MESMO EQUIPAMENTO VAI LER CARTÃO BOM E BILHETE ÚNICO EM ESTAÇÕES

Luiz Augusto Saraiva

Luiz Augusto Saraiva, presidente do Consórcio Metropolitano de Transportes, entidade que reúne 45 empresas de ônibus intermunicipais na Grande São Paulo, revelou que os equipamentos do Cartão BOM que serão instalados nas estações de trem e de Metrô além de poderem ser usados pelos passageiros da CPTM e da Companhia do Metropolitano também poderão aceitar o Bilhete Único da Capital Paulista. Saraiva ressalta a necessidade mais corredores de ônibus metropolitanos para dinamizar a ligação entre as cidades.

Validador de cartão de ônibus intermunicipal em estações ferroviárias também vai aceitar Bilhete Único
O equipamento do Cartão BOM será instalado nas catracas das estações de trens e Metrô e terá tecnologia para ler o Bilhete Único de São Paulo. O cartão também será aceito no sistema de Metra. Presidente de entidade que reúne as empresas intermunicipais diz que faltam corredores metropolitanos

ADAMO BAZANI – CBN

A integração física, com um mesmo cartão, entre ônibus intermunicipais, trens e metrô, nas 39 cidades da Região Metropolitana de São Paulo, também vai contemplar o Bilhete Único da Capital Paulista.
É o que revela o presidente do Consórcio Metropolitano de Transportes, entidade que reúne 45 empresas de ônibus de linhas intermunicipais e responsável pelo Cartão BOM, Luiz Augusto Saraiva, do Grupo da Viação Urubupungá.
“O validador do Cartão BOM (usado nos ônibus intermunicipais) será colocado nas catracas das estações de trens da CPTM e do Metrô. As passagens do trem e do Metrô poderão ser pagas com os créditos do BOM. O equipamento também está apto para a leitura do Bilhete Único da Capital Paulista, somente nas estações. As duas tecnologias, dos dois cartões podem fazer parte do mesmo equipamento” – disse Luiz Augusto Saraiva.
Ele reforça a declaração de João Antônio Setti Braga, presidente do Conselho Diretor do Consórcio, de que essa integração, inicialmente física, vai facilitar a locomoção das pessoas dentro da Grande São Paulo.
Com uma mesma mídia, ou um mesmo cartão, será possível usar meios de transportes diferentes.
“Não haverá necessidade de vários bilhetes para um mesmo deslocamento. Não é prático para o passageiro, e nem seguro, ficar toda hora mexendo na carteira ou retirando do bolso, um bilhete para o ônibus municipal, outro para o metrô e o trem, outro para o ônibus intermunicipal. A tendência e a exigência do dia a dia é praticidade” – disse Saraiva.
Luiz Augusto Saraiva conta também que desde 2004, quando o Consórcio Metropolitano de Transportes foi formado pelas empresas para cuidar do vale transporte, houve várias evoluções na bilhetagem por ônibus nas 39 cidades da Região Metropolitana.
“Inicialmente vendíamos vales de papel, em 2004. Mas desenvolvíamos paralelamente estudos e investimos até que em 2006, o sistema de ônibus intermunicipal pode contar com um dos mais modernos sistemas de Bilhetagem, o Cartão BOM. Surgiram novas oportunidades de negócios e para realizá-las, o Consórcio, que não é entidade jurídica, precisou criar um braço comercial, surgindo a PROMOBOM Autopass, em 2008, que comercializa e gerencia o Cartão BOM. Essas oportunidades de negócios fizeram com que o sistema melhorasse e novidades virão por aí”- disse Luiz Augusto Saraiva.
A meta agora é de atingir 3 milhões de unidades do Cartão BOM até outubro e ampliar o uso do bilhete em ônibus municipais.
O Cartão BOM já é aceito pelos ônibus das cidades de elas Cotia, Taboão da Serra, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Mairiporã, São Caetano do Sul, Rio Grande da Serra, Carapicuíba, Francisco Morato e Ribeirão Pires.
A reportagem apurou que os estudos de integração do Cartão BOM, metrô, trem e Bilhete Único na Capital já avançaram, faltando apenas detalhes e que, em setembro, se não houver nenhuma alteração, o sistema comece a ser instalado.
A Integração inicialmente será física. A tarifária entre o Cartão BOM, dos ônibus intermunicipais, e os trens, metrô e Bilhete Único nas estações, depende de negociações quanto a compensações e subsídios, assim como a integração em outras cidades que ainda não usam o Cartão BOM em sistemas municipais.

FALTAM CORREDORES METROPOLITANOS:
Quando a Região Metropolitana de São Paulo foi criada em 1973, por decreto lei federal, a intenção era justamente ver a área não apenas do ponto de vista político, mas encarar as cidades como unidades relacionadas que possuem necessidades semelhantes e precisam de soluções conjuntas, independentemente do partido político que administra qualquer um dos 39 municípios da região.
Pela interdependência das cidades, o ir e vir entre elas sempre foi muito intenso.
Antes mesmo de todos os municípios terem sido emancipados e numa época bem anterior ao conceito de Região Metropolitana, o relacionamento entre as cidades sempre foi muito intenso e um dos principais ramos que refletiu isso foi o de transportes coletivos.
Ainda no século XIX, a grande indutora do que seria a Região Metropolitana foi a Estrada de Ferro Santos – Jundiaí, a São Paulo Raillway, empresa de capital inglês que investiu no projeto de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, que para melhor escoar o café, principal produto da economia brasileira na época, propôs o desafio de ligar Jundiaí, no Interior Paulista, a Santos, no Litoral, que conta com o maior porto da América Latina.
Mas a obra, inaugurada em 1867, a partir da Vila Ferroviária Inglesa de Paranapiacaba, no Alto da Serra e no ABC Paulista, serviu não somente para a agricultura, mas auxilou principalmente a urbanização.
Os trilhos da São Paulo Railway deram os primeiros ares de urbanização por onde passavam.
Novas atividades econômicas se desenvolviam, em especial do setor manufatureiro, o que atraía um número maior de pessoas para as regiões onde havia a presença da ferrovia.
Mas a quantidade de habitantes nas configurações urbanas aumentava a ponto de as regiões lindeiras aos trilhos não terem mais espaço para abrigar tanta gente. Isso sem contar que a especulação imobiliária deixava as áreas perto de comércios e trilhos caras.
Houve um avanço para locais mais distantes das estações de trem.
O ônibus foi o meio de transporte mais flexível, em todos os aspectos, e de rápida implantação para atender a esta demanda.
Inicialmente os ônibus ligavam as vilas que se formavam até às regiões centrais das cidades e às estações de trem.
Mas as cidades cresciam tanto e praticamente se emendavam.
Alguns bairros ficavam nos limites entre os municípios e eram mais vantajoso uma ligação por estes limites do que a pessoa ir até a estação de trem e seguir para a cidade vizinha.
Assim, as linhas intermunicipais de ônibus começaram a ganhar importância já nos anos de 1930, processo que se expandiu na década seguinte.
Hoje as cerca de 600 linhas intermunicipais da Região Metropolitana de São Paulo transportam mais de 1,7 milhão de passageiros por dia e cerca de 5 mil ônibus.
Toda esta malha porém não recebe a estrutura necessária para fazer com que a essência de Região Metropolitana se manifeste de fato e há ainda dificuldades para fazer a ligação entre as cidades.
A principal destas dificuldades é a falta de prioridade para o transporte intermunicipal de ônibus, apontada pelo presidente do Consórcio Metropolitano de Transportes, Luiz Augusto Saraiva.
“Com exceção do Corredor ABD, da Metra, não temos corredores de ônibus que liguem cidades diferentes, ou seja, não temos corredores metropolitanos. Usamos alguns trechos dos corredores de São Paulo” – explica Luiz Augusto Saraiva.
Segundo ele, a necessidade de corredores metropolitanos é bem grande pelo tipo de serviço prestado: linhas normalmente mais longas e que enfrentam grandes trechos de trânsito complicado.
“Os corredores metropolitanos dinamizariam o sistema, tornando as ligações intermunicipais mais eficientes e rápidas, o que pode resultar até mesmo na redução dos custos” – complementa Saraiva.
Ele citou como bem sucedido o Corredor ABD, entre São Mateus, na zona Leste de São Paulo, e Jabaquara, passando pelos municípios de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema, com extensão entre Diadema e a região da Berrini, na Zona Sul da Capital Paulista.
O corredor teve as obras iniciadas em 1985, na gestão de Franco Montoro, e a primeira fase concluída em 1988, quando foi inaugurado.
“O trajeto entre estas cidades é bem mais rápido por conta da prioridade dada ao transporte coletivo. Corredores de ônibus atraem demanda e são soluções para fazer com que as pessoas possam deixar os carros em casa, uma vez que o transporte público, no corredor, tende a apresentar uma velocidade competitiva com o automóvel” – defendeu Saraiva.
O Cartão BOM utilizado nos ônibus intermunicipais e que também será usado nos trens da CPTM e no Metrô também será aceito em breve nos ônibus e trolebus da Metra.
Isso vai facilitar o acesso de pessoas que já usam o BOM em linhas metropolitanas ou nos municípios do ABC, como São Caetano e Rio Grande da Serra, e precisam também fazer uso do sistema da Metra.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

4 comentários em MESMO EQUIPAMENTO VAI LER CARTÃO BOM E BILHETE ÚNICO EM ESTAÇÕES

  1. Amigos, boa noite

    Até que enfim BOAS NOVAS!

    É Osasco, ensinando São Paulo a evoluir nos transportes.

    Torcemos para que tudo fiquem Ótimo com BOM.

    PARABÉNS e SUCESSO!

    Paulo Gil

  2. ola, gostaria de saber como fa zer para obter bilhete para o trolebu abcd.

  3. QUAIS SÃO AS ESTACOES DE TREM QUE POSSO USA O BILHETE BOM

  4. posso usar em são Paulo o bom

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