ACESSIBILIDADE EM TRANSPORTES: Nem sempre é preciso muito dinheiro.

Acessibilidade

O sinalizador de Londrina, no Paraná, é um exemplo de que a mobilidade e a acessibilidade nas cidades dependem muito mais de boas ideias e vontade que altos recursos financeiros. Uma espécie de caderno espiral dividido em 3 filetes cada qual com letras e números em braile e em caracteres convencionais. Com ele, o portador de limitação visual forma o número da linha que pretende usar. O motorista, já treinado, vê o sinalizador e se for a linha que está trabalhando, para e auxilia o passageiro. Isso evita o constrangimento de sempre pedir para alguém identificar o ônibus para quem não consegue enxergar ou mesmo, se o ponto estiver vazio, o deficiente parar todos os ônibus até que chegue o veículo da linha pretendida.

Sinalizador de Londrina mostra que acessibilidade requer mais criatividade que dinheiro
Placa tem 3 filetes com letras e números que mostram ao motorista de ônibus linha que o deficiente visual pretende utilizar

ADAMO BAZANI – CBN

Uma boa ideia e criatividade. Isso muitas vezes é mais eficaz que a aplicação de grandes recursos financeiros em qualquer atividade econômica, inclusive no setor de transportes coletivos.
Ainda mais quando a ideia parte de quem sente no dia a dia as dificuldades para se locomover nas cidades.
Se o transporte coletivo precisa melhorar para toda a população, imagine então para quem possui algum tipo de limitação.
Aí, entra a questão da acessibilidade, tão comentada nos dias de hoje.
E tecnologia nos ônibus não falta. Hoje, os veículos de transporte coletivo brasileiros não ficam atrás em nada dos ônibus da Europa e dos Estados Unidos em vários itens: chassis com piso baixo central (uma solução intermediária para o viário nem sempre adequado das cidades brasileiras), piso baixo total (adequado para corredores exclusivos), elevadores, botões de sinal de parada internos que indicam ao motorista que é uma pessoa com necessidade de ajuda que vai descer no próximo ponto, fixadores de cadeiras de rodas no interior dos veículos, alertas sonoros e visuais, enfim, uma série de componentes que têm deixado os ônibus mais acessíveis.
Mas a mobilidade não começa quando a pessoa entra no ônibus, mas bem antes, desde quando ela sai de casa. Por isso, boas calçadas, abrigos e pontos adequados também fazem parte da acessibilidade.
Apesar de todos os avanços, uma das grandes dificuldades que as pessoas que não têm a visão ou enxergam pouco é identificar os ônibus nos pontos.
Uma tarefa difícil para elas, que perdem sua liberdade e tranquilidade de poderem se locomover pelas cidades. Obrigatoriamente, elas precisam pedir para alguém informar sobre a chegada do ônibus que pretendem usar. E quando não tem ninguém no ponto? É ouvir o barulho do “bichão”, fazer o motorista parar e perguntar para onde vai o bruto, o que nem sempre é respondido com paciência pelos motoristas.
Mas em Londrina, no Paraná, essa história pode mudar e com uma solução simples.
O presidente da Adevilon – Associação de Deficientes Visuais de Londrina, Antônio Carlos Ferreira, usuário de ônibus, desenvolveu uma placa sinalizadora para os motoristas.
A placa, de papelão, é como se fosse um caderno espiral, mas divido em três filetes. Cada um possui uma letra e um número em braile e em caracteres convencionais.
O portador de deficiência forma o número da linha e quando ouve o ônibus, mostra na direção do veículo.
O motorista, já treinado, verifica se o passageiro quer usar a linha em que está trabalhando, para e ajuda o portador da deficiência visual.
A utilização da placa já estava prevista em lei municipal de 2010, mas só começou de fato na quinta-feira, dia 22 de setembro de 2011.
Foram entregues 100 sinalizadores deste tipo, para mensurar a demanda de pessoas portadoras de limitação visual, mas outros já estão sendo feitos.
Eles podem ser pegos gratuitamente pelo passageiro nestas condições no setor de Passe Livre do terminal principal de Londrina.
A estimativa da Adevilon é que 1% da população de Londrina seja deficiente visual.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

11 comentários em ACESSIBILIDADE EM TRANSPORTES: Nem sempre é preciso muito dinheiro.

  1. Muito bem, mais uma vez mostra-se que é necessário ter iniciativa, mais do que recursos.

  2. Amigos, bom dia

    Genial a idéia, parabéns a Londrina.

    Mas infelizmente em Sampa é inviável, pois a numeração de nossas linhas
    não permitira o uso deste equipamento.

    Primeiro porque temos linhas com numeros iguais e depois são tantos números e letras
    incluindo ai a EMTU; e eu até já sugeri para simplificar.

    Mas simplficar para que? Se podem complicar.

    Exemplos:

    SPTrans: 7598-10; 856R-21 e tantas outras

    EMTU: 059PR1; 152EX1 e tantas outras

    Se quiserem ver outros números simples, consultem os sites SPTrans e EMTU.

    Fácil não?

    Muito obrigado.
    Paulo Gil

    • Só complementando:

      Exemplos de linhas com numeros iguais

      748A-10
      748A-41
      748A-42

      Na correia do dia a dia é facinho facinho embarcar numa canoa furada, digo num Buzão.

      Confesso que já embarquei numa furada.

      Grato
      Paulo Gil

      • Paulo, eu também acho a identificação dos ônibus paulistanos uma bagunça para o usuário. Pelo o que li na postagem do Jair, essa combinação de números e letras tem lógica. Ocorre que essa ‘lógica’ pode facilitar a vida da Prefeitura mas não dos usuários de ônibus, que têm que conviver com uma identificação confusa e nada prática.

        Aproveito para agradecer ao Ádamo para nos mostrar essa ideia simples e inovadora posta em prática em Londrina.

  3. Amigos, bom dia
    mais uma vez o Paraná saí na frente do RESTO do Brasil em qualidade de transporte urbano.
    Parabéns.

  4. Gil e amigos
    Sobre a numeração das linhas na capital de São Paulo, teve o objetivo de identificar origem e destino e a informação complementar de maior relevância.
    Assim, na 748A deveria indicar (se não tivessem alterado as regras sem mudar os numeros da linhas já em uso) que saia da area 7 com destino a área 8 passando pela avenida 4 (?) linha A
    Outra forma se fosse 778A seria igual a de cima somente mudando a informação principal ( o segundo digito) que quando 7 indicava que era integrada ao metro.
    A região central era 0 por ex. 708A (hoje centro é 9)
    Nas linhas com 4 números o zero indicava que a linha não saía da área de origem ex.7011, ou seja linha 11 da area 7 (circular ou ponto a ponto dentro da mesma área).
    Nas linhas de ligação do centro para as áreas o primeiro digito indicava o corredor de saida:
    1 – Santos dumont
    2 – Rangel Pestana
    3 – Radia Leste
    4- Av do Estado
    5- 23 de mai6 9 de julho
    7 Consolação
    8 – São João e
    9 – Rio Branco
    o segundo dígito indicava a saída do corredor:
    5100 Brigadeiro Luiz Antonio
    6400 Ponte cidade Jardim
    7100 rua Augusta etc.
    Hoje a numeração dos Corredores já não mais existe, porém ainda temos linhas que usam a numeração, por ex. linhas iniciando com o numero 9 que hoje, nas novas linhas indicam a área centro em substituição ao zero.
    E ainda acrescentaram outros dois digitos para indicar as variações das linhas ficando então:
    748A-10 linha original
    748A-20 linha com alteração de itinerário(as vezes inicio ou final)
    Conclusão: A Sptranstorno mudou as regras, criando novas numerações a partir das novas linhas, sem alterar as antigas, e acrescentando dois digitos que nada informa aos usuários ocasionais, criando grande confusão como foi o seu caso.

  5. Boa tarde.

    EXCELENTE INICIATIVA. Um modo simples e econômico de lidar com um obstáculo.

    Prova de que é possível fazer mais, com menos.

    Abçs.

  6. Parabéns, Adamo. Está muito legal. bj Vanessa Di Sevo.

  7. Não dá outra: em termos de ônibus o Paraná não parece Brasil!

    Fico mais curioso ainda em ver operando a rede de trilhos de Curitiba integrada ao BRT.

    Parabéns para Londrina.

  8. Ótima postagem! Trabalhamos com pessoas deficientes e muito mais que isso buscamos conscientizar essas pessoas de seus direitos que muitas vezes não são divulgados como deveriam ser e por isso sabemos da importância de cada pequena ou grande ação.

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