O MOMENTO DA INDÚSTRIA DE ÔNIBUS

nùmeros da indústria

Crescimento da produção de carrocerias foi de 6%, totalizando 15847 unidades no primeiro semestre de 2011. Foram licenciados 16261 chassis, 23% a mais que o primeiro semestre de 2011. Antecipação da renovação da frota para os empresários se livrarem dos preços maiores dos veículos que em 2012 vão seguir novos padrões de emissão de poluição, proximidade das eleições municipais, quando os gestores públicos pensando em sua imagem política pressionam renovação da frota, licitação da ANTT, que abrange cerca de 2 mil linhas de ônibus, licitações de ônibus urbanos regionais e o ritmo para Copa do Mundo e Olimpíadas são alguns dos motivos. Foto: Adamo Bazani

Com mais de 15 mil unidades, carrocerias devem registrar um dos melhores resultados da história. Crescimento é de quase 6%
Algumas empresas do setor registraram crescimento. A líder do mercado prevê receita líquida de mais de R$ 3,2 bi para este ano

ADAMO BAZANI – CBN

Até o momento, o ano tem sido favorável para o setor de produção de carrocerias de ônibus do Brasil.
É o que indicam os números da Fabus (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus) que congrega as principais fabricantes do País.
Majoritariamente formado por empresas de capital nacional, o setor foi responsável por produzir de janeiro a junho de 2011, 15847 carrocerias. O número é 5,98% maior em comparação a 2010, quando foram construídas 14952 carrocerias para ônibus de diversos tipos.
O acumulado do ano passado foi de 32598 unidades, um dos recordes históricos da indústria de ônibus. Os fabricantes acreditam que esse recorde pode ser superado em 2011.
Mais uma vez, como é tradicional pelo perfil do mercado, que demanda mais ônibus urbanos, este tipo de veículo predominou. Foram 8986 unidades, o que representa mais da metade do mercado de ônibus: 56,7%
Entre as categorias a divisão da produção ficou da seguinte maneira:

URBANOS: 8.986 unidades (56,7% do mercado)
RODOVIÁRIOS: 3342 unidades (21,09% do mercado)
INTERMUNICIPAIS: 1371 unidades (8,65% do mercado)
MICRO-ÔNIBUS: 2072 unidades (13,08% do mercado)
MINIONIBUS: 76 unidades (0,48% do mercado)

A Fabus contabiliza a produção de 07 marcas de carrocerias brasileiras. A Busscar que chegou a ser vice –líder geral do mercado não consta mais no levantamento. Em crise financeira desde 2008, devendo mais de R$ 600 milhões em salários, com mais de 1,5 ano de atraso e com a produção estagnada, a empresa não faz mais parte do quadro associativo da Fabus desde 2009
A marca que apresenta o maior número de carrocerias é a Indusscar/Caio, com produção maior do segmento de urbanos. No total, a Caio produziu 4 344 ônibus de janeiro a junho de 2011. Mas o grupo líder de mercado é o da Marcopolo. Detentor das marcas Marcopolo e Ciferal (que produz o modelo urbano Torino), o grupo produziu 6542 ônibus, sendo 3886 nas unidades da Marcopolo, no Rio Grande do Sul, e 2656 veículos, com a marca Ciferal.
A Marcopolo neste semestre produziu 8,8% a mais que no mesmo período do ano passado. A receita líquida do grupo neste semestre foi de R$ 1,531 bilhão, com 14523 unidades produzidas em todo o mundo. A Marcopolo mantém expectativa de crescimento para este ano. A Receita Líquida, de acordo com a empresa, deve subir de R$ 3,15 bilhões em 2010 para R$ 3,25 bilhões em 2011, com 30.200 unidades produzidas ante 29.300 do ano passado, o que significa crescimento de mais de 3% aproximadamente.
Em relação às associadas da Fabus, a divisão entre as marcas se deu da seguinte maneira neste primeiro semestre (A participação no mercado foi levantada pela reportagem):

MARCOPOLO: 3886 unidades (24,52% de participação no mercado)
CIFERAL: 2656 unidades (16,76% do mercado)
(Como Marcopolo e Ciferal são do mesmo grupo, juntas as marcas produziram 6542 ônibus, que representam 42,23% do mercado)
CAIO: 4344 unidades (27,41% do mercado).
COMIL: 1739 unidades (10,97% do mercado)
NEOBUS: 1634 unidades (10,97% do mercado)
MASCARELLO: 1267 unidades (7,99% do mercado)
IRIZAR: 321 unidades (2,02% do mercado).

A força da indústria de ônibus tem sido o mercado interno. E são vários os fatores que podem explicar este fato. As proximidades das eleições municipais de 2012 fazem com que as cidades intensifiquem o ritmo de renovação de frota de ônibus urbanos, que é a maior parte do mercado. Apesar de a grande maioria da frota nacional ser particular, para melhorar a imagem com vistas a agradar o eleitor, as administrações municipais criam regras mais rígidas sobre idade da frota ou mesmo pedem às empresas a renovação. Uma mostra da influência do transporte na percepção de bem estar do cidadão e na formação de uma imagem política.
Além disso, no próximo ano entram em vigor as novas normas de controle de emissão de poluentes. Elas fazem parte da faze 7 do Proconve – Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (P 7), baseadas nas exigências européias Euro V. Os veículos a diesel serão mais tecnológicos e caros também, com valores entre 10% e 15% superiores aos dos praticados hoje. Para se livrarem dos preços maiores e também do uso de aditivos e substâncias que controlam o nível dos poluentes, como o ARLA 32 (Agente Redutor Automotivo, com 32% de uréia industrial), desnecessários para os padrões de emissão de hoje), os empresários anteciparam as renovações previstas para os próximos anos.
O setor rodoviário se prepara para a maior licitação da história. A ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres – deve passar de –permissão para concessão o regime de mais de 2 mil linhas de ônibus interestaduais e internacionais. Além de oferecer um novo conceito de serviços, parecido com o das empresas aéreas com mais interatividade entre empresa e passageiro e equilibrar a distribuição de linhas entre as empresas, a licitação vai exigir redução na idade média da frota, hoje de 14 anos. Essa idade terá de ser de 05 anos, sendo que atualmente, cerca de 50% teriam de ser trocados para que fossem respeitados os 10 anos limites de idade de cada ônibus.
As empresas de ônibus maiores, já que deve haver uma eliminação dos pequenos que não conseguem cumprir todo o edital, se preparam e começam ir às compras.
As licitações nas cidades, programas de renovação previstos e o clima pré Copa do Mundo e pré Olimpíadas também são favoráveis para a comercialização de ônibus no Brasil.

MERCADO EXTERNO:

Se o mercado interno de ônibus vai bem e aquecido por vários fatores específicos, além dos habituais característico do tamanho do setor de transportes rodoviários do País, o mercado externo ainda não apresenta os números animadores e nem deve ser destaque neste ano.
As instabilidades econômicas internacionais e a valorização do real frente ao dólar têm prejudicado os embarques internacionais de ônibus.
Das 15.847 carrocerias produzidos pelas empresas brasileiras, apenas 2055 foram embarcadas, no período de janeiro a junho de 2011.
Mesmo assim, os veículos brasileiros são consumidos no exterior.
Além disso, empresas multinacionais brasileiras têm registrado volume considerável de produção, ainda mais na América Latina.
É o caso da Marcopolo, uma das poucas empresas com bandeira brasileira que produz no exterior.
A expansão de negócios nas unidades da Marcopolo no exterior é de 9,4%. Neste primeiro semestre foram produzidos pela Marcopolo no exterior, 4940 ônibus, No ano passado foram 4498 veículos. Os aumentos mais expressivos foram na Argentina, Colômbia e México.
Na Argentina, o crescimento da produção foi de 99,3%. Na Colômbia, a Marcopolo produziu mais 46,5% de ônibus e no México a produção ficou 44,8% maior.
Em comunicado à imprensa, a assessoria que presta serviços para a Marcopolo, divulgou a palavra do diretor geral da empresa, José Rubens de La Rosa, sobre o mercado externo e interno.
“Desde 2009, os operadores de transporte vem investindo na renovação e ampliação de suas frotas. Isto tem se convertido em um aumento dos pedidos, inclusive de modelos mais sofisticados, como os rodoviários. Nossa expectativa é que, no segundo semestre, as vendas se intensifiquem ainda mais”, disse José Rubens de la Rosa, que fez um balanço sobre o desempenho da Marcopolo no exterior.
“Na Índia, a produção ficou praticamente igual à do primeiro semestre de 2010, com aumento de 0,7%. Montamos 2.953 veículos contra 2.932 no primeiro semestre do ano passado. Na África do Sul e no Egito é que tivemos retração. Na África, de 55,1%, com a produção de 129 ônibus, e no Egito, de 41,3%, com 111 unidades montadas”.
Mesmo que o cenário externo estivesse melhor, com mais estabilidade econômica global e um câmbio menos valorizado, as vendas para outros países dificilmente acompanhariam o ritmo interno que está bem intenso pelos fatores como proximidade de eleições municipais, antecipação da renovação da frota em busca de veículos mais baratos que os lançados em 2012 que seguem novas normas de controle de emissão de poluentes e licitações de grande porte. Mas que os embarques poderiam ser maiores, isso é um fato.

