Rachaduras em imóveis afetados pela expansão linha 2-Verde do Metrô aumentam e falta de respostas preocupa moradores

Problema ocorre na zona leste; Metrô nega riscos estruturais, mas quem possui casa na região diz temer o pior

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

(Ao final da reportagem, ouça as entrevistas na íntegra)

A ampliação muito rápida do aparecimento de rachaduras em imóveis nas proximidades das obras de extensão da linha 2-Verde do Metrô, na zona leste da cidade de São Paulo, e a falta de informações da estatal alegada pelos moradores estão fazendo com que proprietários de imóveis acionem até mesmo advogados para, ao menos, terem uma resposta precisa sobre o que de fato está acontecendo.

Neste sábado, 23 de julho de 2022, a equipe do Diário do Transporte esteve na região da Rua Engenheiro Cestari com Rua Capitão Ferraiuolo, na Vila Invernada, localizada entre as futuras estações Anália Franco e Água Rasa.

As rachaduras eram evidentes. Em alguns imóveis, era possível colocar os dedos dentro delas.

Vários imóveis estavam desocupados, mas outros, até com pedaços das paredes caindo, estavam com moradores.

Por telefone, a nutricionista Cristiane São Marcos conta que locava um imóvel na região que foi deixado pela pessoa que moravamna casa depois a aparição dos problemas.

No fim de maio, ao tentar visitar a própria casa foi surpreendida por seguranças do Metrô, que inicialmente impediram o acesso, mas depois permitiram a entrada na residência.

Já na ocasião, o imóvel apresentava rachaduras.

Mas o problema foi aumentando e, segundo Cristiane, o Metrô quase nunca dá satisfações claras e formais, apesar da informação de um recalque (rebaixamento irregular) de 4 cm e o movimento do maciço que é um deslocamento do solo.

“Atualmente a gente sabe que está tendo um movimento no maciço, mas estamos tendo muita dificuldade para obter laudos e informações detalhadas sobre o que está ocorrendo naquele solo. A dificuldade é muito grande de ter qualquer tipo de informação formal. Esta falta de transparência nos chateia demais” – disse.

O advogado da proprietária do imóvel, Donisete Garcia, disse que verificou um documento durante uma reunião com representantes do Metrô que apontava que o imóvel já estava chegando no nível de intervenção, mas, quando questionados, os funcionários à serviço da estatal desconversaram.

“O documento que estava com eles e vimos até porque forçamos um pouco, datava de 17 de junho e mostrava que o monitoramento apontava que a situação estava bem abaixo da linha de alerta chegando ao ponto da intervenção. Questionando o engenheiro do Metrô, ele disse que se tratava de imóveis em outra rua, mas o documento era referente ao imóvel de Cristiane. O maciço que protege o lençol freático foi rompido, mas como eles ocultam informação não temos certeza da extensão da situação” – contou

Segundo a advogado, no documento sobre o pagamento dos aluguéis da antiga inquilina de Cristiane por parte do Metrô, consta a informação de que ocorreu este deslocamento do solo.

O advogado afirmou também que fez um requerimento formal ao Metrô, mas ainda não teve resposta.

A moradora Dulcimara Leal, que também tem imóvel na rua Engenheiro Cestari contou ao Diário do Transporte no local que só há promessas por parte do Metrô em reparar as rachaduras e outros danos, mas nenhum documento com a garantia foi apresentado.

Para conseguir um reparo numa telha, já que chovia dentro da casa, ela teve de tomar uma atitude drástica.

“Quando é algo emergencial, de vazamento, eles [Metrô] até vêm [fazer o reparo], só que tive um problema que chovia em um dos cômodos e só vieram arrumar isso porque eu protestei e bloqueei a entrada de caminhões na rua com o meu carro” – relatou

A linha 2-Verde do Metrô, que atualmente liga Vila Madalena, na zona Oeste, à Vila Prudente, na zona Leste, está em expansão rumo à Penha, na zona Leste, num trecho de aproximadamente 8 km com oito estações. A previsão de conclusão das obras é para 2026.

O trecho até a cidade de Guarulhos está sem previsão de entrega definitiva, uma vez que depende de desapropriações.

O Diário do Transporte procurou o Metrô que disse que não há sinais de risco às estruturas. Ainda segundo a estatal, em nota, os moradores estão sendo informados sobre as etapas das obras.

Todos os imóveis do entorno das obras da Linha 2-Verde são monitorados com vistorias e equipamentos de medições de movimentações e fissuras. Apesar das visíveis fissuras, as análises já feitas nos imóveis das regiões de Anália Franco não demonstram danos estruturais, mas com o menor sinal de alguma movimentação que comprometa a estrutura, as medidas de segurança são adotadas imediatamente com os reparos e, quando necessário, a remoção das famílias para hotéis custeados pelo Metrô ou pagamento integral de aluguel. Os demais reparos são providenciados pelo Metrô em etapas, de acordo com o estágio da obra.

Além de informar os moradores de todas as etapas, o Metrô mantém centrais de relacionamento exclusivas para atendimento aos imóveis dos entornos das obras.

A ampliação da Linha 2 até Penha acontece com obras de escavação e concretagem em todos os canteiros para concluir o trecho de 8 estações e 8 km até 2026. Já o trecho até Dutra depende de desapropriações para ser iniciado.

ENTREVISTAS:

Cristiane São Marcos

Advogado Donisete Garcia

Dulcimara Leal

Veja fotos de imóveis no local:

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. MARTA CAVALCANTE disse:

    A mesma falta de transparência acontece com os moradores do entorno do complexo rapadura. A escavação nem começou e as casas ja comecam a rachar. O metro *nao* recebe os moradores ou dá quaisquer informações sobre o que está acontecendo. Vidas humanas saem muito barato para o metro que nunca foi culpabilizado no caso de Pinheiros. Os moradores do entorno das obras são tratados como lixo para o Metro de sp

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