AS MÃES DOS TRANSPORTES COLETIVOS

Maria Myts Setti Braga, ao lado do filho, João Antônio Setti Braga, e de repórter, matriarca do Grupo da Auto Viação ABC. Ao lado de Fernando Medina Braga, cuidava de tudo na Auto Viação ABC há mais de meio século. Limpava ônibus, recortava cartolina que depois viraria passe e era uma das responsáveis pela administração dos recursos, que foi feita com tanto carinho de mãe que tornou da Auto Viação ABC a matriarca de outros empreendimentos que fazem da família Setti & Braga uma das mais atuantes na economia da região com diversos negócios. Hoje ela vê outra mulher no comando, a filha Maria Beatriz Setti Braga, considerada uma mãe pelos funcionários do Grupo.

As empresas modernas sabem dosar e aproveitar dos benefícios das estruturas familiares com o profissionalismo e novos conceitos, que na verdade, não se contradizem e sim, com suas características se complementam. Na Leblon Transporte de Passageiros mães trabalham junto com os filhos. Orgulho e sensação de crescimento com união são alguns dos sentimentos que estas famílias demonstram, como de Victor Albuquerque Dutra, da área de TI, e a mãe, a cobradora Kátia Fuzaro, e a cobradora Marica Oliveira Vasconcelos e o filho Kelvin Oliveira Pesse, controlador de manutenção.

As mães do transporte coletivo
Presença cada vez maior de mulheres que são mães no setor deixa os serviços mais humanos e o passageiro acaba sendo tratado com mais carinho

ADAMO BAZANI – CBN

Há quem diga que na terra, como o amor de Mãe não há nada igual. E que o amor da mãe mais se aproxima do Amor de Deus.
Na verdade, não se assemelha, mas consiste no próprio amor de Deus que se manifesta no mundo por essas mulheres especiais que têm o dom de se doar sem querer nada em troca, se sacrificar e até sentir a dor por dedicar-se à criação.
Existem muitas mulheres que por questões de saúde ou mesmo opção não podem gerar filhos. Mesmo assim adotam, atuam em trabalhos sociais e tratam o próximo com respeito e carinho, demonstrando que, mesmo não sendo mães biológicas também possuem em seu coração este amor tão especial, que na verdade é um dom.
O setor de transportes coletivos tem muito de se espelhar no amor e na dedicação das mães. Afinal, ele lida com vidas, com seres humanos.
Desde o início dos serviços de transportes por ônibus, as mães direta ou indiretamente estiveram envolvidas no setor.
Quando, entre os anos de 1920 e 1940, o próprio dono dos ônibus, antes de se tornar empresário nas características que hoje conhecemos, dirigia, cobrava, fazia a manutenção e cuidava das finanças, normalmente junto com ele estava a mulher. Isso quando ela também não assumia o volante, a limpeza do ônibus e até mesmo a manutenção, com uma força e uma disposição que davam inveja a muitos marmanjos.
Essas mulheres também eram mães e passavam seu carinho para os filhos e os ensinava a arte de transportar vidas com um cuidado que só quem gerou ou ajudou na formação de uma vida pode ter.
Foram elas que prepararam uma segunda geração de empreendedores de transportes, que já nasceram com uma visão mais humana dos negócios.
Com o tempo e a chamada profissionalização das administrações das empresas de ônibus, que se avolumavam de serviço e só a família não daria conta da demanda e das exigências novas do mercado de transportes, as mães aos poucos foram se afastando do setor.
Ônibus voltou a ser sinônimo de atividade só para homens.
A partir dos anos de 1980, com a crise econômica inflacionária que reduziu os ganhos das famílias e obrigou as mulheres ajudarem no orçamento de casa, e também como fruto das lutas das mulheres desde os anos de 1960 por melhores colocações na sociedade, elas voltar a atuar aos poucos no setor de transportes coletivos.
Hoje, empresas tratam nos processos de seleção, homens e mulheres da mesma maneira e muitas de destacam nos testes para as mais variadas funções, desde as áreas administrativas até as operacionais e de manutenção, que antes eram dominadas pelo público masculino.
As empresas de ônibus dizem que só têm a ganhar com a presença das mulheres e, em especial das mães, biológicas ou não, nos quadros de funcionários.
A Leblon Transporte de Passageiros, em Mauá, na Grande São Paulo, tem mais de 70 mulheres em seus quadros de funcionários, boa parte mães, e afirma que elas são exemplo de cuidado e carinho, que possuem em seu instinto, no atendimento ao passageiro, o que deixa os transportes mais humanos.
Algumas destas mães têm os filhos que atuam na mesma empresa.
As exigências técnicas e profissionais não são comprometidas pelas relações pessoais, mas haver um clima familiar na garagem é um diferencial para a empresa do Paraná, que opera em Mauá desde 06 de novembro de 2010.
E a alegria de mães possuírem filhos trabalhando na mesma companhia é notória quando elas vão comentar este fato.
Márcia Oliveira Vasconcelos é cobradora e o filho Kelvin Oliveira Pesse é auxiliar de manutenção.
Para a entrevista, Márcia preparou até uns versinhos sobre o dia das mães. Um deles diz:
“Uma mãe não é uma pessoa em que se possa apoiar, mas uma pessoa que faz com que não se precise apoiar em ninguém”
O filho dela, Kelvin, di que trabalhar na mesma empresa com a mãe é uma segurança.
“E um apoio a mais e o clima que já é bom fica mais legal ainda”
A cobradora Kátia Fuzaro de Albuquerque Dutra se sente orgulhosa do filho Victor de Albuquerque Dutra, da área de Tecnologia da Informação.
“É gratificante ver o filho no primeiro emprego e já crescendo profissionalmente junto conosco. Eu quero crescer a cada dia e ele também. É um orgulho”
Victor retribuiu o sentimento e se relembra da primeira viagem que fez como passageiro e sua mãe como cobradora.
“Foi um orgulho muito grande, uma satisfação mesmo. Com ela, na Leblon, aprendo na prática o que é coletividade, trabalho em grupo, parceria, respeito, profissionalismo” – conclui.
A diretoria da Leblon informou à reportagem que a imagem da gestante ao cuidar da nova vida que se forma é um exemplo a ser seguido.
Para a empresa, o mesmo carinho, proteção e dedicação que a mãe dá a seu filho que ainda nem nasceu deve fazer parte da forma como as viações conduzem as vidas.
Na gestação a mãe não só transporta, mas dá o melhor e se comunica com a vida que está dentro dela. As empresas também devem se comunicar com os passageiros e oferecer a eles o melhor.
Para a diretoria da Leblon o fato de haver pais, mães e filhos trabalhando numa mesma empresa não tira o profissionalismo da companhia. Muito pelo contrário, segundo a companhia, a empresa moderna é comporta pela eficiência do profissionalismo e pelo cuidado da estrutura familiar.
A Metra, Sistema Metropolitano de Transportes, que opera o Corredor ABD – (São Mateus, zona Leste de São Paulo ao Jabaquara, na zona Sul, pelos municípios de Santo André, Mauá, São Bernardo do Campo e Diadema) também afirma que a presença de mulheres e mães também traz um diferencial para o setor.
A empresa possui mais de 300 mulheres em seus quadros profissionais também em diversas áreas, desde as mais convencionais para a mão de obra feminina até as consideradas tipicamente masculinas.
Aliás, na Metra, o instinto de mãe começa desde cima, com a diretora da empresa, Maria Beatriz Setti Braga.
A família Setti Braga sempre teve a presença das mães atuando na direção da empresa. Maria Myrtis Setti Braga, no início da Auto Viação ABC, há mais de meio século, ajudava Fernando Medina Braga na confecção de passes de cartolina, na limpeza dos ônibus e na administração dos recursos da empresa, o que fez com que a família estivesse a frente de um dos maiores grupos de negócios do ABC Paulista, com vários empreendimentos, como a Metra, a Eletra (fabricante nacional de trólebus e de veículos de transporte coletivo com tecnologia que não produz poluentes), SBC Trans ( consórcio que opera com exclusividade os ônibus municipais de São Bernardo do Campo), a própria Auto Viação ABC, Cemitério Vale dos Pinheirais, em Mauá, franquias do Habib’s na região entre outros.
De acordo com funcionários da Metra, a atual diretora, Maria Betriz Setti Braga, trata o grupo e os empregados como se fosse mãe deles, com carinho, respeito, mas repreensões e observações, feitas com o cuidado e para o bem.
Na matéria citamos duas empresas que se dispuseram a abrir suas portas.
Mas há tantas outras que se espelham nas mães que trabalham em seus quadros profissionais.
Infelizmente, nem todas as viações, no entanto, sabem valorizam as mães e mulheres que possuem. Não é tratá-las com privilégios, mas reconhecer a luta que elas acumulam no mercado de trabalho e na mais difícil que é formar um ser humano, pois gerá-lo até que é fácil.
E como o dia das mães na verdade é todo o dia, que as empresas de ônibus, diariamente, no cotidiano dos passageiros, se espelhem no exemplo das mães para cuidarem dos seus clientes com carinho, cuidado e dedicação que todo o ser humano merece.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN especializado em transportes.

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