VERBAS PARA TRANSPORTES VÃO PRIORIZAR RODOANEL E ESTRADAS. LIBERAÇÃO DE R$ 1 BI CONTEMPLA POUCO OS TRANSPORTES COLETIVOS.

trecho norte do rodoanel

Traçado do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas, que receberá a maior parte dos recursos contingenciados do Governo do Estado de São Paulo. Recuperação das estradas estaduais também receberá verbas. Transportes coletivos ficarão com poucas fatias dos R$ 1,5 bilhão anunciados para o setor de transportes pelo Governador Geraldo Alckmin no primeiro dia útil de 2011. Até 2014, Governo promete investir R$ 83,1 bilhões em transportes e logística, dos quais 46% para o setor ferroviário, mas não especificou quais os projetos e nem todo este montante será para atendimento de passageiros.

Transportes em Metropolitanos devem receber maior parte dos recursos anunciados pelo Governo do Estado de SP
Maior parte da verba deve ir para Rodoanel. Governo promete investir em transporte sobre trilhos, mas não detalha projetos
ADAMO BAZANI – CBN

O Governo do Estado de São Paulo decidiu agilizar a liberação de recursos para a Secretaria de Transportes Metropolitanos. A decisão ocorreu depois de análises técnicas da necessidade de tocar de maneira mais rápida obras de infra-estrutura relacionadas ao setor e também pela má imagem que São Paulo tem passado à sociedade pelos atrasos de inaugurações, problemas acumulados que há muito tempo não foram resolvidos e o descrédito que São Paulo tem recebido da população em relação ao andamento dos preparativos da área de transportes para a Copa do Mundo de 2014.
O Secretário da Fazenda do Estado, Andrea Calabi, anunciou na semana passada que a Secretaria dos Transportes receberá já 90% dos R$ 1,5 bilhão de recursos contingenciados, anunciados no primeiro dia útil do ano pelo Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.
A Secretaria já teve liberada a quantia de R$ 1 bilhão para gastos de custeio e investimento.
A outra secretaria relacionada, a de Logísticas e Transportes, receberá R$ 350 milhões.
Mas quem pensa que este descontigenciamento vai contemplar os transportes públicos teve uma doce ilusão.
Boa parte dos recursos será para custear a execução do projeto do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas e para o programa de recuperação de estradas estaduais.
A informação foi dada pelo secretário da fazenda de São Paulo após palestra no Instituo Brasileiro de Executivos de Finanças – IBEF.
Todos os secretários que receberão as verbas referentes ao contingenciamento terão de rever gastos e apresentar os novos planos para o uso de verbas de custeio e investimento. O objetivo, entre todas as secretarias, é economizar R$ 1 bilhão.
A agilidade para a liberação da maior parte dos recursos prometidos para as Secretarias de Transportes Metropolitanos e Logística e Transportes fazem parte de estratégia do Governo do Estado de São Paulo para o setor entre 2011 e 2014, ano da Copa do Mundo.
Para a área de transportes, São Paulo promete investimentos neste período de R$ 83,1 bilhões. Deste total, 46% para transportes sobre trilhos, 25% em transportes e logística e 16% no rodoanel e ferroanel.
O Governo do Estado não detalhou os investimentos e dentro dos recursos sobre os transportes sobre trilhos nem tudo será para o deslocamento de passageiros, já que o setor de cargas também receberá investimentos.
Adamo Bazani, repórter da Rádio CBN e jornalista especializado em transportes.

4 comentários em VERBAS PARA TRANSPORTES VÃO PRIORIZAR RODOANEL E ESTRADAS. LIBERAÇÃO DE R$ 1 BI CONTEMPLA POUCO OS TRANSPORTES COLETIVOS.

  1. Adamo, boa tarde.

    Ainda que seja difícil, é preciso, antes tarde, do que nunca, olhar e agir sobre o trasnporte público, quer seja, por ônibus, por trem, por metrô.
    A cada ano, pior, a cada mês que passa, observamos, nossas ruas, avenidas, marginais e estradas, entúpidas de carros e motos, na maioria com apenas um ocupante, e, a indústria fabricando mais e mais automóveis, para suprir a vaidade, mas também, a falta de um sistema de transporte, MINIMAMENTE adequado.
    Haverá reclamações, sim, pois a unanimidade, como dizem é burra, mas, é preciso melhorar o tempo de percurso dos ônibus, empregar os ônibus de tamanho correto para as demandas de cada linha, em um movimento sincronizado, tirando, impedindo o motorista de usar seu carro particular e disponibilizando outros meios, ao mesmo tempo.
    Isso vale para os ônibus urbanos, suburbanos e intermunicipais, assim como, para os trens metropolitanos.
    Reativar os trens regionais, como tem sido dito, também é uma boa.
    Não sou entendido no assunto como você, mas, espero que esta simplória opnião seja de alguma valia.
    Abraço.

  2. Rodoanel Norte é solução para o país, vai além de São Paulo. Entre outras coisas é rota imprescindível para o aeroporto internacional. Depois do susto com a obra equivocada da Marginal Tietê, seria um alívio há muito esperado para São Paulo.
    Torço pela boa continuidade do trabalho na CPTM: a equiparação ao desempenho do Metro dentro da RMSP.
    E no “meu quintal”, sigo assustado com a omissão com Cotia e a Raposo Tavares. O pesadelo lembra a Castello Branco a Alphaville/Barueri antes da vias Marginais e seus famigerados pedágios.

  3. Dentre as obras do PAC, uma que deveria estar incluída antes do TAV-trem de alta velocidade e ser priorizada é a Ligação rodo ferroviária Parelheiros–Itanhaém com rampas para ambos de no máximo 2 %, com o rodo e ferroanel metropolitano de São Paulo, pois a construção em conjunto se torna muito mais ágil e econômica, uma vez que o porto de Santos ultrapassou seu limite de saturação com filas de navios em de mais de 60 unidades, das quais podem ser avistados da Vila Caiçara em Praia Grande, além de que a Via Anchieta por ser a única via de descida permitida para ônibus e caminhões tem registrados congestionamentos e acidentes graves semanalmente, como este de hoje 22/02/2013 em que uma trompa d’agua na baixada paulista deixou o sistema Anchieta / Imigrantes em colapso, e o transito só foi restabelecido na madrugada do dia 24 seguinte, e em épocas de escoamento de safra também a Dom Domenico Rangoni (Piaçaguera–Guarujá) a Anchieta, se tornam congestionadas diariamente, com enormes filas de caminhões ao contrário da Manoel da Nóbrega, onde somente se fica com problemas em épocas pontuais na passagem de ano, ao porto de Santos, e os futuros portos de Itanhaém / Peruíbe.
    Enquanto não se completa o rodo e o ferroanel em São Paulo, esta ligação ferroviária pelo centro deve ser permitida com a utilização do sistema misto (cargas e passageiros), não se criando obstáculos e não se modificando a largura das plataformas, que já estão de acordo com o gabarito, que é de 3,15 m, e devem ser mantidas.
    E o vão se tornou evidente na CPTM, após o recebimento em doação dos trens espanhóis usados, que são mais estreitos e tem que trafegar com uma adaptada plataforma lateral de aprox. 9 cm em cada uma das portas, exatamente ao contrário do que acontece na Supervia-RJ, em que os novos trens chineses para trafegar tem que se cortar as plataformas, algo que se trafegassem em São Paulo estariam trafegando sem necessidade de alteração nas plataformas, pois as mesmas já estão dimensionadas para esta medida padrão.
    Atualmente na China trens de passageiros regionais trafegam a velocidade de ~150 km/h na mesma via dos trens de carga, em horários distintos, (Evidentemente o trem de carga não tem a necessidade de se trafegar a esta velocidade) e se tem toda uma logística embarcada por conta disto.
    Novamente se volta a propor a utilização de trens de passageiros convencionais regionais entre muitas cidades brasileiras, retificando e melhorando parte dos trajetos existentes, e com a expansão gradativa pela Valec, do norte para o sul de linhas em bitola única de 1,6 m, entendo ser esta, uma alternativa de implantação extremamente mais viável tanto econômica, como na rapidez e facilidade de execução e demandas garantidas, com prioridade de execução em relação ao TAV- Trem de alta velocidade, obra esta que tem uma seria tendência a se somar as grades maiorias deste programa, que estão incompletas ou paralisadas, que sempre tem data para começar, com términos, andamentos e custos imprevisíveis.

  4. Existe um consenso entre os gestores de que a construção conjunta planejada do Ferroanel com o Rodoanel é a forma mais racional, rápida e econômica, e deveria ser unanimidade para o Plano Diretor de qualquer grande metrópole, pois há razões muito bem fundamentadas para tal afirmação.
    O Ferroanel de São Paulo que vem se arrastando há anos, embora esta seja uma obra de grande importância para São Paulo e para o país pode receber um grande impulso, se os governos federal e estadual, responsáveis por ela, chegarem a um acordo sobre uma proposta feita por este último. São Paulo se dispõe a elaborar o projeto executivo e a cuidar do licenciamento ambiental do Tramo Norte, entre Jundiaí e Itaquaquecetuba, ao custo estimado de R$ 15 milhões.
    Deve ser ressaltada também a grande importância de uma ligação rodo ferroviária entre Parelheiros e Itanhaém para cargas e passageiros, o que poderá levar a presidenta Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin a acertarem em princípio a sua construção conjunta, deveria ser suficiente para fazer ambos dar novos passos nessa direção.
    São patentes as dificuldades que a ausência do Ferroanel cria para o transporte de carga em direção ao Porto de Santos e de passageiros na região metropolitana de São Paulo geram o maior gargalo ferroviário do país. Hoje os trens de carga que se destinam àquele porto têm de utilizar linhas concomitantes com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que passam pela região central da capital. A concessionária que faz esse transporte só pode operar em períodos restritos, o que diminui sua eficiência e aumenta seu custo.
    E a situação é agravada, porque, para aumentar sua capacidade de transporte de passageiros, a CPTM deseja diminuir o intervalo entre os seus trens. Suas razões para isso são técnicas, porque o sistema de transporte coletivo da Grande São Paulo, do qual ela é uma das responsáveis, já ultrapassou em muito o limite de sua capacidade e o número de passageiros continua aumentando. Se ela adotar aquele medida, haverá redução ainda maior da circulação dos trens de carga.
    Só o Ferroanel, a começar pelo Tramo Norte, que tem de longe o maior potencial de transporte, poderá resolver o problema. Hoje, dos cerca de 2,5 milhões de contêineres que chegam anualmente ao Porto de Santos, apenas uma quantidade irrelevante 100 mil é despachada por trem, um meio de transporte mais rápido e econômico do que os caminhões. Com o Ferroanel, estima-se que o volume que por ele circulará chegue acima de um milhão e meio de contêineres. Os benefícios para os setores mais diretamente ligados a essa atividade – produtores e transportadores – e para a economia do País como um todo serão enormes.
    Ganhará também a capital e o litoral paulista, dos quais deixarão de circular cerca de 5 mil caminhões por dia, um alívio considerável para seu trânsito sempre congestionado.
    Deveriam os responsáveis pelos governos federal e estadual a deixar de lado divergências políticas. Já passou da hora para que eles aproveitarem a ocasião para demonstrar que são capazes de colocar o interesse público acima de suas ambições políticas.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: