EMPRESAS DO SETOR DE TRANSPORTES CADA VEZ MAIS SE ENGAJAM EM PROL DO MEIO AMBIENTE

Prêmio Mérito Ambiental
Lusuir Grochot, diretor Negócio Ônibus Brasil da Marcopolo, recebe o Prêmio Mérito Ambiental Henrique Luiz Roessler. Foto: Guiliano Cecatto

Marcopolo recebe um dos mais importantes prêmios sobre sustentabilidade do Sul do País
Prêmio Mérito Ambiental Henrique Luiz Roessler foi concedido por conta da série de iniciativas da encarroçadora gaúcha em prol do meio ambiente

ADAMO BAZANI – CBN

Seja por força de legislação, seja por maior conscientização e mudança de cultura, com vistas para um futuro melhor, as empresas ligadas ao transporte de passageiros têm cada vez mais investido em ações de preservação ambiental, que na verdade, são atitudes de valorização à vida.
Exemplos noticiados por nossa reportagem não faltam. A Metra, responsável pelo Corredor ABD (São Mateus – Jabaquara) aplica recursos em tecnologias limpas, como operação com trólebus e ônibus híbridos, além de iniciativas, como a do Corredor Verde, com o plantio de árvores ao longo do trecho servido pela empresa. A Leblon, em Mauá, instalou um sistema de destinação correto de efluentes e aproveitamento de água e recentemente teve 100% da frota aprovada pelo Projeto Despoluir. A VIM – Viação Metropolitana, que opera na Zona Sul da Capital Paulista, adquiriu ônibus movidos a etanol, que podem reduzir em até 90% alguns tipos de poluentes. A Transppas testa veículos híbridos e a Viação Santa Brígida, os ônibus movidos a diesel de Cana de Açúcar.
As fabricantes também oferecem soluções que não agridem o meio ambiente. A Mercedes Benz junto com a Amyris do Brasil expande as operações com o diesel de cana de açúcar. A Scania aposta no etanol como alternativa ao combustível fóssil e a Volvo vai produzi ônibus elétricos híbridos, que funcionam com diesel ou gás natural e a eletricidade sem a necessidade de fios. A MAN, por sua vez, permite que os ônibus sejam flex e usem o Gás Natural, abundantes em algumas regiões, como o Rio de Janeiro, como um dos combustíveis.
Mas não apenas na operação é que os transportes coletivos podem trazer vantagens ambientais. Algumas empresas se preocupam com essa questão também na produção dos veículos, o que aumenta os ganhos ecológicos dos ônibus, que por si só trazem vantagens por tirarem uma série de carros de passeio das ruas, que causam congestionamento e poluição.
Um dos exemplos dessa produção de ônibus sustentável é a Marcopolo, empresa de Caxias do Sul, com unidades em diversos países, que atua no ramo de encarroçamento de ônibus desde 1949.
Por realizar uma série de ações em prol do meio ambiente, a marca recebeu uma das mais importantes premiações gaúchas que enfoca a questão: o Henrique Luiz Roessler, instituído pela revista Ecologia & Meio Ambiente RS.
De acordo com a Marcopolo, programas de conscientização de funcionários para que boas práticas sejam adotadas dentro da empresa e estendidas pela comunidade e também o investimento em novas tecnologias que usem materiais menos agressivos à natureza e melhor aproveitados são algumas das ações do grupo.

Marcopolo
Marcopolo se destaca por uma série de ações ambientais que renderam premiações e certificações, como ISO 14001, OHSAS 18001 e SA 8000. Entre as ações estão a instalação de uma das primeiras UPR - Unidade de Processamento de Resíduos, para melhor valorização dos materiais recicláveis e aterro dos não reutilizáveis, Gerenciamento Continuado de Resíduos Sólidos, co m máximo aproveitamento de recursos naturais, sendo possível o suo até por 4 vezes mais dos bens da natureza e recuperação de um terço do material que seria descartado e o Reciclagem com Reuso, que permite que o papel com tinta, utilizado nas latarias para a pintura das carrocerias seja reciclado da melhor maneira possível. Este último programa é capaz de aproveitar cerca de 250 toneladas de papel por ano, o que representa aproximadamente 7 mil árvores poupadas. Foto: Adamo Bazani.

Há também programas específicos. Entre eles se destacam:
– UPR: A Marcopolo foi uma das primeiras do Rio Grande do Sul a ter uma Unidade de Processamento de Resíduos (UPR), que tem o objetivo de identificar quais os materiais que podem ser reciclados e comercializá-los de maneira socialmente correta. Além disso, o que não pode ser reciclado, é acondicionado em células de aterro para evitar contaminações do solo.
– Reciclagem com Reuso: Desde outubro de 2001, o programa, que faz parte da gestão da empresa, é responsável pelo aproveitamento de aproximadamente 250 toneladas de papel com tinta por ano. Isso equivale a preservação de cerca de 7 mil árvores. Esse papel é usado no isolamento da carroceria dos ônibus para a pintura da lataria. Esse programa já recebeu outras premiações como Expressão de Ecologia 2002 e Top de Ecologia ADVB 2002.
– Gerenciamento Continuado de Resíduos Sólidos: Este programa existe desde 1999 e tem o objetivo de aproveitar ao máximo os recursos naturais existentes, em alguns casos, até 4 vezes de aproveitamento. Além disso, é possível recuperar um terço de materiais que antes eram descartados.
Tratamento dos efluentes, com laboratório próprio, e monitoramento das emissões atmosféricas, fazem parte do Sistema de Gestão Ambiental da Empresa.
A Marcopolo possui também uma série de certificações oficiais sobre qualidade e meio ambiente, como ISO 14001, OHSAS 18001 e SA 8000.
O Prêmio Henrique Luiz Roessler tem o objetivo de divulgar para gestores públicos e sociedade em geral as iniciativas das empresas em prol da preservação do meio ambiente, do qual o ser humano necessita para a manutenção de sua vida.
É uma forma de disseminar boas práticas e criar culturas para produção e consumo com sustentabilidade.

HENRIQUE LUIZ ROESSLER:
Henrique Luiz Roessler foi um dos primeiros defensores públicos da natureza no Brasil. Apelidado de “caçador dos caçadores”, denunciava a caça e a devastação indiscriminadas.
Funcionário público de São Leopolodo, no Rio Grande do Sul, fiscalizava a poluição gerada por curtumes, atividades manufatureiras, caça ilegal e escreveu mais de 300 artigos no jornal Correio do Povo, sobre a necessidade de preservação ambiental, numa época em que pouco se discutia sobre o assunto.
Ele nasceu em 16 de novembro de 1886, em Porto Alegre, morrendo na mesma cidade, no dia 14 de novembro de 1963.
Ele ia fundo nas fiscalizações contra as atividades de caças ilegais. Tanto é que perdeu um dos pés numa armadilha feita por caçadores.
Em 1955, criou a União Protetora da Natureza, um dos primeiros movimentos ambientalistas do Rio Grande do Sul.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes