VOLARE ENTRA EM CAMPO

Volare Canavial

Miniônibus Volare Canavial, apresentado na feira internacional de tecnologia Agrishow. Veículo alia robustez ao conforto. Ao mesmo tempo que possui suspensão reforçada e maior altura em relação ao solo, para desníveis e relevos irregulares, típico de fora de estrada nas condições das lavouras brasileiras, miniônibus também apresenta bancos mais confortáveis e pode ter até ducha interna para higienização e descontaminação de trabalhadores rurais, que lidam com produtos químicos nas plantações. Foto: Fernando Manuel.

Volare vai a campo
Empresa apresentou miniônibus específico para o transporte agrícola que possui até chuveiro para os trabalhadores rurais

ADAMO BAZANI – CBN

Em boa parte do país, o transporte de trabalhadores rurais é feito com ônibus antigos, mal conservados, normalmente que não são considerados mais em condições para os serviços nas cidades.
O resultado desse cenário é um número assustador de acidentes e tragédias nas estradas e perto de lavouras.
De acordo com O Ministério da Previdência, com base no CAT – Comunicado de Acidentes de Trabalho – chegam a ocorrer a cada ano mais de 3.200 acidentes no trajeto dos trabalhadores rurais.
No mesmo período, são registradas mais de 400 mortes no meio rural.
Os números podem ser bem maiores, isso porque dois terços aproximadamente dos trabalhadores rurais atuam na informalidade, ainda de acordo com a Previdência Social.
Isso sem contar que até 25% dos CATs apresentam problemas no preenchimento dos dados.
Para tentar minimizar o problema, desde março de 2005, o Ministério do Trabalho e Emprego determinou regras específicas para o transporte de trabalhadores rurais que estão reunidas na Norma Regulamentadora 31 (NR 31).
Mas a Volare, empresa líder no segmento de miniônibus, pertencente ao Grupo da Marcopolo, quer ir além das normas e oferecer o conforto que o trabalhador rural realmente merece e ao mesmo tempo rentabilidade para o dono do ônibus.
Durante a Agrishow 2011, uma feira internacional de tecnologia agrícola, a Volare foi a única fabricante de veículos de transporte coletivo a expor um produto no evento, que ocorreu nos primeiros dias de maio.
Trata-se do Volare Canavial, um minionibus que promete inovar o serviço de transporte de trabalhadores agrícolas.
O veículo é feito para enfrentar a terra, as regiões de plantação, sendo um legítimo fora de estrada, segundo a fabricante.
Isso porque ele é robusto: a altura em relação ao solo é maior para enfrentar os desníveis do solo irregular, a suspensão é reforçada e a distância entre os para-choques e os eixos dianteiros e traseiros é menor, o que facilita em subidas e para transpor valas. Os para-choques também são desenvolvidos para absorver impactos.
Robustez nunca se opôs ao conforto. Muito pelo contrário. Uma característica complementa a outra.
No Volare Canavial isso pode ser visto claramente.
Na parte externa, o minionibus possui toldos e cadeiras retráteis para as refeições e descanso dos trabalhadores, além de geladeira de 40 litros, com 12 horas de autonomia de refrigeração, e pia.
Por dentro, o ônibus tem bancos mais confortáveis e pode ser equipado com até dois banheiros (feminino e masculino) e duchas para a higienização dos trabalhadores. Além de ganhar tempo, já que os agricultores podem se lavar enquanto retornam para a casa, o equipamento pode auxiliar até mesmo na saúde do trabalhador, principalmente aqueles que precisam passar por processos de descontaminação diários por lidarem com produtos químicos usados nas lavouras, como fertilizantes, agrotóxicos e herbicidas. Para estes trabalhadores, o quanto antes de descontaminarem logo após a jornada de trabalho é melhor para que os produtos tenham menos contato com o organismo.
O Volare Canavial pode transportar até 31 passageiros sentados. O motor é um MWM 4,12 TCE Euro III.
As dimensões são compatíveis para o tipo de serviço. O comprimento total é de 8,085 metros com entre-eixos de 4,2 metros. O Volare Canavial está preparado para transportar até 11 toneladas.
No Agrishow, a Volare também apresentou um dos seus veículos da linha WFLY, minionibus de luxo que parecem automóveis, com todos os itens de conforto e acabamento que não fazem feio em comparação a muitos carrões de categoria.
Há dois modelos, o W 9 e o D W 9. Em comum eles têm sinalização externa Full LED, mais visível, plásticos de engenharia 100 % recicláveis nos para-choques, o que os torna ambientalmente amigáveis. Este tipo de plástico também faz parte das laterais e revestimentos internos, que ajudam a absorver impactos.
Com 31 passageiros, além do motorista, o W 9 WFLY tem mais espaço interno que os outros da categoria, segundo a Volare. O piso é 75mm mais rente ao solo, o que facilita as operações de embarque e desembaque. As janelas são 200 mm mais altas o que permite mais visibilidade para os passageiros, além de ajudar a iluminação interna.
Na feira Agrishow, WFLY apresentado foi um DW 9, motor Mercedes Benz OM 904 LA III, podendo tracionar 9,1 toneladas, sendo que o eixo traseiro suporta 5,9 toneladas.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

5 comentários em VOLARE ENTRA EM CAMPO

  1. Adamo, bom dia !
    Vejo que estás a peregrinar pelo nosso interiorzão. Obrigado por nos prestigiar.
    O exemplo da Volare precisa, merece ser seguido; mais, com amplitude.

    Abraço.

  2. Caro Ádamo
    Ótima reportagem e ótimo exemplo de aplicação correta do modal ônibus. E numa atividade profissional das mais significativas do nosso mercado.
    Apenas achei 31 lugares exagerado pelas dimensões e equipamentos do miniônibus.

  3. Há algumas décadas atrás ficavamos estarrecidos com o grande número de trabalhadores rurais (também conhecidos como boias frias por causa da refeição/marmita fria que tinham que comer por não ter lugar onde esquentar) que morriam trajicamente em acidentes com os famosos caminhões chamados de paus de araras, muitas vidas foram ceifadas até que por força da lei esse tipo de veiculo foi substituído por ônibus na sua grande maioria usados, até é hoje é comum quando viajamos pelos interiores encontrar-mos verdadeiras reliquias ainda em pleno funcionamento transportando trabalhadores. Recentemente vi numa estrada do interior paulista ônibus pertencentes á Breda a serviço de uma grande usina de açucar e alcool eram Apaches/Vips I com a descrição Rurais, dava pra ver que os veiculos eram exclusivos, em conversas fiquei sabendo que a Breda havia fechado um grande contrato para prestar esse tipo de serviço, além dela muitas empresas de fretamente estão adaptando ônibus mais antigos para transportar exclusivamente trabalhador rural. Duas coisas podemos observar uma, a força da lei fez com que essas mudanças ocorresem, pois mesmo nas cidades as prefeituras não podem mais transportar trabalhadores em carrocerias de caminhão ou similar, na cidade de São paulo por exemplo Kombis são contratadas para transportar, garis, limpadores de bueiros, operários da manutenção, segunda coisa é que o agronegócio no Brasil tende cada vez mais se profissionalizar com a aplicação de novas técnologias e também as grandes corporações adentraram o setor, visto que o Brasil é um grande exportador agrícola, sendo assim daqui algum tempo veremos de fato o desaparecimento das reliquias que tanto gostamos do meio rural, pois a medida que o setor avança necessita implantar programas de qualidade de vida dos trabalhadores, sobretudo no meio rual onde ainda em algumas regiões a mentalidade escravocrata prevalece, além disso o Brasil assinou junto a OIT (Organização Intenacional do Trabalho) tratados que visam melhorar as condições de vida e trabalho. Nesse sentido creio que o Volare Rural é o início de uma nova tendencia para encarroçadoras, afiinal esse era um mercado ainda esquecido, acho que em breve também veremos mais novidades nesse segmento das demais encarroçadoras, são bem vindas pois o trabalhador seja ele rural ou urbano merece dignidade e conforto, sem eles não há mercado e finalmente o meio rural está mudando amentalidade e tendo que modernizar se não perederá mercado. Só temos agradecer a iniciativa da Marcopolo e também ao nosso grande jornalista Adamo Bazani pela excelente matéria.

  4. Amigos, bom dia

    Por uma lado, esta questão ainda precisa de ser totalmente melhorada, pois é inconcebível o transporte de trabalhadores nas “SUCATAS” que ainda rodam pelo
    Brasil afora.

    Não conheço a noramatização da área, mas transportar pessoas em SUCATAS em pleno ano de 2011; é além de inconcebível é inadimissível.

    Tai uma questão para a Marcopolo fomentar no Congresso Nacional.

    Outra questão que deveria ser aprimorada é o rótulo colocado nos veículos, quem sabe colocoar o gênero “TRABALHADORES” a exemplo dos ” ESCOLARES”

    Nos dias de hoje ainda tem gente que é contra as máquinas de cortar cana.

    Precisamos pensar grande, quem sabe a Marcopolo com a sua expertise, não possa
    coordenadar este projeto de melhoria lá em Brasília.

    SUCATA NA ROÇA, NUNCA MAIS, SÓ VOLARE E COM AR CONDICIONADO COM MOTOR INDEPENDETENTE PARA O BRUTO NÃO PEDER POTÊNCIA.

    VASMOS PENSAR GRANDE, E SE HOUVERNAUMENTO DE CUSTOS, VAMOS RATEAR ENTRE TODOS PARA UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA PARA TODOS, PRINCIPALMENTE PARA OS TRABALHADORES.

    Grato

    Paulo Gil

  5. Caro Adamo.
    Como consultor do Volare no interior de São Paulo(Ribeirão Preto) fico grato pela execelente reportagem sobre o Volare Rural,Digo isso por que anos atras perdi um ente querido com acidente de Caminhão de transporte rural, pois o mesmo estava em pessimo estado de conservação e sem nenhum manutenção, e veio acontecer um acidente gravíssimo tirando a vida de minha mãe e outras pessoas também, Parabéns a Marcopolo Volare a pensar na vida de nossos trabalhadores rurais que tanto contribuem para economia de nosso País.
    Esperamos que as empregadoras de trabalahores rurais se adequem o mais rápido possivel.

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