Para os sistemas de BRT, Bus Rapid Transit, corredores de ônibus modernos e que permitem acessibilidade e maior velocidade dos transportes públicos, a indústria brasileira apresenta veículos cada vez mais modernos. Maior conforto, aproveitamento do espaço urbano e da área interna do veículo, menores emissões de poluentes e até estética são alguns dos pontos pensados. O BRT consegue atender uma alta demanda, tem um custo de implantação baixo e requer obras mais simples e os resultados não ficam devendo para modais como VLTs e monotrilhos, por exemplo. Empresas como a Marcopolo se aproveitam das inovações tecnológicas, a companhia foi a primeira a fabricar um ônibus para BRT no mundo, sem deixar de lado a experiência, tradição e o conhecimento de operação num País cujas dimensões fazem com que as realidades regionais sejam diferentes. FOTO: Leonardo Santos
Brasil investe cerca de R$ 6 bilhões em BRT até 2013
Valor é considerado adequado em comparação a outros modais se for levado em consideração o benefício dos sistemas e a qualidade nos atendimentos
ADAMO BAZANI – CBN
A indústria brasileira de ônibus tem se aperfeiçoado para atender às novas demandas de transportes impostas pela modernização dos sistemas nas cidades: uma necessidade que já vem crescendo há anos, mas inegavelmente com o impulso dos grandes eventos mundiais, como Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016, ganhou espaço na mídia.
As cidades precisam de mobilidade independentemente de qualquer evento esportivo ou de qualquer outra ordem, mas a aproximação deles chamou a atenção para o déficit dos serviços relativos ao direito do ir e vir das pessoas e quem, por mais que existam no País sistemas exemplares, a defasagem do Brasil em relação ao tema é grande.
As áreas urbanas cresceram, a população com esta característica também aumentou, mas a oferta de mobilidade não. Fora isso, equívocos de políticas públicas, que priorizaram os transportes individuai, contribuíram para que o espaço urbano não oferecesse democratização (com veículos de menor porte tendo a mesma prioridade ou mais que os coletivos), conforto e fluidez não apenas do tráfego, mas também das atividades econômicas, viso que os congestionamentos também refletem em perdas financeiras de diversas ordens, que vão desde toneladas de combustível queimado e respirado à toa pela população até o que se deixa de produzir ou aprender enquanto milhares de pessoas estão paradas em engarrafamentos enormes.
E o problema de congestionamento se acarreta numa grande bola de neve. Enquanto o transporte público não for priorizado e os sistemas oferecerem conforto suficiente para que as pessoas sejam convencidas a deixar o carro em casa, mais gente vai optar pelo transporte individual.
A falta de políticas públicas de transporte coletivo é responsável pelo aumento de até 20% no número de pessoas que optam pelos deslocamentos em meios próprios.
Congestionamento atrai congestionamento se as ações práticas não forem em prol do transporte público. Isso é confirmado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que comprovou que entre 1992 e 2008, o tempo de deslocamento entre casa e trabalho subiu 6% para a população brasileira. Em alguns casos regionais, o aumento foi maior.
Uma das soluções tipicamente brasileiras e já comprovadas no País e em outros lugares do mundo é o ônibus.
Ele por si só pode retirar uma série de carros das ruas. Levando em consideração que a maioria dos veículos de passeio não levam mais que duas pessoas, o condutor e um passageiro, isso quando não apenas transportam seu motorista, um ônibus simples, do tipo convencional de 12 metros, pode transportar de 70 a 80 pessoas, o que representa de 35 a 40 carros a menos nas ruas.
Já é um ganho. Mas a população acostumada a usar carro quer conforto e rapidez.
E quando um ônibus é colocado em um sistema próprio de circulação, as expectativas de quem usa carro são superadas.
Em corredores específicos, os ônibus conseguem desenvolver maior velocidade operacional e podem substituir mais carris de passeio ainda. Pela segregação dos demais veículos da via, em corredores, os ônibus podem ser maiores, articulados ou biarticulados,que transportam sem sufoco de 150 a 250 pessoas. São até 125 carros a menos nas ruas, ainda tendo como base que cada veículo de passeio não transporta mais de 2 pessoas em média.
