MEIO AMBIENTE E NEGÓCIOS: Viação Santa Brígida e Amyris. Diesel de Cana de Açúcar rende acordos e tende a ser negócio lucrativo

ônibus Cana De Açucar

A Amyris do Brasil fechou acordo com a Viação Santa Brígida para o fornecimento de cerca de 40 a 50 mil litros de diesel de cana de açúcar por mês a ônibus da Mercedes Benz do Brasil. Serão 160 veículos que receberão 10% do diesel ao combustível habitual. A redução de poluição, como emissão de materiais particulados pode chegar a 40%, conforme comprovaram testes realizados com o acompanhamento da SPtrans. O acordo começa a valer já em agosto e vai até o final de 2012. O diesel de cana de açúcar tem sido um excelente negócio para a Amyris. No segundo semestre de 2011, a empresa vai formalizar a criação de uma joint venture com o Grupo San Martinho, a SMA Indústria Química, para processar uma tonelada de cana de açúcar por ano. Com a Usina Paraíso, o acordo em 2012 é para o processamento de 1 milhão de toneladas de cana de açúcar também. A Amyris já trabalha com a Colsan, Guarani e Bunge.

Amyris fecha acordo para fornecer diesel de cana de açúcar para a Santa Brígida
Fornecimento está garantido até o final de 2012 e vai a operação de 160 veículos
ADAMO BAZANI – CBN
Em época de aquecimento global, número de internações crescente por conta de problemas respiratórios e de uma consciência ambiental maior, que forçou a criação de leis mais severas em relação à preservação do meio ambiente, o setor de transporte público é visto como uma das respostas às necessidades de uma qualidade de vida melhor nas cidades.
O transporte público por ele mesmo já é alternativa para o que se convenciona chamar de cidades melhores. Se os espaços para ônibus e modais metroferroviarios forem priorizados, haverá maior democratização do uso dos concorridos trechos das cidades, e menor poluição. Um ônibus convencional, que leva em média 80 pessoas, consegue tirar das ruas 40 carros, ou 40 escapamentos poluidores, considerando que os carros de passeio andam na maior parte das vezes com o condutor e mais um acompanhante.
Não bastasse esse lado já democrático, civilizado e ambiental do transporte público que deve ser bem operado e oferecer conforto e segurança à população, é nos meios de massa que estão as maiores iniciativas para formas de mobilidade limpas.
No Brasil, apesar dos poucos incentivos governamentais, que já foram menores, as opções existem.
A começar pelo diesel tradicional. Em 2012, o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores, Proconve, entra em sua sétima fase, a P 7, baseada nas normas Euro V. As emissões de alguns componentes prejudiciais à saúde vão ser reduzidas em mais de 60%, como os óxidos de nitrogênio.
Os ônibus ficarão mais caros e a maioria deles vai utilizar uma espécie de aditivo, o ARLA 32, que é um agente a base de ureia que consegue reduzir a poluição dos gases de escape.
Esse custo maior será compensado com menos agressão ao meio ambiente, que vai reduzir gastos em internações hospitalares por conta da poluição, e os motores mais modernos, garantem as fabricantes, vão ter um consumo maior. Porém o preço maior dos veículos e o uso do ARLA, cujo tanque terá de ser abastecido em média a cada 5 abastecimentos de diesel, não tem sido bem vistos pelos empresários, que até antecipam as renovações das frotas para pegarem ônibus no padrão Euro III: mais agressores ao meio ambiente porém mais baratos.
Em relação à indústria, o bom momento é que em vez de elas se unirem e oferecem uma só solução, elas mostram alternativas diferentes a serem julgadas pelo mercado e por especialistas.
A bandeira principal da Volvo é o ônibus elétrico híbrido, o da Volkswagen/MAN é o a Gás Natural, o da Scania é o Etanol e a Mercedes Benz, em pareceria com a Amyris aposta no ônibus movido com diesel a cana de açúcar.
Não se trata de etanol, porque no momento da fermentação do “caldo da cana”, em vez de se obter uma parte de água, a levedura que é inserida para o etanol é modificada geneticamente, o que faz em vez de água ser liberado um óleo, formando o combustível.
O que era só teste com o diesel de cana de açúcar começa a ganhar corpo, apesar de os números não serem muito expressivos ainda. Mas ele já foram menores.
A Amyris acabou de fechar contrato para fornecimento até o final de 2012 para o fornecimento de Diesel de Cana de Açúcar, o farneseno, para 160 ônibus da Viação Santa Brígida, motores Mercedes Benz, que servem o sistema municipal de São Paulo.
O uso do farneseno não requer alteração na mecânica do veículo.
Serão entre 40 mil e 50 mil litros do combustível de cana por mês.
Ele será colocado numa proporção de 10% no biodiesel já fornecido pela Pretrobrás.
Testes em ônibus da Viação Santa Brígida, mostraram que não houve mudança no desempenho e no consumo dos ônibus e que a emissão de materiais particulados caiu em torno de 40%, isso se os 10% de cana de açúcar forem colocados em diesel de baixo teor de enxofre, o S 50, usado na frota das principais cidades do País.
O fornecimento começa já no mês de agosto.
A partir de setembro em operação uma joint venture comanda pela Amyris com o Grupo São Martinho. Será a SMA Indústria Química S.A. A Usina São Martinho vai fornecer um milhão de toneladas de cana de açúcar por ano transformada no farneceno, que é usado para a produção do diesel de cana de açúcar. As adaptações estão em andamento.
Em 2012 entra em operação outra usina a serviço da Amyris, com a participação da usina Paraíso. A capacidade também será de 1 milhão de toneladas de canas de açúcar por ano.
A Amyris já tem acordo no Brasil coma Colsan, Guarani e Bunge.
SUSTENTABILIDADE:
Não basta apenas tecnologia, se não houver consciência ambiental e orientação às empresas e aos funcionários sobre os conceitos da sustentabilidade e o uso correto destas tecnologias.
A consciência ambiental deve ser criada dentro das garagens de ônibus que acabam sendo disseminadoras de boas práticas de respeito à natureza e ao meio ambiente.
Algumas empresas, no entanto, têm até interesse em contribuir com o meio ambiente, mas faltam orientações de práticas sustentáveis que possam fazer parte do dia a dia da empresa sem interferir no trabalho. Podem até otimizá-lo.
Vendo essa necessidade por parte das empresas, o Setpesp – Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo, entidade que completa 70 anos, lançou o Manual de Sustentabilidade.
É um guia impresso que fala sobre a legislação específica para o meio ambiente e os impactos nos serviços, nas atividades cotidianas e na rotina dos parceiros da empresa.
O principal enfoque e orientação do guia é que as empresas devem desenvolver ações práticas, projetos e programas para possibilitar a construção de uma sociedade economicamente viável, com justiça social, ambientalmente equilibrada e com responsabilidade ética.
O guia, editado por uma entidade representativa patronal, é uma mostra que as empresas de ônibus, pelo menos algumas também se preocupam com as questões ambientais e de um futuro melhor.
Empresas que participam de prêmios, com os da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, também devem apresentar soluções quanto ao meio ambiente e ao relacionamento com a comunidade, como quesitos para a premiação.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

