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Linhas de trólebus e o desenvolvimento de São Paulo

POR RENATO LOBO

Nesta semana cairam nas redes sociais imagens que mostraram o início da
colocação dos postes com o suporte para os tirantes que vão sustentar
a rede aérea dos trólebus, no viaduto estaiado que passa por cima da
Avenida Salim Maluf, ligando as duas pontas da Rua Padre Adelino. A
obra prevista para 2010 sofreu atrasos devido à problemas em
desapropriações. Rapidamente o comentário foi sobre a possível volta
dos trólebus para a linha 2101, esta que não têm ônibus elétrico desde
2008 em virtude da construção do viaduto.

A linha 2101 que liga a Praça Silvio Romero até o centro, foi criada
nos anos 50, mas em toda sua historia pouco teve alterações nos
trajeto, e com o desenvolvimento da zona leste ao passar dos anos, o
ramal perdeu relevância. O mesmo vale para outras linhas de trólebus,
como a 4112 que liga a Praça Santa Margarida Maria até o centro, e as
que rodaram com trólebus até o começo dos anos 2000, as linhas 1301 e
1428, ambas que logo após a saída dos elétricos tiveram o seus
itinerários alterados para atrair mais passageiros. Hoje por exemplo a
linha 408A sofre grande concorrência, diga de passagem de forma
desleal, com as linhas 805L e 508L na região da aclimação. Estas duas
últimas ganham agilidade no traçado e a primeira linha de trólebus de
SP perde passageiros, e consequentemente perde o número de partidas e
perde frota.

Durante anos não foi claro de quem seria a responsabilidade da
manutenção da rede elétrica, o que acabou resultando o engessamento
das linhas de trólebus no seu traçado, ou seja, criar desvio para os
trólebus éra, e ainda é considerado algo caro e sem importância.
Colocavam se os velhos e bons ônibus à diesel no lugar.

Um outro exemplo, só que ao contrário, é o da linha 4113 que liga o
centro até o Ipiranga. Após a construção de uma estação de Metrô, a
linha ganhou mais passageiros, que hoje se utilizam dos trólebus para
chegarem ao Metrô, portanto neste caso o desenvolvimento favoreceu os
trólebus.

Nos dias de hoje que se fala em sustentabilidade, e os trólebus são
lembrados como modal eficaz, é preciso que os grandalhões elétricos
sejam remanejados para corredores. Uma linha troncal tem muito menos a
probabilidade de se tronar um ramal sem importância, por carregar mais
passageiros e por ser mais ágil.
Renato Lobo é técnico em transportes e responsável pelo Portal Via Trólebus

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