Quando estes corredores são do tipo BRT – Bus Rapid Transit, com atributos como pré embarque (possibilidade de pagamento da passagem antes da entrada no veículo), pontos de ultrapassagem, para evitar a fila de ônibus nas regiões das paradas, com embarque ao nível do assoalho do ônibus, o que possibilita acessibilidade a portadores de necessidades especiais, os ganhos de produtividade do sistema e os atrativos para quem pode deixar o carro em casa são maiores.
A experiência do Brasil no BRT vem desde 1974, quando Jaime Lerner, então prefeito de Curitiba, idealizou um sistema de vias exclusivas para o transporte público. Aliás, o País foi berço do BRT, que é copiado em vários países, como África do Sul, Chile, Colômbia, Guatemala, México e Panamá.
Veículos mais modernos, mais espaçosos, menos poluidores e com menor emissão de barulho, são as alternativas oferecidas pela indústria para que o País, que é exemplo neste modal de transporte, faça a lição de casa e amplie os sistemas.
Empresas como a Marcopolo investem em inovações, mas não deixam a tradição e a experiência acumuladas de lado.
É o que diz o diretor-geral da empresa, José Rubens de La Rosa.
Para ele, O BRT está dentro das realidades econômicas e urbanísticas das cidades, que não têm muito tempo a perder para modernizarem seus sistema de transportes e possuem recursos limitados.
“Com custo e prazo de instalação muito menores que outros modais, permitiu a redução do número de automóveis na rua e melhorou o trânsito, além de contribuir para a preservação ambiental, com a redução da emissão de poluentes. Outra vantagem é a elevação na qualidade de vida dos usuários pela redução do tempo de viagem” – disse de la Rosa.
O diretor de operações comerciais para o mercado brasileiro, Paulo Corso, destaca a experiência da encarroçadora no segmento de BRT.
“A companhia possui grande experiência no fornecimento para sistemas de transportes urbanos diferenciados. Desenvolvemos o primeiro veículo para o projeto viário de Curitiba, em 1974. Desde então, sempre incentivando o aperfeiçoamento da infraestrutura e a melhoria do peso rodante, participamos ativamente dos sistemas de cidades como Goiânia e Manaus, no Brasil, além de Cali e Bogotá, na Colômbia, Cidade do Panamá, Santiago do Chile, Cidade do México, e Johannesburgo, Cidade do Cabo, Port Elizabeth, Pretória e Durban, na África do Sul”.
Quando o BRT foi implantado no Brasil, o primeiro ônibus deste sistema foi desenvolvido pela empresa, era o Veneza Expresso, com Motor Cummins, que trazia conceitos diferentes de ônibus, como melhor aproveitamento do espaço interno er maior área de envidraçamento. O motor foi desenolvido também para poluir menos, em época que os apelos em prol do meio ambiente eram bem menores.
De la Rosa afirmou que a atuação da Marcopolo há mais de meio século no Brasil faz com que a empresa conheça as necessidades o País. Pelas diferentes condições regionais existentes nas dimensões continentais brasileiras, as soluções precisam ter um mesmo princípio, mas com o desenvolvimento quase personalizado.
“As características topográficas e as condições viárias dos municípios nacionais são completamente distintas uma das outros. Isso demanda que os fabricantes tenham condições de fornecer ônibus que atendam, ao mesmo tempo, essas particularidades e os padrões de conforto, segurança e rapidez que façam com que o usuário opte pelo transporte coletivo e não pelo individual”
Independentemente de Copa ou não, o País já perdeu muito tempo em relação a mobilidade. Modais de maior tempo de implantação e maior capacidade não podem ser deixados de lado, como o metrô, mas para respostas rápidas, que nem sempre são imediatistas, mas necessárias podem ser dadas por um sistema de ônibus modernizado, como dos BRTs, que têm capacidade de atendimento semelhante a de outros modais como VLTs e monotrilho, que tendem a ser mais caros.
Como os investimentos nas cidades precisam ser rápidos e vários governos locais sinalizam para a opção pelo BRT, embora que muito ainda precise ser feito na questão de mobilidade, a indústria diz estar preparada para essa resposta rápida.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.