8 comentários em MEIO AMBIENTE E NEGÓCIOS: Viação Santa Brígida e Amyris. Diesel de Cana de Açúcar rende acordos e tende a ser negócio lucrativo

  1. Boa noite.

    Gostoso será o dia, em que 100% da frota de ônibus, urbanos e rodoviários, operem com biodiesel, seja de cana-de-açúcar ou de qualquer outra fonte.

    Limpo, correto, além de impulsionar uma das nossas maiores riquezas, a agricultura.

  2. Amigos, boa noite

    Esta solução além de brasileira está dentro da nossa realidade.

    Parabéns Santa Brígidae aod demais parceiros.

    Deixo uma reflexão:

    E as demais empresas; quando vão embarcar nessa?

    Os Top Bus (apesar de feios) não podem entar nessa?

    Muito obrigado
    Paulo Gil

    • Paulo Gil, os TopBus são da Volvo. Essa tecnologia foi desenvolvida pela Mercede-Benz em parceria com Amyris e a Santa Brígida.

      • Claiton, boa noite

        Ok, mas como informado na matéria acima:

        O uso do farneseno não requer alteração na mecânica do veículo.

        Os TopBus, não são movidos a Diese?

        O que impede??

        Vc sabe? Ou algém pode colaborar no esclarecimento, para que eu possa
        entender?

        Grato

        Paulo Gil

      • Interessante sua pergunta Paulo. Eu, sinceramente não sei. Talvez eles estejam se referindo aos motores fabricados por eles.

        Nos motores de outras marcas, seriam necessários testes, para saberem se precisariam ou não alguma alteração mecânica.

        Abço.

  3. O Diesel de Cana de Açúcar pode ser usado em veículos de qualquetr marca, tecnicamente.

    Mas a Amyris tem um acordo de parceria com a Mercedes e por isso, qiue neste primeiro momento, vai vender para frotas especificas com as quais tem acordo de utilização só em veículos da Mercedes Benz.

    Mas a empresa se prepara para se tornar fornecedora nacional da solução, que não foi testada em outras marcas de motores e chassis.

    Só lembrando que o Diesel de cana de açúcar é o combustível menos limpos entre as soluções apresentadas por outras empresas, como a Volvo, com o híbrido.

    • Adamo e amigos, boa noite

      OK, tecnicamente, pode ser usado em qualquer motor Diesel.

      Porém levando-se em consideração a importância do meio
      ambiente, esta reserva de mercado é no mínimo discutível, se não
      ilegal.

      Pode também ser menos limpo, mas pelos resultados apresentados na materia, já
      deveria ter sido aplicado em toda a frota, pois não há motivo plausível
      para não estar sendo usado.

      Inclui-se ai a praticidade da solução, pelo menos de bate pronto já é uma redução, sem grandes investimentos, daó a inteligência matemática da $anta Brígida.

      Há o Princípio da Supremacia do Interesse Público.

      Tai uma boa questão para esclarecermos aqui no Blog e aguardamos posicionamentos
      do MP, SPTrans, Mercedes, MAN, Volvo e quem mais puder contribuir.

      Temos muito problemas de bases para resolver antes de se pensar em tecnologias altamente técnicas e de alto valor custo.

      Muito obrigado
      Paulo Gil

      • Mais um detalhe:

        A Petrobrás pode ajudar muito nesta questão, afinal o CENPES [Centro de Pesquisa da Petrobrás] no Rio de Janeiro – Ilha do Fundão, é altamente capacitado para nos auxiliar
        nestas análises e porque não em campo.

        Grato
        Paulo Gil

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