PASSAGEM DE ÔNIBUS VAI AUMENTAR NO DOMINGO

ônibus

Tarifas de ônibus interestaduais e internacionais semi-urbanos, com até 75 quilômetros de percurso, devem ser reajustados em 4,639% neste domingo dia 31 de julho. O reajuste é calculado sobre o aumento dos custos que formam o valor da passagem, como salários, combustíveis, lubrificantes, rodagem, aquisição de veículos e impostos. Aliás, na questão tributária, especialistas apontam o que consideram de distorção. As passagens de ônibus interestaduais pagam ICMS e de avião do mesmo serviço não. Mesmo as classes C e D tendo mais acesso ao transporte aéreo, ainda dependem dos transportes por ônibus, diferentemente das classes A e B. Novamente, de forma proporcional, quem tem menos renda acaba pagando mais impostos, como sempre na história deste país.

Ônibus de curta distância terá aumento no domingo
ANTT autoriza aumento de quase 5% nas tarifas de linhas interestaduais e internacionais com até 75 km de percurso

ADAMO BAZANI – CBN

A partir deste dia 31 de julho de 2011, as tarifas de ônibus interestaduais e internacionais de serviços considerados semi-urbanos, com até 75 quilômetros de percurso terão reajustes que podem chegar a 4,639%. O aumento foi autorizado pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, que fiscaliza e gerencia este tipo de serviço, prestado por empresas particulares.
No dia 01 de julho foi autorizado reajuste de até 5,017% para as tarifas de linhas de ônibus interestaduais e internacionais com mais de 75 quilômetros.
O valor das passagens pode ser arredondado para mais com o objetivo de facilitar o troco.
Além da categoria do serviço, fazem parte da cesta para os cálculos do reajuste itens como inflação de operação, salários e tributos.
Entre os índices usados na conta estão o ANP, sobre combustíveis, IPC – DI, que incide sobre os lubrificantes, PA – DI, sobre os custos gerais de rodagem. O peso dos salários no reajuste é calculado pelo INPC, peças e acessórios pelo IPA – DI, mesmo índice que mede o aumento dos custos para a aquisição de veículos e ativos, e as despesas gerais são reajustadas com base no IPCA.
Os gastos com pedágios e ICMS fazem parte também dos cálculos para a determinação do novo valor das passagens.
Vale ressaltar que, apesar de o setor de transportes não entender a lógica e a falta de igualdade de tratamento tributário, as passagens de ônibus interestaduais pagam o ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Já as passagens aéreas são isentas desta tributação.
Mesmo as classes C e D tendo mais acesso ao avião que hoje, elas ainda dependem muito dos serviços de ônibus interestaduais, que pouco são usados pelas classes A e B.
Assim, como em outros exemplos de tributação, no caso da isenção do ICMS para o avião e não para o ônibus, o tributo é repassado no valor das passagens, e mais uma vez na história deste país proporcionalmente quem ganha menos acaba pagando mais impostos.
O índice de reajuste sobre as tarifas de linhas de pequena distância é de 4,639% no máximo, podendo variar de acordo com o tipo de serviço e a planilha de custos das empresas.
Isso porque, mesmo tendo até 75 quilômetros, os custos podem variar de uma linha para outra dependendo da região e condições de operação.
Numa cidade cujos salários são maiores ou os trabalhadores tiveram reajuste, o valor da tarifa vai ser diferente de onde isso não ocorreu. O mesmo ocorre em regiões de boas estradas em relação às de difícil acesso, cujos custos com manutenção e combustível são diferentes.
O passageiro deve se informar com antecedência na empresa de ônibus para não ser pego de surpresa.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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