MANUTENÇÃO: UMA ÁREA QUE SALVA VIDAS

acidente bonde santa teresa
Acidente com Bonde, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, matou cinco pessoas no último final de semana. Precariedade da manutenção dos veículos e do sistema é investigada pela Polícia e órgãos técnicos. Fonte Agência Estado

Manutenção: Uma área que merece total atenção.

MARCOS GALESI

O acidente que ocorreu com o Bondinho de Santa Teresa no Rio de
Janeiro me chamou muito a atenção para o ponto na qual a perícia
detectou naquele veiculo que descarrilou: FALTA DE MANUTENÇÃO.
Peças importantes amarrados com pedaços de arames, longarinas soldadas
inúmeras vezes, enfim muitas irregularidades detectadas.
Isso me remete aos anos 90 quando o transporte coletivo estava
desorganizado, com ônibus lotados e o sistema perdendo passageiros por
conta das péssimas condições.
Quando iniciaram as lotações e os ônibus clandestinos na cidade de São
Paulo, me lembro que existiam peruas com direção com uma volta de
folga, sem freios, já os ônibus sem velocímetro, sem tacógrafo,
algumas latarias remendadas com pedaços de chapas de latas de óleo de
cozinha, no lugar de alguns cabos, arames, até para se segurar um
pedal de freio se apelava para um pedaço de arame. Foi uma fase
caótica no transporte coletivo.
Os anos se passaram, e hoje é claro, os transportes são um pouco mais
seguros, graças à atuação de órgãos como o da São Paulo Transportes, e
o da EMTU que mantém fiscalização e qualquer manutenção pesada que é
feita no veículo, passa se pela vistoria em todos os itens.
No caso da São Paulo Transportes, todos os itens são rigorosamente
verificados, e caso um item não esteja de acordo, o veículo é
imediatamente lacrado.
Há até uma lista de itens de recomendação da própria SPTrans que é
remetido às empresas para ser seguido.

Como e quando é a periodicidade de cada revisão?

1ª revisão – 5.000 km
2ª revisão – 15.000 km + checagem dos itens anteriores de 5.000km
3ª revisão – 20.000 km + checagem dos itens anteriores (5 e 15.000 km)
4ª revisão – 25.000 km + checagem dos itens anteriores (5, 15 e 20.000 km)
5ª revisão – 30.000 km + checagem dos itens anteriores (5, 15, 20 e 25.000 km)
6ª revisão – 40.000 km + checagem dos itens anteriores (5, 15, 20, 25
e 30.000 km)
7ª revisão – 60.000 km + checagem dos itens anteriores (5, 15, 20, 25,
30 e 40.000 km)
8ª revisão – 70.000 km + checagem dos itens anteriores (5, 15, 20, 25,
30, 40 e 60.000 km)
9ª revisão – 120.000 km + checagem dos itens anteriores (5, 15, 20,
25, 30, 40, 60 e 70.000 km)

MANUTENÇÃO PREVENTIVA OU MANUTENÇÃO CORRETIVA ???

Para se ter uma idéia, um veículo que trafega por dia 191 km, em 10
dias ele rodou 1910 km, e em 26 dias, este ônibus rodou 4966 km,
então, este veículo praticamente já pode passar pela revisão dos 5.000
kms.
Imagine uma empresa com 1200 carros, e mais 85 linhas e cada carro
passando pela manutenção preventiva?
As empresas responsáveis, costumam fazer suas manutenções de forma
preventiva até mesmo antes do prazo dos 5.000 kms.
Uma manutenção preventiva pode baratear os custos de manutenção, um
pequeno exemplo prático, é que há pessoas (no caso de carro de
passeio) que esperam partir uma correia dentada do que trocar
preventivamente, e acabam pagando caro numa eventual manutenção
corretiva. Uma simples correia dentada, “Fica a dica”, varia de R$
14,00 à R$ 27,00 reais, a mão de obra de um mecânico varia de R$ 20,00
a R$ 30,00 no máximo, enquanto que quando estoura uma correia dentada,
para se fazer a parte de válvulas e cabeçotes, fica em torno de R$
3.500,00 reais entre peças e mão de obra.
Sistema de Freios: Para se trocar uma pastilha de freio
preventivamente, o preço (veículo de passeio), a pastilha em torno de
R$ 30,00 e mão de obra entre R$ 25,00 a 35,00 no máximo, agora, se no
momento que você necessitar dos freios eles falham, e você acaba
batendo no veículo que está na sua frente, imagine a dor de cabeça que
você tem. Atente sempre às manutenções do fabricante do seu veículo.
Lembre-se, compensa mais fazer manutenção preventiva do que manutenção
corretiva.

POR QUE MESMO COM TANTOS CUIDADOS, AINDA TEMOS PROBLEMAS DE MANUTENÇÃO??

As empresas de ônibus que são responsáveis tem manutenções impecáveis
e seus ônibus são seguros. Muitas vezes até culpamos o veículo, mas,
se estamos utilizando o veículo da empresa, é nossa obrigação
verificar todos os itens de segurança, quando há algum problema, fazer
uma ficha relatando à manutenção os problemas que ocorre.
Há alguns dias houve um acidente com o ônibus de uma determinada
empresa e foi apurada que a barra de direção estava quebrada, e de
acordo com informações, o motorista que trabalhou com o veículo não
relatou o problema através da ficha para fazer a devida manutenção.
Outro caso que houve, foi a roda de um ônibus que se soltou de um
veículo no dia 2 de Agosto.
Sabemos que muitos motoristas cuidadosos costumam fazer a ficha
relatando, mas muitas vezes o setor de manutenção não dá a devida
atenção por conta de que quanto maior a empresa, maior são os
problemas, há empresas que tem 1200 ônibus que tem 50 carros na
manutenção, não é fácil, muitas vezes não é uma equipe de mecânicos
que dão conta de tantos serviços, o preventivo e o corretivo.
Hoje, o transporte é mais seguro do que nos anos 80, avançamos muito,
hoje temos o freio ABS, freio a disco,e mais alguns itens de segurança
que não tínhamos nos anos 80. A tecnologia veicular avançou muito nos
últimos anos, hoje temos veículos mais seguros, um deles tive a
oportunidade de ver em um evento da VVR do ano passado um Volvo B 12R
Articulado da empresa Leblon, que inovou com sistema de gerenciamento
eletrônico e com computador de bordo, e este veículo não parte se
todas as portas estão abertas. Há veículos de empresas aqui em São
Paulo que tem o equipamento Anjo da Guarda, mas, há ônibus de algumas
empresas que os motoristas acabam desligando o Anjo da Guarda, que é
um item importante para segurança do próprio passageiro e neste
veículo Volvo não há como o motorista desligar este componente que
impede do veículo sair do ponto sem fechar as portas.
O sistema de gerenciamento deste veículo, é programado a cumprir a
velocidade máxima determinada pela empresa. As empresas Mercedes,
Volkswagen-Man e Scania estão seguindo esta tendência.
Todos os ônibus dão problemas, mas se a manutenção for periódica,
seguido à risca as recomendações do fabricante, este ônibus é o que
vai ser o mais produtivo.
Marcos Galesi, vice-presidente do Movimento Respira São Paulo e especialista em transportes