NOVO MINISTRO CRITICOU ADITIVOS, MAS AUMENTOU 154% OS GASTOS COM OS TRANSPORTES.

ônibus em rodovia
Paulo Sérgio Passos (PR) ao assumir o Ministério dos Transportes, quando Alfredo Nascimento se demitiu após denúncias de corrupção envolvendo o partido, empreiteiras e funcionários públicos, num tom soberbo e de especialista criticou o modelo de licitação das obras de transportes que permite muitos aditivos contratuais que elevam o valor das intervenções. Mas quando esteve à frente do Ministério, no segundo semestre de 2010, para Alfredo Nascimento se candidatar à reeleição pelo Senado, Paulo Sérgio Passou foi o responsável pelo crescimento de 154% dos gastos da pasta, principalmente com os aditivos nas obras que tanto criticou. Obras são para melhorar as rodovias, mas o cenário não é bem este.

Novo Ministro dos Transportes aumentou 154% os gastos em obras
Maior parte dos aumentos foi por conta de aditivos aprovados por Paulo Sérgio Passos

ADAMO BAZANI – CBN

Uma onda de desencontros e de palavras que indicam para uma direção e atos para sentido totalmente oposto.
Logo ao assumir o cargo no lugar de Alfredo Nascimento, depois do escândalo de superfaturamento e licitações duvidosas envolvendo o Ministério dos Transportes, o partido que o comanda, o PR (Partido da República) e empreiteiras, o novo ministro Paulo Sérgio Passos, também do PR, criticou o modelo de licitações brasileiro, que baseia os certames em projetos básicos, e não poupou críticas por conta disso aos aditivos contratuais, que são aqueles instrumentos que por conta de alterações nas obras ou nos preços dos serviços, aumentam o valor das intervenções.
O ministro chegou a defender novos contratos com projetos mais elaborados, levando em conta o preço fechado e o planejamento global e não básico.
No entanto, um levantamento demonstra que um dos funcionários que mais elevaram os valores das obras foi justamente Paulo Sérgio Passos. E por conta principalmente dos tais aditivos contratuais que ele criticou publicamente.
Para permitir que Alfredo Nascimento se candidatasse a reeleição ao Senado pelo PR do Amazonas, Paulo Sérgio Passos ficou como ministro dos Transportes no segundo semestre de 2010.
Entre julho e dezembro de 2010, sob o comando de Paulo Sérgio Passos, os gastos do Ministério dos Transportes, subiu 154% em relação ao mesmo período de 2009, principalmente por conta dos aditivos contratuais em obras, inclusive as consideradas suspeitas e alvos de denúncia.
Em 2011, quando Alfredo Nascimento voltou ao posto (alas, a legislação permite esse vai e volta de funcionários públicos por conta de eleições), os gastos no Ministério dos Transportes voltaram aos patamares originais.
O levantamento consta na edição do jornal Folha de São Paulo deste domingo.
As maiores verbas extras foram para obras em estradas controladas pelo Dnit – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
Em 2009, de julho a dezembro, o Dnit assinou 53 aditivos contratuais o que custou aos brasileiros R$ 309 milhões. Sob a batuta do novo ministro do PR, os contratos tiveram 113 aditivos aos custos para os cofres públicos de R$ 787 milhões extras para as obras já licitadas.
O escândalo e a crise no Ministério dos Transportes foram revelados no início do mês de julho, quando a Revista Veja mostrou que integrantes do PR, Partido da República, sob o comando de Waldemar da Costa Neto, receberiam entre 4% e 5% do valor dos contratos para auxiliariam na vitória dos processos licitatórios, para superfaturamento de preços e liberação de contratos de aditivos. O ex Ministro, Alfredo Nascimento, foi apontado como participante. Logo depois das denúncias, as cúpulas do Dnit e da Valec (empresa de ferrovia do Governo Federal) caíram. Mais tarde, com a ameaça de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), agravamento das denúncias e com a informação de que seu filho teria aumentado o patrimônio em 8500%, Alfredo Nascimento não resistiu e pediu demissão do cargo, apesar de Dilma Rousseff ter garantido sua permanência na pasta.
Mostrando que tinha a intenção de continuar com o loteamento do ministério dos transportes ao PR, o mesmo envolvido nas denúncias de escândalo, para mostrar poder e ao mesmo tempo demonstrando dependência do partido, Dilma Rousseff chamou para o cargo o poderoso senador do PR, rei da Soja, Blairo Maggi, que recusou a oferta.
Assim, o ministério ficou nas mãos de Paulo Sérgio Passos, que logo ao assumir o caro, criticou o expediente dos aditivos, o mesmo que ele fez crescer 154% em sua passagem pela chefia do ministério.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.