ESTUDANTE É EXEMPLO DE CIDADANIA EM TRANSPORTES COLETIVOS E LUTA BENEFICIA TODA CIDADE

ônibus de Campo Grande

Pessoas que sofrem de obesidade ou de outros problemas que as dificultem de passar pela catraca podem ter acesso ao ônibus pelas portas do meio ou traseira sem mais constrangimentos. Há agora uma autorização especial para esses passageiros que pode ser obtida na associação que representa as empresas de ônibus. Mesmo sem o documento, as pessoas nestas condições podem também ter o embarque e desembarque facilitados, já que os motoristas estão sendo orientados. Tudo isso foi fruto da luta de uma estudante de Campo Grande que foi muito humilhada e constrangida por funcionários do sistema de transportes por sofrer de obesidade e ter dificuldade de passar pela roleta do ônibus. Numa das ocasiões, ela chegou a se machucar, mas foi procurar seus direitos, o que beneficiou outros passageiros.

Luta de estudante garante mais respeito aos passageiros obesos no Mato Grosso do Sul
Universitária conseguiu direito de não passar pela catraca, o que pode ser estendido para passageiros na mesma situação

ADAMO BAZANI – CBN

Os transportes coletivos de passageiros são um direito direcionado para toda a população,independentemente de classe social ou qualquer outro tipo de condição. Ocorre que nem sempre este direito abrange a todos na prática e as pessoas que enfrentam mais dificuldades no dia a dia são em geral as que sofrem também as maiores privações nos serviços de transportes.
Exemplos são idosos e portadores de deficiência, que têm mobilidade mais reduzida, e pessoas que sofrem de obesidade, um problema de saúde cada vez maior e que, segundo os médicos, não é visto com a seriedade que merece por parte da sociedade. Algumas pessoas pensam erroneamente que o “obeso” vive este estado por conta de gula ou falta de controle alimentar, sendo que, apesar de dietas fazerem parte do tratamento, o problema enfrenta outras questões de saúde.
O acesso aos transportes coletivos melhorou bastante nos últimos anos. Leis específicas e uma mentalidade mais moderna por parte do empresário de ônibus garantem veículos com elevadores, piso baixo, assentos especiais, espaços para cão guia e outros equipamentos importantes.
Mas ainda há muito o que evoluir.
E esta evolução para a universalização dos direitos aos transportes também é conquistada principalmente pela luta e participação popular.
Foi o que provou a universitária Carla Cristina Zurutuza, de 28 anos, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Ela sofre de obesidade pesando atualmente 127 quilos.
Carla nunca se negou a pagar a passagem de ônibus, mas ela tinha dificuldades para passar perla catraca.
Na maior parte das vezes, ela pagava a tarifa pedindo para o motorista deixá-la descer pela porta da frente.
Era um constrangimento explicar toda vez para os motoristas que não eram conhecidos.
Recentemente, mesmo ela pagando a passagem, um dos motoristas não deixou que Carla descesse pela porta dianteira.
Como estava perto de sua parada, desistiu de tentar convencer o condutor e passou pela roleta.
Carla acabou se machucando sem gravidade, mas ficou com dores e hematomas.
Revoltada com a situação, a estudante do Curso de Letras, que já chegou a pesar de 167 quilos depois de uma depressão, entrou em contato com a Assetur (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande).
Sensibilizado com o problema, o presidente da entidade patronal, João Rezende Filho, determinou que no verso do Cartão Eletrônico de Carla fosse afixada uma autorização para que ela pudesse embarcar pela porta do meio ou traseira do ônibus e depois pagasse a passagem dentro do veículo.
Não é uma gratuidade, mas uma forma de facilitar o acesso.
Segundo Rezende, as empresas de ônibus foram orientadas a capacitar seus funcionários em relação ao problema e outras pessoas na condição de Carla podem procurar a entidade para requererem a autorização fixada na parte de trás do cartão.
O dirigente reconhece que essa possibilidade se deu pelos esforços e luta pelos direitos por parte da estudante.
“O caso dela desencadeou um série de providências para outras pessoas que também estejam enfrentando esse problema. A autorização não é obrigatória, mas quem desejar ter o documento poderá solicitar ”, disse João Rezende Filho.
LEI:
O Decreto Municipal 10.535, de julho de 2008, determina que gestantes podem embarcar e desembarcar pelas portas que melhor convierem nos ônibus. No dia 15 de junho de 2011, a Agretran, Agência de Transporte e Trânsito de Campo Grande, enviou um ofício para a Assetur orientar às empresas de ônibus operadoras do sistema que a facilidade pode ser estendida a outras pessoas que apresentem dificuldades de passar pela catraca ou de entrarem no ônibus pela porta da frente.
Esse ofício não contempla gratuidade, mas uma maior facilidade de embarque nos veículos.
As gratuidades seguem as normas e leis já estabelecidas.
O caso de Campo Grande deve servir como exemplo de que o transporte deve ser direito de todos, todos mesmo, e a atitude de Carla mostra como esse direito pode ser reivindicado dentro do mais puro conceito de cidadania., de forma pacífica, mas firme.
Parabéns Carla.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

4 comentários em ESTUDANTE É EXEMPLO DE CIDADANIA EM TRANSPORTES COLETIVOS E LUTA BENEFICIA TODA CIDADE

  1. salomao jacob golandski // 28 de junho de 2011 às 22:47 // Responder

    ola
    existe uma norma da ANTT , que é reservado 10% da lotação do onibus
    para pessoas idosas , obesas, e permitem que entrem e saiem pela porta dianteira .
    agora fica a criterio da empresa , eles entrarem e sairem pela porta traseira .
    impera sempre um bom senso , cada motorista ou cobrador mostra a educação
    que tem .
    vai fazer falta ao empresario uma gratuidade a mais , o cadeirante tem seu elevador .
    o obeso tem seu banco um pouco mais largo .
    estes são obrigados a pagar , então custa ao cobrador dar a volta na catraca com a mão .
    pagando a passagem é o que vale .
    salomão

  2. Caros,
    É importante o direito conquistado pela jovem, mas trago aqui, ao debate, um tema correlato.
    Quantos de nós, já não presenciaram, inúmeras pessoas, sem benefício de qualquer gratuidade, aproveitando e ingressando nos coletivos, pelas portas traseiras, e, cobradores e motoristas, intimidados, sequer advertem estas pessoas.
    Não são as empresas que pagam por este prejuízo, somos nós.
    Abçs.

  3. Esta estudante deu exemplo de CIDADANIA, QUE ESTE EXEMPLO SEJA SEGUIDO POR OUTROS ESTUDANTES, pois só assim que nosso país pode chegar ao tão sonhado por todos os brasileiros ou seja, primeiro mundo.

  4. gostei muito de esta visitando esse exemplo de cidadania espero que tenha mais

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: