RIO APRESENTA ÔNIBUS FLEX GNV – DIESEL

ônibus a gás terá combustível extraído da Bacia de Campos

Plataforma na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. É de lá que será fornecido o Gás Natural que deve mover o ônibus flex Diesel- GNV com chassi MAN-Volkswagen e sistema de injeção da Bosch pata atender o Programa Rio Transporte Sustentável. Bacia de Campos possui mais de 400 bilhões de metros cúbicos de Gás Natural e representa 50% das reservas conhecidas do País. A mistura do diesel com o Gás Natural otimiza a queima do gás e regula a temperatura na câmara de combustão o que, segundo a Robert Bosch, deixa o ônibus com o mesmo desempenho dos veículos convencionais a diesel.

Volkswagen/MAN e Bosch apresentam ônibus flex movido a gás natural e a diesel no Rio de Janeiro
Além de reduzir a poluição, o desenvolvimento do produto também quer aproveitar a autossuficiência de gás natural do Estado dentro do Programa Rio Transporte Sustentável

ADAMO BAZANI – CBN

O uso do Gás Natural em ônibus teve seu ápice entre o final dos anos de 1980 e metade da década de 1990.
Nesta época, incentivadas por portarias governamentais, foram feitas várias experiências e até produção em escala de modelos que circularam por várias cidades brasileiras.
Um dos destaques foi a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, de São Paulo, que chegou a ter linhas inteiras só com ônibus a Gás Natural.
Como o tempo, problemas no abastecimento, questões técnicas de funcionamento dos veículos e o aumento dos preços do Gás Natural, o combustível, uma resposta às crises do petróleo dos anos de 1970, acabou perdendo o destaque no Brasil.
Mas se depender da Volkswagem/MAN Latin América e da Robert Bosch a tendência é de o combustível voltar a ser uma das principais fontes de energia para o transporte coletivo, em especial no Estado do Rio de Janeiro. Só que o ônibus é mais moderno e segue uma tendência já assumida pela indústria de carros de passeio: será flex.
Nesta terça-feira, dia 10 de maio de 2011, as duas fabricantes o Governo do Estado do Rio de Janeiro apresentam o ônibus flex Gás Natural e Diesel.
O ônibus atende o Projeto Rio Transporte Sustentável que tem o objetivo de tornar os serviços públicos de locomoção ambientalmente amigáveis.
Segundo as fabricantes, a tecnologia é nacional e uma das pioneiras no mundo.
A MAN Latin América, proprietária da marca e da linha de produção dos ônibus da Volkswagem no Brasil, assim como caminhões, fez o chassi e as adaptações necessárias para o funcionamento com o GNV – Gás Natural Veicular.
A Robert Bosh desenvolveu o sistema de injeção e queima do gás natural no motor do ônibus. Esse sistema permite que 90% das operações em trânsito do veículo sejam feitas com o Gás Natural.
Segundo a Bosch, tal sistema permite que o ônibus tenha a mesma potência (manutenção de velocidade) e o mesmo torque (força, arranque e velocidade em baixas rotações) de um ônibus movido somente a diesel.
Esse sistema também é programado para que seja injetado o mínimo possível de diesel.
O fato de a tecnologia ser flex permite que o empresário tenha autonomia ao optar pelo combustível e garante que o ônibus GNV – Diesel terá o mesmo desempenho do convencional. O baixo desempenho era uma das críticas feitas pelos frotistas aos ônibus diesel antigos. É justamente a mistura dos dois combustíveis que garante a eficiência. Isso porque, mesmo operando com até 90% de GNV, o diesel permite uma queima melhor do gás e a manutenção ideal da temperatura na câmara de combustão. A Bosch nomeou o sistema como DG Flex.
O ônibus apresentado no Rio de Janeiro já têm motor de acordo com as normas de controle de emissão de poluentes Euro V, dentro do Proconve – Programa Nacional de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores – na fase 7, Proconve P 7.
Os motores diesel para ônibus e caminhões respeitando as noras Euro V e Proconve P 7 devem ser comercializados obrigatoriamente a partir de janeiro de 2012.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro instituiu o Programa Rio Transporte Sustentável com vistas à preservação do meio ambiente para futuro, mas começando desde já. A utilização de ônibus com tecnologia mais limpa também procura preparar o Rio de Janeiro para as exigências quanto a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
O desempenho, o consumo e os ganhos ambientais deste ônibus vão ser monitorados não mais em testes de fábrica, mas na operação do dia a dia, em parceria com a Secretaria de Estado, Ciência, Tecnologia e Inovação, com a participação da FAPERJ (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do Programa de Engenharia de Transportes do COPPE (Instituto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia) da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ.
As estimativas são de que os gastos operacionais e com consumo possam ser reduzidos em até 50% e a emissão de material particulado possa cair em até 75%, dependendo do uso e da aplicação do ônibus.
A escolha pelo Gás Natural por parte do Governo do Rio de Janeiro tem uma explicação também.
O Estado diz que é o único no País ser autossuficente em produção de gás natural, por conta da Bacia de Campos, não dependendo do gás produzido na Bolívia.
O Rio de Janeiro possui 48% da frota de veículos leves de todo o País movidos a Gás Natural.
A Europa usa largamente o combustível, principalmente em ônibus.
A Itália já começou com o Gás Natural em veículos nos anos de 1950.
Neste ano de 2011, a Empresa de Transportes de Madri, na Espanha deve investir 51 milhões de euros na aquisição de 165 ônibus a Gás Natural até 2012.
Destes, 146 são movidos somente com Gás Natural e 23 são elétricos híbridos com gás.
São vários os fornecedores:
Iveco: 74 ônibus a gás natural.
MAN: 53 unidades com o combustível mais limpo.
Bredamenari Bus: 15 micros a gás
Os 23 elétricos híbridos / gás natural serão fornecidos por 2 fabricantes:
Castrosua: 13 ônibus híbridos – gás
Tata Hispano Motors: 10 ônibus nestas características.
Gás Natural é a designação genérica da mistura de hidrocarbonetos gasosos resultante da decomposição orgânica fóssil no interior da terra.
Ele é composto em sua maioria por metano, numa proporção de 72% a 82%.
Em 18 de outubro de 2000, a ANP – Agência Nacional do Petróleo, pela portaria 243 considerou como gás natural todo hidrocarboneto encontrado na forma gasosa nas condições naturais de ambiente e temperatura, extraído de reservatórios petrolíferos ou gasíforos.
O Gás Natural também é encontrado em jazidas abaixo da superfície da Terra.
Quando é produzido juntamente com o Petróleo, sendo subproduto do processo de refino, é chamado de gás associado, como é o que ocorre na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, de onde virá o combustível do ônibus Flex Gás Natural e Diesel, produzido pela MAN_Volskswagen com sistema da Robert Bosh, que atende ao Programa Rio Transporte Sustentável.
Quando o Gás Natural é encontrado em jazidas sem petróleo é chamado de gás desassociado, como no Campo de Juruá, na Amazônia.
Como característica, o Gás Natural é mais leve que o mar e dissipa rapidamente na atmosfera em caso de vazamento.
Sua temperatura de ignição é de 600 graus Celsius, bem acima do álcool e da gasolina que variam entre 200 º C e 300 º C.
Isso garante uma queima mais completa e reduz a emissão de monóxido de carbono e hidrocarbonetos em comparação a gasolina.
O Gás Natural foi descoberto no Brasil em 1947, na Bahia. Em 1980 foi encontrado no Rio de Janeiro, justamente na Bacia de Campos.
Aliás, a Bacia é o maior reservatório do Gás Natural. São 400 bilhões de metros cúbicos, o que representa 50% das reservas conhecidas no País.
O incentivo ao gás natural para ônibus começou não por questões ambientais, mas econômicas. Nos anos de 1970, devido às instabilidades políticas no Oriente Médio, o mundo sofreu uma grande crise do petróleo, o que fez com que vários países desenvolvessem estudos para fontes de combustíveis alternativos.
Além do Proalcool, que incentivou a produção e o uso do álcool combustível, houve investimentos para o uso do Gás Natural.
O ônibus do Rio de Janeiro já faz parte de uma nova era nos estudos de combustíveis alternativos e alia tecnologia que pode deixar o gás natural interessante e eliminar problemas, como de desempenho, registrados no passado.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

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Comentários

Comentários

  1. Luiz Vilela disse:

    Ádamo
    Grande e importante reportagem, parabéns!
    Se nossa indústria e pessoal técnico foram vencedores no Proálcool, este gas/diesel tem tudo para ser sucesso semelhante.
    Não entendi bem os elétricos híbridos, solução-sensação do momento nos automóveis de passeio. Até onde sei, tração elétrica é ideal para arrancadas, inclusive em rampas e permite regeneração de energia nas frenagens.
    Torço para que a VWB ofereça câmbios automáticos e rastreadores/atuadores M2M pré instalados para permitir operação gerenciada destes ônibus.
    Ótimas possibilidades para BRT! Torço pelo sucesso dos projetos dele na RMRJ.

  2. Gustavo Cunha disse:

    Adamo, bom dia.
    Apesar do importante avanço, pois trata-se de um combustível de menor ofensa ao meio ambiente, não devemos e não podemos, nos esquecer de que é um combustível fóssil, com prazo de validade.
    Precisamos e devemos, dar mais atenção ao biodiesel, oriundo de matérias – primas renováveis que, além de contribuir para questão ambiental, podem contribuir em muito para geração de emprego e renda, no campo e na cidade também.
    Abraço.

  3. FranciscoRodrigues disse:

    E a prefeitura de São Paulo quando utilizará essa tecnologia?????
    Será que a SPTRANS tem um planejamneto sobre o assunto???
    Hoje o transporte sobre pneus na cidade de São Paulo vive um novo caos, consorcios que não respeitam o usuário, ônibus velhos, falta de gestão da SPTRANS.
    O s concessionários e permissionários não investem em novas tecnologias, enquanto a prefeitura também não faz a lição de casa melhorando o viário, virou uma cidade sem lei.

  4. irisvan dutra vidinho disse:

    gostaria de saber se podem desenvolver micro onibus , muito bom o meio ambiente agradece

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