ARIVERSON FELTRIN: Morre um dos maiores jornalistas de transportes do País

Ariverson Feltrin

Um exemplo de amor aos transportes e seriedade e isenção nas coberturas jornalísticas, Assim era o trabalho de Ariverson Feltrin, que atuava no Jornal do Commercio, revistas Anuário do Ônibus, TechiniBus, Transporte Mundial, entre outras. Ele foi encontrado na terça-feira, dia 26 de julho, morto em casa. Antes mesmo de qualquer evento de moda, como Copa do Mundo e Olimpíadas, que evidenciam a carência de mobilidade e transporte de cargas, Ari Feltrin, há mais de 4 décadas foi responsável por trazer de maneira séria e aprofundada as discussões sobre o setor para a mídia geral. Trabalhou na Folha de São Paulo, Revista Veja, Diário do Grande ABC e Gazeta Mercantil. Ganhou respeito tão grande que transitava livremente entre os principais agentes de transportes, públicos ou privados, mesmo entre os que tinham interesses opostos entre eles. Ari, como era chamado pelos colegas e pessoas mais próximas, é um exemplo de como a imprensa deve tratar este setor tão importante e presente na vida das pessoas que é o transporte, cuja história ajudou a escrever no dia a dia do jornalismo.

País perde um dos principais jornalistas sobre transportes
Ariverson Ferltrin foi responsável por fazer com que os setores de carga e transportes coletivos fossem vistos com atenção pela mídia que não era especializada

ADAMO BAZANI – CBN

Se hoje os transportes coletivos ganharam espaço na mídia, e consequentemente no debate do dia a dia das pessoas, não é só por causa da Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, embora que a chegada destes eventos mundiais parece ter despertado de forma mais explícita a necessidade de modernização da mobilidade e dos deslocamentos das pessoas e a defasagem dos transportes, que não evoluíram no mesmo ritmo do crescimento das cidades.
No entanto, as discussões sobre os transportes coletivos na imprensa não são de hoje.
Na verdade, notícias sobre transportes sempre existiram. Mas discussão e uma abordagem mais especializada e com um olhar mais crítico e técnico ainda faz muita falta.
Mas se hoje há imprensa especializada no setor de transportes, é porque há décadas, profissionais sérios e apaixonados (seriedade e paixão não precisam se contradizer) começaram atuar neste tipo de cobertura.
Um deles, Ariverson Feltrin, de 64 anos, responsável por trazer à tona e à opinião pública conceitos e informações de transportes inéditas para a sociedade, foi encontrado morto na casa dele, na Vila Palmares, em Santo André no ABC Paulista.
Ariverson atuava no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, onde assinava uma coluna semanal sobre transportes, na Revista Isto É Dinheiro, e nas revistas especializadas Transporte Moderno e Techini Bus, da editora OTM. Ariverson era editor do Anuário do Ônibus, da mesma empresa.
Várias notícias em primeira mão sobre o setor de transportes e entrevistas marcantes, como a que fez com Jaime Lernner, após o então prefeito de Curitiba ter implantado na cidade o Primeiro BRT (corredores de ônibus rápidos e modernos) do mundo, e se lida hoje parece ser tão atual, foram algumas das marcas de Ari.
Ele era um missionário dos transportes. Discutia os assuntos com seriedade, propriedade e gosto.
Este jovem repórter que esteve com ele nos últimos meses, no Anuário do Ônibus, pode sentir sua dedicação aos transportes.
O setor dos transportes é marcado por interesses muitas vezes opostos, entre poder público e os próprios operados.
Mas como jornalista, isento que deve ser, e com sua competência, transitava livremente entre donos de empresas de ônibus, de transportadora de cargas, poder público, e era respeitado por todos.
Ariverson começou a carreira nos anos de 1960. Além de atuar em mídia especializada, trouxe a área de transportes para a imprensa geral. Foi revisor da Folha de São Paulo, correspondente da Veja no Norte do País, editor de transportes e logísticas na Gazeta Mercantil, além de atuar no Diário do Grande ABC.
Um laudo do IML (Instituto Médico Legal) vai determinar a causa da morte. Há suspeita que ele tenha morrido de sábado para domingo, mas só foi encontrado nesta terça-feira pela mulher, Neusa, que morava em casa separada.
Ariverson Feltrin deixou um exemplo de como deve ser a cobertura jornalística de transportes.
Se hoje, as notícias do setor viraram história, e temos conhecimento de como eram os modelos de ônibus e caminhões, sistemas e empresas e o jeito pelo qual evoluíram, muito desta história foi escrita por Ai Feltrin, ou Ari, como os colegas de profissão e os mais próximos chamavam
Adamo Bazani, repórter da Rádio CBN, especializado em transportes.

2 comentários em ARIVERSON FELTRIN: Morre um dos maiores jornalistas de transportes do País

  1. Boa tarde.

    Meus sentimentos à família e, o desejo de que ele seja iluminado e acolhido.

  2. Prezado Popa e família, tive a grande oportunidade de conviver com o Ari na minha fase de adolescência, privilégio. Além de ter sido o profissional competente e renomado, foi antes de tudo um ser humano, impar qua tal seu irmão, Feltrin , ajudou -me a enter as coisas simples e necessárias para a formação do carater de um jovem de 16 anos naquele momento. Guardemos a imagem do Ari, amigo , humano e insubstituível. Abraços do “Chacrinha”, Nelson Oliveira.

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