seja, começando logo após a divulgação do edital, deve ficar pronto em 2014, às vésperas do Mundial de Futebol.
O corredor de Manaus deve ter 22 quilômetros de extensão e receber veículos biarticualdos com capacidade para 270 pessoas cada.
O sistema vai integrar 3 terminais e terá 20 estações, que permitem embarque no nível do assoalho do ônibus, oferecendo acessibilidade, e pré embarque, que é o pagamento da passagem antes da entrada do passageiro no veículo.
Cada sentido terá duas pistas, o que pode fazer com que um ônibus ultrapasse o outro, evitando filas nas proximidades dos pontos.
Um dos avanços do BRT de Manaus, que deve proporcionar velocidade maior aos ônibus, é que boa parte das pistas segregadas deve contar com passagens de nível, evitando que os veículos de transportes coletivos parem em cruzamentos.
A velocidade média dos ônibus será de 25 quilômetros por hora e a capacidade de transporte varia de 35 mil a 40 mil passageiros hora – sentido.
O trajeto vai ligar a zona Leste da cidade, a partir da avenida Camapuã, no Jorge Teixeira, até o Terminal 05, no São José, região central de Manaus.
Já o monotrilho de Manaus está em fase prematura e o temor que a obra não fique pronta em até o Mundial é ainda maior.
A implantação da obra é mais cara e necessita de intervenções mais complexas.
Os custos devem ficar em torno de R$ 1 bilhão e 460 milhões. O modal ainda está em fase de pré-licitação.
O monotrilho terá 09 estações que vão necessitar de mais desapropriações.
Ainda não foram liberados recursos para as empresas que apresentaram as propostas para as obras.
O estado de Manaus apontou indefinições no projeto para não liberar os recursos para o início das obras.
Por não haver assinatura do contrato com as empresas vencedoras, não é possível elaborar o projeto executivo que entre outras coisas vai definir como e quanto serão as desapropriações.
Com isso, o risco de atrasos e de a obra não ficar pronta a tempo ou ter de ser modificada é grande, segundo especializadas.
E não é questão de ser contra a favor de monotrilho, mas é uma realidade básica.
Há necessidade de as obras do monotrilho começarem que são mais demoradas e sequer o projeto executivo foi feito.
O monotrilho de Manaus também enfrenta problemas quanto a liberação de recursos.
Dos 1,4 bilhão de custos previstos, a Caixa Econômica Federal deve liberar R$ 600 milhões, mas ainda sem data definida.
Mas o BNDES não aprovou os R$ 800 milhões que faltam para que o valor da obra seja completo, isso sem contar que pode haver alterações de projeto que deixem eventualmente o monotrilho mais caro ainda.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes