ÔNIBUS PIRATAS DE ARRUDA E CANHEDO DERAM PREJUÍZOS DE R$ 14 MILHÕES AO DF

José Roberto Arruda, ex Governador do Distrito Federal, é apontado pela Polícia Civil como um dos responsáveis por colocar no sistema local 1200 ônibus piratas que operavam sem registro nas empresas regulares. Como não recolhiam impostos e o repasse de 3,84% da tarifa, os ônibus causaram cerca de R$ 14 milhões. Foto: Bahia Notícias.

Arruda e empresários são indiciados por ônibus piratas no Distrito Federal
De acordo com a Polícia Civil, foram colocados no sistema 1200 ônibus sem registro e sem o recolhimento dos tributos o que pode ter causado prejuízo de R$ 14 milhões

ADAMO BAZANI – CBN

Os passageiros do Distrito Federal sequer imaginavam que estavam andando em ônibus clandestinos, pertencentes às empresas regulares que operam o sistema local.
Os validadores nas catracas, da empresa de bilhetagem Fácil, funcionavam normalmente. A pintura dos ônibus era como de todos os veículos do sistema e os funcionários os mesmos.
Só havia um detalhe. Para a DFTrans, empresa gerenciadora dos transportes do Distrito Federal, estes ônibus não existiam. Não havia nenhuma documentação dos veículos ou registros de operação no Distrito Federal.
Sendo assim, as empresas de ônibus circulavam com estes veículos sem repassar aos cofres públicos a taxa de 3,84% das tarifas pagas pelos passageiros e também não passavam por inspeções ou sequer obedeciam o limite máximo de idade da frota, de 10 anos.
O esquema foi descoberto pela Decap (Divisão Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública), da Polícia Civil do DF nas duas fases da Operação Drakkar após denúncias de cooperativas de transportes.
Por conta deste esquema, a Polícia Civil indiciou nesta sexta-feira, dia 13 de maio, o es Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o ex secretário de transportes e agora deputado, Alberto Fraga (BEM – DF), o ex diretor da DFTrans, Paulo Munhoz (indicado na primeira fase da operação Drakkar) e os empresários Wagner Canhedo, Victor Foresti e Eduardo Queiroz. Os empresários são gestores da empresa de bilhetagem Fácil, contratada sem licitação. Wagner Canhedo é presidente do Setransp do Distrito Federal e Victor Foresti e Eduardo Queiroz são diretores. O Setransp é o sindicato que representa as empresas de ônibus do Distrito Federal.
De acordo com a Polícia Federal, os crimes de formação de quadrilha (indiciamento para todos os citados) e de peculado (apropriação de dinheiro público por servidores, no caso de José Roberto Arruda, Alberto Fraga e Paulo Munhoz) começaram a ser praticados em 2007.
A Polícia Civil estima que com o esquema, os cofres públicos foram lesados em R$ 14 milhões.
O delegado Henry Perez Lopez classificou os empresários de ônibus, o ex governador do DF e os demais funcionários públicos como integrantes de quadrilha bem organizada, em entrevista coletiva.
“Eles recebiam livremente, era uma quadrilha orquestrada e bem organizada para não pagar inclusive os impostos relativos ao ônibus”.
A audácia do grupo, segundo a Polícia, era tão grande que mesmo com a apreensão de mil ônibus na primeira fase da Operação, as irregularidades continuaram. Na Drakkar 2, foram apreendidos mais 200 ônibus.
O delegado, diretor-adjunto da Decap, Henry Perez Lopez disse que os ônibus não eram “piratas” só no sistema do Distrito Federal, mas que até as placas eram falsas e não tinham registro no Detran
“Eles compraram ônibus e colocavam uma placa qualquer, não pagavam IPVA, não pagavam multa porque não existia a placa” – disse o delegado.
A Policia deve finalizar o inquérito da segunda fase da operação ainda na próxima semana e não descarta a possibilidade de haver mais ônibus piratas;
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes e repórter da Rádio CBN.

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