VLT ganha espaço em projeto de Transportes para a Copa de 2014

VLT e Copa

VLT - Veículo Leve Sobre Trilhos: A corrida é contra o tempo nas cidades de Cuiabá e Salvador que convenceram o Governo Federal a financiar a troca do BRT (corredores de ônibus de trânsito rápido) para o modal sobre trilhos. Custos de implantação nas cidades devem quadruplicar. Os governadores de Mato Grosso e da Bahia prometem terminar as obras a tempo, mas especialistas temem os resultados. Pelo prazo menor, há o risco de as obras não terem qualidade total ou de saírem mais caras ainda. Parte das decisões para o VLT foi mais política que técnica. Em Salvador, por exemplo, houve até campanhas em redes sociais, com a participação de vereadores e deputados que demonstravam pouco conhecimento no assunto, mas que apoiava o modal, cujas obras são novas no País e chamam mais a atenção da opinião pública.

VLTs ganham espaço nos projetos de Mobilidade para a Copa do Mundo
Apesar das críticas e do temor de não haver tempo hábil de implantação, Governo Federal autoriza modal de transporte em Cuiabá e em Salvador
ADAMO BAZANI – CBN
Depois de uma verdadeira queda de braços envolvendo lideranças políticas e administrações estaduais e municipais, Cuiabá, no Mato Grosso, e Salvador, na Bahia, conseguiram convencer o Governo Federal, que já tinha liberado verbas para a construção de Corredores de Ônibus, a financiar projetos de VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos.
Os VLTs são como bondes modernos e considerados ecologicamente corretos por, em sua maioria, serem de tração elétrica.
A polêmica estava no fato de eles terem um custo e um tempo de implantação bem maiores que os corredores de ônibus (BRTs – Bus Rapid Transit) e não apresentarem uma capacidade tão superior de transporte em relação aos custos das obras e dos veículos.
No entanto, além desta polêmica, há um embate de interesses econômicos. De um lado, empresas de ônibus e fabricantes, e de outro lado, empresas de implementos ferroviários e construtoras que lucram com obras mais caras.
Ambas as forças têm bastante representatividade política e econômica.
A permissão para a adoção do VLT foi dada nesta semana pelo Ministério dos Transportes e comunicada pelo Ministério dos Esportes, já que ambos os projetos, de Cuiabá e de Salvador, são para aperfeiçoar as cidades para receberem a demanda da Copa do Mundo de 2014.
A corrida agora é contra o tempo. O VLT, por exigir obras mais caras e mais complexas, demanda maior tempo para ser implantado. Em média, 10 quilômetros de VLT ficam prontos entre 5 e 7 anos, enquanto que o mesmo trecho de BRT demora 2,5 anos para ser implantado.
Mesmo assim, os governadores locais garantem a conclusão dos trechos principais até dezembro de 2013.
E é justamente este outro temor dos especialistas. Por causa do pouco tempo, as obras podem não ser feitas com a qualidade máxima esperada ou então os custos seriam ampliados.
O VLT para a implantação custa até 5 vezes mais que o BRT. A capacidade de transportes se assemelha entre os dois modais, assim como o tempo de deslocamento.
Os governos garantem que a população vai ganhar em conforto, agilidade e preservação ambiental.
O próprio Governo Federal está preocupado em relação ao cumprimento do prazo para a construção do sistema e implantação do modal.
Por isso, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, exigiu que os governadores da Bahia e de Mato Grosso assinassem um compromisso por escrito para a entrega dos VLTs.
Mato Grosso se comprometeu a finalizar o VLT até dezembro de 2014 e a Bahia até abril de 2014.
O VLT ter Mato Grosso deve ter 23 quilômetros de extensão e ligar Várzea Grande a Cuiabá. O custo da obra vai se de R$ 1,1 bilhão enquanto que no BRT este custo seria de R$ 451 milhões.
O VLT de Salvador ligará o Aeroporto da Bahia até o Centro de Salvador pela Avenida Paralela. O custo deste trecho é estimado em R$ 2,6 bilhões enquanto que do BRT no mesmo trajeto seria de cerca de R$ 500 milhões.
Além de decisões técnicas, houve também a posição política nas escolhas.
No caso de Salvador, até campanhas em redes sociais, com a participação de vereadores e deputados para apoiarem a novidade, foram feitas.
No caso, a posição de alguns políticos é considerada duvidosa, pois muitos não demonstraram conhecimentos técnicos sobre o modal. Alguns, aparentemente, quiseram tomar carona em uma obra que chama a atenção por não ser tão comum no País.
VLT de BRASÍLIA ESTÁ ASSEGURADO, MAS SERÁ MENOR:
O tempo maior para as obras e o custo mais elevado já fizeram com que Brasília anunciasse modificações no projeto de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos.
Mesmo a Capital Federal usando os transportes como um dos argumentos ainda para concorrer a abertura da Copa de 2014, justamente por causa do VLT é que Brasília pode tropeçar em seu desejo.
Apenas o trecho que deve ligar o aeroporto Juscelino Kubitscheck até o Terminal Sul do Metrô é que deve ficar pronto, totalizando 6,4 quilômetros. Essa ligação deve custar em torno de R$ 700 milhões.
Por questões ambientais, financeiras e urbanísticas, que não seriam contornadas até 2014, pela maior intervenção que uma obra de VLT ocasiona por onde passa, a secretaria de Transportes decidiu não utilizar mais a avenida W 3 Sul como rota do Veículo Leve Sobre Trilhos .
Muitas características da região da avenida seriam mudadas, com possíveis danos ambientais e ao patrimônio histórico e a obra poderia ser embargada na Justiça, aumentando os gastos com o risco de ela não ser concluída, com a aplicação de recursos em intervenções que poderiam ser desfeitas, desperdiçando dinheiro, e gastos com honorários jurídicos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

