RIO GRANDE DA SERRA: UMA NOVATA CHEIA DE CONTRASTES

Busscar Urbanus da Viação Pérola da Serra, próximo ao cruzamento da linha férrea que corta a cidade e a divide em duas realidades diferentes. Empresa foi sucedida pela Viação Talismã atual operadora. Foto: Tiago G. – Matéria: Adamo Bazani

Uma novata que precisa se desenvolver
Rio Grande da Serra, no ABC Paulista, comemora hoje 47 anos de emancipação. Ônibus enfrentam verdadeiros desafios para servirem a população, mas serviços precisam melhorar, mesmo depois da licitação

ADAMO BAZANI – CBN

Ela nem chegou a meia-idade, mas já acumula muitas experiências. Positivas, como a luta pela preservação ambiental e por manter um clima ainda interiorano e negativas e bem contraditórias, como o crescimento urbano desordenado e a violência.
Rio Grande da Serra, no ABC Paulista, completa nesta terça-feira 47 anos de emancipação, com uma população superior a 44 mil habitantes.
Ao chegar na cidade, duas impressões.
Inicialmente, parece uma cidade pacata, de interior. Mas logo é possível perceber algumas características de cidade grande. Não dá pra conversar no meio da rua sem o perigo do trânsito, principalmente nos acessos para a cidade. O transporte coletivo é feito por trens da CPTM, que ligam a cidade aos demais municípios do Grande ABC e à Capital Paulista. Ônibus intermunicipais, da Viação Ribeirão Pires, também ligam Rio Grande da Serra às outras cidades do ABC e São Paulo. Os ônibus da Rigras Transportes e Turismo vão até a região de Suzano.
Rio Grande da Serra também atrai turistas. Muitos de passagem que têm como destino a vila com características inglesas de Paranapiacaba, palco da ferrovia paulista, quando em 1867 a São Paulo Railway inaugurou a linha Santos a Jundiaí.
Apesar de ser o berço dos trens em São Paulo, Paranapicaba, que mantém casas de estilo bem antigo e um relógio na estação parecido com o Big Ben, não recebe mais trens, a não ser o Expresso Turístico, que só funciona de final de semana e os cargueiros da MRS.
Assim, os turistas descem na estação de Rio Grande da Serra e seguem de ônibus da Viação Ribeirão Pires até a vila inglesa ou já pegam o ônibus da mesma empresa na estação Prefeito Saladino, em Santo André.
Como outros municípios da grande São Paulo, Rio Grande da Serra começou a experimentar o desenvolvimento urbano depois da construção da ferrovia.
O local, antes mesmo da chegada dos primeiros imigrantes portugueses por índios da tribo Geribatiba.
Já no entre os séculos XVI e XVII se tornou rotas de tropeiros e bandeirantes em busca das riquezas naturais. Em 1661, depois da morte de um tropeiro foi erguida a Capela Santa Cruz, atual Capela São Sebastião. A capela trouxe já um caráter mais urbano a Rio Grande da Serra, mas nada comparado à inauguração de sua estação em 16 de fevereiro de 1867.
Entre os anos de 1940 e 1960, toda a área do ABC que era adminstrada por São Bernardo do Campo e depois Santo André, começou a assistir um intenso movimento para as emancipações.
Era o momento político em busca de descentralizações, que cada região descobria suas forças econômicas, que podiam deixá-los independentes, pelo menos administrativamente, e do surgimento de mais gente que via no sistema político uma grande oportunidade conseguir poder e recursos.
Rio Grande da Serra, que pertencia Ribeirão Pires, foi o último município a se emanciapar, em 03 de maio de 1964.
Os transportes, em Rio Grande da Serra, apesar de não serem considerados os ideais, foram responsáveis pelo crescimento da cidade. Não só os ferroviários, mas os ônibus, que enfrentaram, e ainda enfrentam ruas de terra, nenhum pavimento e locais de difícil acesso.
Por questões de preservação ambiental, falta de recursos e também de atuação do poder público, boa parte das ruas, principalmente depois da linha do trem não é pavimentada.
As que são, apresentam buracos e necessidades de reformas.
Transportar em Rio Grande da Serra nunca foi uma tarefa fácil, mas os ônibus se tornaram mais que essenciais principalmente depois dos anos de 1970, quando a novata cidade recebeu um fluxo de migrantes muito intenso, em especial de mineiros e nordestinos.
Além da falta de estrutura, o aumento da demanda exigia maior rapidez e agilidade operacional dos ônibus.
Os transportes municipais de Rio Grande da Serra são operados pela Viação Talismã, da família de José Pereira.
Nos anos de 1980, ele começou a intensificar sua atuação na cidade ainda coma Viação Pérola da Serra, que operou até os anos de 1990.
Robustez era o que precisavam os ônibus da Pérola da Serra. Não era raro ver veículos com o chassi em maior distância do solo e algumas avarias, quase inevitáveis, nos para-choques e partes da lataria.
A Viação Talismã foi instituída, segundo a Junta Comercial de São Paulo em 13 de novembro de 2000 e também pertence a família de José Pereira.
Em 10 de outubro do ano passado, a Talismã venceu a licitação dos transportes da cidade, depois de sua operação ter sido considerada irregular pelo Ministério Público. A Talismã opera há 10 anos sem contrato.
Na licitação ela venceu a Volare Turismo empresa da mesma família. Foi uma licitação caseira. A Volare foi representada por Amélia Cristina de Paula Breyer.
A frota foi renovada e o que há algum tempo não se via em Rio Grande da Serra, veículos novos, puderam ser aproveitados pela população. Pelo menos 3 ônibus novos do total de 9 que a empresa deve ter.
Devota de Nossa Senhora Aparecida, em todo 12 de outubro a família controladora da Talismã promove festas que também são destinadas às crianças, que são homenageadas neste mesmo dia.
A cidade de Rio Grande da Serra é sem dúvida cheia de contrastes. A tranqüilidade mescla-se com os problemas de segurança de grandes centros. Um sistema de transportes que conta com ônibus municipais e intermunicipais, além de trens da CPTM, trafega sobre vias de terra ou esburacadas. As áreas de preservação ambiental deixam a cidade com um ar de natureza, mas são invadidas por loteamentos irregulares. A cidade da natureza também têm nas proximidades uma grande indústria química.
Defeitos e virtudes marcam Rio Grande da Serra, uma cidade modesta, mas que pode se desenvolver ainda mais, sem agredir o meio ambiente para isso.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

7 comentários em RIO GRANDE DA SERRA: UMA NOVATA CHEIA DE CONTRASTES

  1. Erick Santiago Cardoso // 3 de maio de 2011 às 18:02 // Responder

    Lembro-me como se fosse hoje o dia que conheci a cidade de Rio Grande da Serra, lá ono longínquo ano de 1998. E muito me impressionou o clima agradável da cidade, e a semelhança às cidades do interior. Triste saber que esse município enfrenta tantos problemas.

  2. Muito boa reportagem Adamo…

    parabens!

  3. Adamo, boa tarde !

    Estás bem ? Desejo que sim !

    É com muita alegria que tomo contato com notícias de cidades, pequeninas, com ar de interior. Fico surpreso em saber que tal fato, ocorre tão próximo a capital. A algum tempo era dito que, São Caetano do Sul, apesar de possuir por volta de 100.000 habs. possuía ares de cidade do interior. Quanto a Rio Grande da Serra, a Viação Talismã dá conta de suprir a demanda com singelos 9 carros ???
    A algum tempo, recebi de um amigo aqui do interior, algumas fotos de carros da RIGRAS, LINDOS !
    A RIGRAS ainda existe ?
    Abraço forte !

  4. Talismã é uma mão na roda de RGDS, ela até pavimenta as ruas

    • Gabriel, bom dia !

      É bom saber desta contribuição de uma pequena empresa. É evidente que ela se preocupa com o “tráfego” de seus veiculos, em suas linhas, e, além disso, também ajuda a comunidade.

      Abraços.

  5. oi eu tenho muita saudade dessa cidade morei ai de 1992 a 1996 e amei por motivos pessoal tive que vim embora mais amo de paixao essa cidade parabens pela reportagem gostaria de receber fotos no meu email para matar um pouco a saudade que e enorme beijos e parabens

  6. Apesar de ter nascido em Santo André e sempre ter morado na ZL da Capital, meus finais de semana sempre foram aí em Rio Grande, no Novo Horizonte que só agora recebeu um linha de ônibus, a 117 da Rigras (antes, só um VIRIPISA manobrando de vez em quando…) … peguei as ruas de barro, as lombadas que eram verdadeiros postes, além da sensação, ainda existente, de acordar com os cargueiros apitando a km de vc….

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