VIOLÊNCIA EM ÔNIBUS: Não é apenas sensação !

Sequestro em ônibus

Ônibus da Viação Jurema, de linha seletiva, que foi seqüestrado na terça-feira dia 09 de agosto. Crime levantou a antiga questão. É seguro andar de ônibus em cidades como Rio de Janeiro? O que poderia ser considerado apenas uma sensação de insegurança é um fato comprado em números. No ano passado forma mais de 7 mil assaltos a ônibus no Rio de Janeiro e só no primeiro semestre deste ano, 3 mil assaltos, isso sem contar assassinatos cujo alvo é o motorista por problemas pessoais, brigas de trânsito, comportamento inadequado de passageiros e até ações de grupos criminosos organizados. Foto: R 7.

Número de passageiros de ônibus seqüestrado cai 10%
Informação é dos funcionários da Viação Jurema do Rio de Janeiro, que dizem ter sido vítimas de outras ações violentas durante o exercício da profissão

ADAMO BAZANI – CBN

Medo. Esta é a única explicação razoável para a queda do número de passageiros da noite para o dia da linha de ônibus seletivos Praça XV – Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, da Viação Jurema.
A diminuição de pessoas da linha do ônibus que foi seqüestrado no último dia 09 de agosto por um bando de criminosos foi constatada pelos próprios funcionários da empresa.
Pelo menos 150 pessoas por dia deixaram de usar a linha.
Na terça-feira, o ônibus seguia no sentido Duque de Caxias quando foi invadido pelo grupo de assaltantes.
Ao avistar policiais militares, o motorista conseguiu avisá-los, na Avenida Presidente Vargas, região Central do Rio de Janeiro. Um policial entrou no ônibus e o motorista fugiu.
O policial militar foi rendido pelos assaltantes que o expulsaram do ônibus. O policial Marco Antônio Blanco antes de ser retirado do ônibus foi ferido.
Começou então uma perseguição de dezenas de viaturas ao veículo de transporte público.
O ônibus foi dirigido a mando dos assaltantes por um passageiro. Enquanto isso, o veículo foi alvejado pelos policiais. Foram 14 tiros.
O objetivo era atingir os pneus do ônibus para que ele parasse. Mas além de isso não ter sido suficiente para conter o ônibus, vários tiros perfuraram a lataria.
Ao menos cinco pessoas foram feridas: o policial militar e outros quatro passageiros. O caso mais grave foi de Liza Mônica Pereira, atingida no tórax, sendo ferida na costela, clavícula e no pulmão.
Após a chegada do Bope – Batalhão de Operações Especiais e de negociação de 35 minutos, os assaltantes deixaram o ônibus.
Foram presos em flagrante Renato da Costa Júnior, de 21 anos, e Bruno Silva Lima, de 19 anos.
Um criminoso fugiu momentos antes da negociação e outro na hora de se entregar. Este seria Jean Júnior da Costa Oliveira, sobrinho do traficante Fernandinho Beira Mar.
Por falta de provas mais concretas da participação dele no assalto, Jean acabou sendo liberado pela justiça, mas continua sendo investigado.
A polícia admitiu erros na tentativa de impedir o avanço do ônibus com disparos e dois policiais militares que admitiram ter atirado foram indiciados, porém, outros agentes também dispararam contra o veículo.

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A violência nos ônibus do Rio de Janeiro tem assustado cada vez mais os profissionais dos transportes e os passageiros.
No dia 05 de abril deste ano, o motorista de ônibus Ernesto Branco da Silva, de 49 anos, foi baleado por um passageiro quando se recusou a parar para ele descer fora do ponto, na Avenida Brasil, também no Rio.
O ônibus onde ocorreu este crime fazia a linha 342 Castelo – Jardim América, que serve uma série de favelas que ainda sofrem com a atuação de traficantes de drogas, como Funquim Mendes, Vigário Geral, Complexo da Maré e Jardim Alegria.
Há menos de um mês de o motorista ter sido baleado na linha 342, do Rio de Janeiro, outro profissional do transporte foi assassinado no Ponto final da linha que trabalhava. Daniel Ribeiro Oliveira foi motor no bairro Laranjeiras, na zona Sul do Rio de Janeiro.

NÚMEROS ALARMANTES:

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O medo expressado por motoristas, cobradores e passageiros de ônibus no Rio de Janeiro não é apenas uma sensação de insegurança.
Ele é provado por números.
De acordo com o Instituto de Segurança Pública, em 2010 foram registrados 7 mil 486 assaltos a ônibus no Rio de Janeiro.
Só no primeiro semestre deste ano, 3 mil 498 ônibus foram assaltados.
A média diária do Rio de Janeiro é de 19 assaltos a ônibus.

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Não bastassem os assaltos, rixas pessoais contra motoristas que colocam em risco a vida de uma coletividade e até brigas de trânsito que terminam em morte, os ônibus no Rio de Janeiro também acabam sendo alvos do mais descabido tipo de protesto. Os veículos são incendiados por ordem de traficantes principalmente quando seus comparsas são feridos ou mortos em combate com a polícia, numa medíocre demonstração de poder. Isso sem contar com incêndios por puro ato vandalismo
Assaltos, violência nos ônibus e incêndio a veículos não são exclusividades do Rio de Janeiro.
Cidades grandes, médias e pequenas registram risco aos passageiros e profissionais de transporte público.
Para amenizar a situação, as viações investem em tecnologia. São câmeras cada vez mais numerosas no interior dos ônibus, bilhetagem eletrônica para eliminar o dinheiro de dentro dos veículos, como propôs Campo Grande, no Mato Grosso do Sul ao sugerir a proibição do pagamento de passagens com dinheiro, GPS e outras formas de monitoramento.
Campanhas orientando motoristas e passageiros a não serem alvos do ataque de criminosos, que vão desde batedores de carteiras até chefes de comunidades do tráfico também são ações que parecem não ter o retorno esperado, mas que são necessárias.
O combate à violência passa por educação e melhores condições de vida à população em geral. Mas isso demanda tempo e está muito longe de ser feito adequadamente.
São necessárias medidas urgentes enquanto a raiz do problema é atingida. Como não é possível colocar um policial em cada ônibus, o que nem isso talvez resolveria, o combate à violência em geral, inclusive nos veículos, passa pela inteligência policial. Evitar ao máximo o que for possível de evitar, apesar de a criminalidade agir com o elemento surpresa.
Assim, pelos número do Rio de Janeiro, a sensação de insegurança nos ônibus não se limita apenas a um sentimento. É algo numericamente comprovado.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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