8 comentários em VLT ganha espaço em projeto de Transportes para a Copa de 2014

  1. Boa noite.

    A questão já foi muito bem abordada e debatida neste blog, destacando os pontos positivos e negativos.

    É necessário ? Sim, mas a que custo ? Não seria mais adequado, primeiro investir nas soluções mais simples e econômicas e ao mesmo tempo, ou, um pouco depois, nas demais, mais complexas e custosas ?

    Novamente, me parece simploriamente que, é colocado o carro na frente dos bois.

    Afinal, a embalagem é mais bonita, não é mesmo ?!

    Abçs.

  2. Nada contra o VLT. Mas seu custo realmente é alto, ainda mais se comparado aos benefícios que ele poderia trazer.
    O assunto foi trazido de novo ao Blog, porque essa aprovação do Governo Federal é dessa semana.
    Os investimentos devem ser pensados de maneira a respeitar o dinheiro público.
    Se o VLT atender realmente as necessidades da população, ótimo.
    O problema é que temos de analisar que o a diferença de custo entre VLT e BRT pode ser usada para a criação de modais de massa mesmo, como trem e metrô.
    E O BRT, que é mais barato e tem boa capacidade de atendimento, crescer junto com o metrô de modo a não permitir que estações já nasçam saturadas e auxiliar o metroferroviário não só o alimentando, mas o complementando, de modo a evitar integrações entre o metrô desnecessárias. Estes pontos de BRT seriam em estações entre um ponto e outro de alta demanda. Assim, evitaria que uma pessoa fosse até uma estação mais movimentada só para fazer uma baldeação para um trajeto menor que o ônibus poderia atender. E evitar também trajetos negativos, pelos quais as pessoas tem de ir até um ponto e depois retornar a viagem quase pelo mesmo trecho, mas em outra linha, para chegar ao seu destino.
    A questão deve ser debatida.
    Em Salvador e em Cuiabá, os recursos para o BRT já estavam liberados. Agora se gastará muito mais. A expectativa é que o atendimento seja PROPORCIONALMENTE maior.
    Não é logico gastar 4 vezes mais para atender uma demanda 2 vezes maior.

    • Adamo,

      É sempre pertinente debater assuntos importantes e o seu papel têm sido de fundamental relevância, pois, quanto mais se debate, mais se divulga e, constrói-se o entendimento das pessoas a respeito.

      Contudo, quando você refere-se a lógica, perdoe-me por fazer uma pequena observação. Quanto maior o custo, maior o “dividendo”.

      É isso, infelizmente.

      Abçs.

  3. Já temos precedente para estas obras mais caras e de grande impacto que é o metrô de Salvador. Do jeito que estão as coisas, estes VLTs já nascem um fracasso, pois vão consumir o dobro de recurso do que o divulgado (como de praxe) e ainda quase certeza que não ficam prontos a tempos.

  4. O metrô salvadorense está parado tem mais de uma década certo? Por qual motivo achar que o vlt vai sair do papel?

  5. Adamo Bazani, atuo a 40 anos no setor de transporte e me aposentei pelo metro de São Paulo em 2003 onde participei dos planos das linhas Leste Oeste, extensão norte da linha norte Sul e da linha paulista bem como da elaboração da rede basica. Isso me deixa a vontade para defender no caso de Salvador a opção pelo BRT como forma de enfrentar o passivo que aquela cidade tem de mobilidade, das pessimas experiencias de implantação de sistemas sobre trilhos e em particular da implantação na na AV Paralela que passa distante das areas populares e que terá muita dificuldade de fazer a integração penalizando os usuáios com varios transbordos que o BRT evitaria, além deste ter um progeto amadurecido a varios anos.
    Outro ponto é insistirem em implantar sistema metroferroviários quando tem um a 12 anos inconcluso para operar 6 km e agora se arvoram implantar 20 km em praticamente dois anos (dezembro de 2013) que seja mais um ano , quando São Paulo tem grande experiencia e sucesso no planejamento, implantação e operação atingiu o recorde de 2,3 km ano.Podemos esperar com alto grau de certeza que a Copa em Salvador vai encontrar varios canteiros de obras e quem sabe um pequeno trecho operando.Logo um alto risco politico em plena campanha para Governador e Presidente.
    Outro ponto a se considerar é de quam paga a conta do subsídio da operação.O Estado da Bahia está assumindo um alto compromisso de financiamento das obras e equipamentos e deverá assunmir também o subsídio dos sistemas metroferroviários que é muito alto.
    Quanto a demanda estimada para o trecho sabe-se que ela é perfeitamente absorvida pelo sistema de BRT com seus sistemas de controle operacional e gestão de varias linhas em um trecho nos proximos 20 anos, então podemos supor que teremos um sistema ocioso metroferroviários nesse periodo.
    Adamo queria terminar falando sobre o legado da mobilidade com a Copa, na minha opinião a Copa veio para trazer a filosofia da priorização do transporte público na mobilidade urbana num país que optou pela universalização do uso do automóvel como forma de suprir os deslocamentos da população. Fato hoje comprovado a sua falencia pelos crescentes congestionamentos. Assim o que a copa nos trouxe foi o compromisso de ter um prazo público para que inicie-se um processo de imvestimentos permanentes em transportes públicos estruturantes (são 10 bilhões ano) que poderiamos lutar para que se repita nos anos seguintes a copa. De outra parte podemos mostar ao mundo um Brasil da Cidadania e não da selvajeria no transito onde as ruas sejam das pessoas e não dos veículos.
    Um comentário final, gosto muito da figura do onibus da EPT de Santo André que tive a honra de implnatar como Secertario de Transportes de Santo André sob a coordenação do competente , amigo e saudoso Prefeito Celso Daniel
    Fico a seu dispor nas areas de minha atuação nos espaços da internet abaixo
    um abraço e continue em sua batalha pela cidadania na mobilidade urbana

    • Olá Sr. Nazareno. Primeiramente digo que é um prazer receber um comentário seu.

      Realmente esta questão do atendimento do VLT às periferias, que o senhor citou, é extremamente importante. Ele é muito mais limitado quanto a isso e suas integrações com ônibus alimentadores são mais difícies que no caso dos alimentadores se integragrem com o BRT. Aliás, em alguns casos, alimentadores e ônibus de BRT podem dividir determinados trechos do Corredor.
      Enquanto a integração entre VLT e ônibus locais exiige mais estrutura, investimento e espaço.
      O grande problema é a visão imedfiatista eleitoreira dos políticos. Corre-se o risco de as obras não serem terminadas até a Copa, mas elas irão ser iniciadas e isso já bastya para fazer propaganda. “Eu sou o Governo do VLT”. E SE NÃO CONLUIR? É fácil, coloca a culpa em alguém. “Nosso Governo implantou o Moderno VLT, não o concluímos porque não recebemos verbas do Federal, do BNDES, a oposição travou o projeto, etc” E ainda poder ser usada mais uma desculpa: “Olha, começamos o VLT, tivemos coragem, quer que ele termine? Vote em nossa continuidade”…Infelizmento o lado polítiqueiro existe.

      QUANTO AO SENHOR, para ter uma idéia, tenho uma carta – resposta que o senhor me mandou na época da implantação da EPT. Eu era moleque, tenho guardada até hoje. Eu escrivi para o senhor pedindo para colocar um modelo 0 371 na linha B 63 e na B 11.
      Na época eu já adorava transportes e tenho bastante material de recordação guadado, principalmente edições do jortnal O PASSAGEIRO, que explicava as mudanças.

      Abraços e nos prestigie sempre.

  6. Caro Ádamo
    Noutras ocasiões aqui no blog manifestei que BRT não pode ser comparado a VLT em capacidade e impacto ambiental e comentei os motivos. Reitero a opinião.

    Confesso também não ter gostado da ilustração desta matéria, mostrando VLT “à moda antiga” com dormentes visíveis, catenárias invasivas, pedras nas laterais e postes feiosos. Muito diferente dos vídeos de sistemas europeus recentes e um último de Israel: extremamente integrados ao meio urbano, sem catenárias, com trilhos discretos e paradas/estações eficientes e de bom gosto, valorizando o meio urbano.

    O ritmo muito lento da implantação de trilhos urbanos no Brasil é bem diferente de outros países de mesma população, capacidade econômica, educação e evolução. Portanto se deve a falta de capacidade e competência política. De engenheria não, até porque nossas grandes empreiteiras controem ferrovias, estações e sistemas ferroviários em concorrências ganhas mundo afora.

    O bom argumento em favor do inteligente e eficaz BRT sobre VLTs é que VLT exige estudos muito mais confiáveis do crescimento/evolução da região da Rota para não perder o alto investimento. Enquanto BRT tanto pode evoluir facilmente para sistemas de alta capacidade como ser deslocado caso a demanda venha a diminuir.

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  1. Escrevendo a Real – Mobilidade e infraestrutura de Salvador

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