VOLVO JÁ COMERCIALIZOU ÔNIBUS EURO V PARA SÃO PAULO

Auto Sueco

Ônibus biarticulado Volvo, no pátio da Auto Sueco. Diretor da concessionária comemora o crescimento da marca e prevê um futuro promissor com a entrada da Volvo no mercado de motores dianteiros. FOTO: ADAMO BAZANI

Volvo comercializa para empresas de São Paulo cerca de 100 chassis que obedecem às novas normas de controle à poluição
Venda foi para empresas da Capital Paulista pela Auto Sueco, uma das maiores concessionárias da marca do País. Mário Oliveira, diretor superintende da autorizada, fala sobre a necessidade de capacitação de funcionários do setor

ADAMO BAZANI – CBN

Alguns empresários de ônibus têm agilizado a renovação da frota para evitarem a compra dos veículos que a partir de janeiro de 2012 vão seguir novas normas de controle de emissão de poluentes e que tendem a ser mais caros, por empregarem tecnologia mais avançada, além de exigirem, para reduzir a poluição, a compra de um fluido que ficará num outro tanque no chassi, o ARLA – Agente Redutor Líquido Automotivo, o ARLA 32, com 32% de uréia. O valor dos ônibus deve ser entre 8% e 15% maior. As montadoras garantem que o investimento maior vai valer a pena, mesmo com o uso do ARLA, pois o consumo de combustível deve ser menor assim como o desgaste de algumas peças pelo melhor desempenho dos novos modelos.
Mas se alguns frotistas querem ficar ainda por um bom tempo com veículos na tecnologia atual, já que se comprados agora, os ônibus Euro III terão em média vida útil de 10 anos, outros, estimulados pelo poder público já estão indo às compras e adquirindo os ônibus menos poluentes.
Em comparação às normas atuais de emissão de poluentes, o Euro V pode permitir as seguintes reduções:
EMISSÃO DE MONÓXIDO DE CARBONO: Redução de 29%
EMISSÃO DE HIDROCARBONETOS TOTAIS: Redução de 23%
EMISSÃO DE ÓXIDO DE NITROGÊNIO: Redução de 60%
EMISSÃO DE MATERIAL PARTICULADO: Redução de 80%

A Auto Sueco, uma das maiores concessionárias e autorizadas da Volvo no País, já comercializou cerca de 100 ônibus padrão Euro V, Proconve P 7, para empresas que prestam serviços na Capital Paulista.
E antes mesmo da entrada das normas em vigor, a cidade já terá ônibus diesel menos poluente, Euro V.
“As primeiras unidades já devem ser entregues na segunda quinzena de dezembro deste ano, As outras já em janeiro” – declarou o diretor – superintendente da Auto Sueco, Mario Oliveira.
Alegando respeito à privacidade dos clientes, o executivo não quis revelar o nome das empresas compradoras. Mas serão veículos de grande porte, em sua maioria.
Na Transpúblico 2011, evento que reuniu montadoras, encarroçadoras e empresas de peças e serviços de transportes públicos, em 24 de agosto de 2011, a Mercedes Benz revelou a venda de 200 ônibus também no Padrão Euro V para o grupo do empresário José Ruas Vaz. São 160 ônibus articulados e 40 convencionais de piso baixo para as empresas Viação Campo Belo, Gatusa, Viasul e Cidade Dutra.
Mario Oliveira confessa que esperava maior movimentação por parte dos empresários de ônibus em relação a antecipação de renovação da frota diante das mudanças das exigências de emissão de poluentes a partir de 2012.
“A reação está ainda sendo um pouco tardia e muitos ainda não se definiram. No caso de transportadores de carga, acredito que depois da Fenatran, os donos de veículos a diesel devem ficar mais informados sobre as mudanças do Proconve para a fase P 7 “.
A Fenatran – 18º Salão Internacional do Transporte – vai ser realizada entre os dias 24 e 28 de outubro no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.
Meio Ambiente e lançamentos de produtos que já atendam as novas normas de redução de emissão devem ser as marcas da edição 2011.
Com experiência desde 1980 no setor de ônibus e caminhões, diretor superintendente da Auto Sueco, Mário Oliveira, analisou o mercado de veículos de transportes coletivos e o definiu como muito complexo.
Isso porque, segundo ele, ao contrário de outros mercados, como os de carro, o de ônibus não é regido apenas por questões econômicas.
Mas há políticas públicas envolvidas, momentos em que o País vive anos de eleições ou não, maiores exigências ambientais, a questão dos apelos pela mobilidade urbana e as respostas a eles, entre outros fatores que influenciam num mercado que considera “muito sazonal”.
No caso brasileiro, as dimensões territoriais e do próprio mercado também exigem esforços estratégicos e logísticos de encarroçadoras e montadoras.
Mario Oliveira, português, esteve em seu país natal na semana passada e enfatizou as diferenças.
“A Volvo é líder no mercado português de ônibus. E sabe o que isso significou? A venda este ano de uns 50 ônibus” – salientou.
Só neste primeiro semestre, foram comercializados mais de 15 mil ônibus no Brasil e a indústria tem uma estimativa de 32 mil unidades para este ano, o que pode configurar 2011 como o melhor da história do setor.
“Em Lisboa tem umas 3 ou 4 empresas grandes urbanas, entre elas a Arriva, que é inglesa. Mas ela tem se concentrado em comprar outras companhias menores e aproveitar suas frotas. No turismo, rodoviário, há sim algumas ligações, mas não são muitas. Paris – Porto e Paris Lisboa são as de maior destaque” – conta o executivo.
Só para licitar apenas as linhas interestaduais e internacionais, a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, estima 1967 linhas com pouco mais de 6 mil ônibus. E mesmo assim, as empresas de ônibus dizem que a frota é insuficiente e que o ideal seria uma quantidade de pelo menos 10 mil ônibus. Isso sem contar os ônibus rodoviários que circulam apenas dentro de seus estados.
A frota urbana da Capital Paulista, só de ônibus municipais, é de aproximadamente 15 mil veículos, entre ônibus e micro-ônibus.
SER MAIOR NUM MERCADO TÃO GRANDE:
E de acordo com que revelou Mario Oliveira, a Volvo tem ambição de ser maior num mercado que já é grande.
A expectativa da Auto Sueco é crescer 130% neste ano.
No segmento de ônibus, um dos grandes entusiasmos do grupo é o chassi de motor dianteiro, B 270 F.
É a primeira vez na história que a Volvo, tradicional em veículos pesados, urbanos ou rodoviários, faz um ônibus com motor dianteiro, desde 1978 quando começou a produzir no Brasil. O Grupo Auto Sueco foi fundado em 1933 por Luiz Oscar Jervell e Yngvar Poppe Jensen. A empresa inicialmente representava a Volvo no norte de Portugal.
Três anos depois da fundação da Volvo no Brasil, era criada em Campinas a Vocal, da família Feffer, que começou a comercializar ônibus e caminhões da marca de origem sueca. Em 1º de julho de 2011, a Vocal começou a fazer parte do Grupo Auto Sueco.
Além da Auto Sueco em São Paulo, há unidades no Mato Grosso, no Acre e em Rondônia.
O faturamento mundial da Auto Sueco em 2010, vendendo veículos Volvo e prestando serviços de manutenção e assistência, foi de 1 bilhão de Euros. No Brasil, em 2010, o grupo teve faturamento de R$ 900 milhões, o que corresponde a 35% do volume mundial. Até 2014, a perspectiva do grupo é que o Brasil responda por 50% do faturamento da Auto Sueco em todo o mundo.
O caminhão VM e o ônibus de motor dianteiro B 270 F devem ajudar em muito a conquista desta meta.
B 270 F e VM compartilham várias peças, o que pode representar, segundo a Volvo, disponibilidade de produtos em necessidades de trocas e manutenção, além do barateamento dos serviços.
“O B 270 F coloca a Volvo num segmento maior de ônibus, o de motores dianteiros, que são maioria. Assim, vamos atuar numa área mais ampla, o que nos vai representar mais oportunidades. Sobre o veículo, ele conta com as tecnologias mais modernas que podem ser implementadas num ônibus deste segmento e possui materiais mais leves. Isso reduz o peso do ônibus em até 500 quilos, mais ou menos, o que representa maior capacidade de transporte, menos gasto de combustível e menor desgaste das peças. É menos peso não útil para o ônibus levar” – resume Mario Oliveira.
PÓS VENDA É UM ESPÍRITO DE MISSÃO:
O executivo afirmou que os planos de crescimento do Grupo Auto Sueco não estão baseados apenas na venda de veículos, mas na conquista e fidelização inicialmente de clientes, que depois se tornam parceiros de negócios.
Para isso, um bom “Pós Venda”, atendendo às necessidades técnicas, com manutenções adequadas, atendimento cortês e funcionários especializados, é essencial.
“Não existe venda sem pós venda e nem pós venda sem venda. Para nós, o pós venda está no espírito, é uma missão e procuramos aperfeiçoá-lo a cada dia” – explica.
No segmento de ônibus, há a figura do Mr. Bus, um profissional altamente especializado em ônibus e que pode dialogar e entender o dia a dia do frotista e dos responsáveis pelos setores de manutenção das garagens.
“O pós venda é a área mais importante para o cliente” – diz

Auto Sueco

Sala de treinamento e capacitação de mecânicos e profissionais de manutenção, na Auto Sueco que simula problemas corriqueiros e a solução mais adequada. Faltam especialistas em ônibus no mercado. FOTO: Adamo Bazani

UMA DURA REALIDADE DE MERCADO:
O Mr. Bus, segundo Mario Oliveira, surgiu por conta de uma lacuna ainda grande de mercado: Praticamente não há profissionais da área de mecânica e manutenção com especialização em ônibus.
As evoluções tecnológicas em ônibus foram grandes dos anos de 1980 para cá e os cursos profissionalizantes não acompanharam esta realidade.
Apesar de ainda compartilharem algumas peças, ônibus e caminhões têm concepções e conseqüentemente formas de manutenção muito diferentes.
E Mário Oliveira é bem realista em relação a este fato.
“Tem se investido pouco em formação de técnicos especializados em ônibus. Além disso, normalmente o mecânico de ônibus é autodidata. Ele é um mecânico comum, que aprende a mexer com o ônibus no dia a dia da garagem. São profissionais esforçados, que merecem reconhecimento, mas nem sempre o aprendizado no dia a dia da garagem é o ideal e consegue aproveitar todas as inovações tecnológicas dos ônibus mais novos. As empresas de ônibus não querem ficar com os veículos parados e resolvem de maneira improvisada alguns problemas mais sérios”.
Esta característica da operação de ônibus acaba desestimulando muitos jovens profissionais a trabalharem com manutenção de veículos de transportes coletivos.
“Há uma classe de formandos em mecânica. Aí é perguntado quem é que quer ser mecânico de automóveis de passeio: a maioria levanta a mão. Depois quem quer ser mecânico de motos, bastante gente se habilita. Quem quer ser de caminhões, o número reduz, mas há interessados. Quando é questionado quem quer ser mecânico de ônibus, quase ninguém levanta a mão”
Mario Oliveira acredita que o profissional que trabalha com manutenção de ônibus deve ser melhor valorizado.
“Não é só questão de vencimentos (salários), mas de dignificar a profissão. Os horários são ruins, com jornadas longas e tabelas que começam no meio da noite e na madrugada, o esforço físico é maior, já que no caminhão, em muitos casos basta levantar a cabine enquanto que no ônibus é necessário entrar embaixo dele para qualquer coisa, e a pressa exigida é muito maior” – explica Mario Oliveria.
Um ônibus fica operando cerca de 20 horas por dia. Veículo parado para as empresas é prejuízo. Além disso, com quebras por conta do mau viário de cidades e estradas e trânsito complicado, que prende ônibus em congestionamento, exigindo as empresas colocarem mais veículos para compensarem a viagem que o ônibus parado no trânsito não fez, praticamente os veículos reservas trabalham o mesmo tempo que os da escala.
Mas como equacionar a correria dos transportes com a necessidade de criar um ambiente melhor para o mecânico?
“Com metodologia, planejamento, o que exige investimento por parte do empresário, mas que vale a pena. Manutenções preventivas mais rigorosas, ônibus mais novos e escalas de trabalho melhores” – completa Mário Oliveira.
Ele também fala sobre a necessidade de melhor preparar os motoristas. Muitos sabem operar uma máquina, o que é diferente de dirigir um ônibus.
“Os motoristas não sabem aproveitar 60% do que o ônibus tem a oferecer. Isso causa mais desgaste, mais consumo, menor conforto ao passageiro e muitos problemas que eles param o ônibus e chamam o guincho, poderiam ser resolvidos pelos próprios motoristas, se entendessem os sinais do painel” afirma Mario Oliveira.
A Auto Sueco oferece cursos para motoristas e mecânicos e possui salas de capacitação e simulações de problemas onde os funcionários dos clientes são treinados.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

2 comentários em VOLVO JÁ COMERCIALIZOU ÔNIBUS EURO V PARA SÃO PAULO

  1. Amigos, boa noite

    Conforme dito na matéria:

    “…As empresas de ônibus não querem ficar com os veículos parados e resolvem de maneira improvisada alguns problemas mais sérios”…

    “…Além disso, normalmente o mecânico de ônibus é autodidata. Ele é um mecânico comum, que aprende a mexer com o ônibus no dia a dia da garagem.”…

    “…Ele também fala sobre a necessidade de melhor preparar os motoristas. Muitos sabem operar uma máquina, o que é diferente de dirigir um ônibus.”…

    Já pensou um Buzão com o ARLA – Agente Redutor Líquido Automotivo, o ARLA 32, com 32% de uréia?????

    Será que terá manutenção?? Quem vai fazer esta manutençaõ???

    Mr. Bus não, Químico Bus Man.

    Muito obrigado
    Paulo Gil

  2. a Volvo e a Scania deveram(e devem)até agora,uma atualização nas suas linhas de onibus!acho q eles(Scania,Volvo e há quem diga,Volkswagen 17-280OD”Euro 5″)vão lançar novos produtos no ano q vem!

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