CHASSIS:

O ônibus é composto por chassi e carroceria, que são, normalmente comprados separadamente e depois montados, principalmente nas encarroçadoras que recebem as plataformas.
Assim, se o mercado de carrocerias é aquecido, o de chassi também.
Não é via de regra, mas o número de vendas de chassi nos acumulados tende a ser maior que o de carrocerias. Isso porque, na maior parte das vezes, o empresário de ônibus ou gestor público compra primeiro o chassi e depois a carroceria.
É o que refletem os números do acumulado do primeiro semestre da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.
O crescimento, no entranto, de janeiro a junho do setor de chassis foi bem maior que o de carrocerias. Enquanto as carrocerias tiveram crescimento de 6%, foram licenciados 23% a mais de chassis no primeiro semestre de 2011 em comparação ao mesmo período de 2010.
Foram 16 mil 261 unidades neste ano contra 13 mil 210 dos seis primeiros meses de 2010.
Entre as fabricantes, a Mercedes Benz lidera o mercado, com cerca de 50% de participação, seguida da Volkswagen MAN, que alcançou 33%.
A divisão do mercado no primeiro semestre de 2001 é a seguinte:

Mercedes Benz : 7082 chassis
Volkswaven/MAN: 5415
Agrale: 2219
Iveco: 700
Scania: 503
Volvo: 316
Outras: 26 unidades

Destaque de crescimento para a Iveco, que no ano passado emplacou 218 chassis e neste ano chegou a 700 unidades, um aumento de 221,1%
A maior queda foi da Scania. No primeiro semestre de 2010, foram licenciados 586 chassis e neste ano, no mesmo período, 503 ônibus, queda de 14,2%
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

5 comentários em O MOMENTO DA INDÚSTRIA DE ÔNIBUS

  1. galesitransportes // 24 de agosto de 2011 às 04:00 // Responder

    Sinceramente espero que a Busscar consiga acompanhar o mercado e saia em breve deste marasmo de falência.
    A Busscar é inaceitavel o momento dela, mas é preciso que haja vontade politica de dentro da diretoria da Busscar de se mudar para melhor e não para pior.Se é necessário que eles contratem um administrador, que contratem e deixem o administrador trabalhar e que aqueles que vivem da Busscar possam desfrutar. Acho que o velho Nielson deve estar se revirando de revolta no seu caixão.

    • Galesi, boa noite.

      Se você um Banco, o Banco Central interviria, mas como é uma indústria que
      gera emprego e renda …..

      Ninguém ajuda, lembra da Gurgel, o Sr. Gurgel teve grandes idéias e nenhum apoio.

      É assim; aos amigos tudo, aos inimigos…

      Grato
      Paulo Gil

  2. Bom dia.

    Sobre o tema. Nossa indústria, em todos os níveis, é forte, precisa melhorar, mas é boa e forte e, este post, é a prova.

    Planejar e executar melhorias, não deve ocorrer ao sabor de motivações “estranhas”. Deve seguir o planejamento e capacidade de execução já construídas.

    Quando ingerimos água, um litro por exemplo, ingerimos pouco a pouco e não tudo de uma vez.

    Assim é a vida.

    Mudar ou apertar as regras do jogo, só para, como dizem “ficar bem na fita”, é mudar as regras do jogo, aos 5 minutos do segundo tempo.

    Isto não é bonito.

    Forte abraço.

  3. eduardo garcia lopes // 23 de novembro de 2011 às 03:59 // Responder

    Amigos busólogos. pergunta? quanto está custando uma cxarroceria urbana? em qual sitre eu poderia verificar esses preços aproximados?
    grato

  4. eduardo garcia lopes // 23 de novembro de 2011 às 04:00 // Responder

    Desculpe os erros,, carroceria urbana [viale ,torinoi apache vip. etc
    existe algum site que fale sobre?grato de novo

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: