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FAIXA DA VILA MARIANA: DESRESPEITO DE TODOS OS LADOS

Ônibus é obrigado a sair de faixa exclusiva porque carros estão estacionados em seu espaço. Faixa da Vila Mariana é improvisada e gera confusão. População precisa de corredores de verdade, como os prometidos pelo Prefeito Gilberto Kassab que prometeu 66 km e não entregou nenhum. – Foto: Fábio Braga / Folha Press – Publicada no Jornal Agora São Paulo de 126 de abril de 2011.

Faixa improvisada na Vila Mariana mostra desrespeito de todos os lados
A confusão foi grande e especialistas afirmam que medida tem caráter político apenas para passar a impressão de que transporte público é priorizado

ADAMO BAZANI – CBN

Toda mudança exige um período de adaptação e pode gerar confusões. Isso é normal principalmente no trânsito de São Paulo, bem complexo e com um volume de veículos que supera a população de países inteiros.
Mas quando tais mudanças parecem ser feitas no improviso, sem o planejamento necessário, incompletas ou às pressas apenas para darem respostar à cobrança social, aí a situação das confusões e dificuldade de adaptação se agrava ainda mais.
É o que ocorreu nesta segunda-feira, dia 25 de abril de 2011, na instalação de uma faixa exclusiva de ônibus não permanente na Rua Domingos de Moraes, na Vila Mariana.
O primeiro dia de operação foi marcado até por conflitos pelo espaço entre ônibus e carros de passeio.
As invasões dos carros eram constantes. Ironicamente, onde estava escrito ÔNIBUS passava carros e no lugar para os carros, os ônibus eram obrigados a trafegar.
A confusão foi agravada porque os horários de Zona Azul foi alterado. Normalmente, a Zona Azul na cidade de São Paulo funciona de segunda a sexta-feira das 7h às 19h e aos sábados das 7h às 13h.
Por causa da intervenção, no trecho, o horário foi limitado entre 9 h e 17 h.
Mesmo com a sinalização, alguns motoristas tentavam estacionar na área do corredor.
Muitos, no entanto, viam a sinalização, que era clara e insistiam em invadir a faixa de ônibus.
Desrespeito de parte da população.
Mas também não deixa de haver um desrespeito do poder público: a forma como foi implantada a alteração que não pode ser considerada em hipótese nenhuma como corredor.
Primeiro porque tudo é no improviso. Não existe uma segregação e uma priorização de fato ao transporte público.
Apenas no sentido centro, os ônibus trafegam nesta faixa e somente nos horários de pico, das 6 h às 9 h e das 17h às 20 h. O trecho, entre as Ruas Afonso Cruz e Afonso Celso, tem apenas 750 metros de extensão.
Para que a área tenha um corredor, ou pelo menos uma faixa, de fato, serão necessários, segundo a Prefeitura, obras de 3 meses para o alargamento da Rua Domingos de Moraes.
Enquanto isso, o improviso e a desorganização continuam.
Para especialistas, a medida foi tomada não só pela urgência de a região ter um sistema atraente que aliviasse a demanda de parte da linha 1 Azul do Metrô, mas por questão de imagem política.
Nenhum dos 66 km de corredores para ônibus prometidos pela Gestão do Prefeito Gilberto Kassab foi inaugurado ou pelo menos teve a obra concluída.
Então, antes da conclusão da obra da Domingos de Moraes, Kassab colocou a faixa em funcionamento. Uma das maiores cobranças em relação às promessas não cumpridas é justamente esse descaso com os corredores de ônibus.
E mais uma vez, o fato de o corredor se alternar com estacionamento de Zona Azul, é encarado como prioridade ao transporte individual.
Às repórteres Analuiza Tamura e Fernanda Barbosa, do Jornal Agora São Paulo, o engenheiro Creso Peixoto, especialista em transportes da FEI, disse que o revezamento entre Zona Azul e Corredor de Ônibus na Domingo de Moraes é uma atitude “sóciopolítica” para agradar os motoristas.
“Com o tempo, isso vai ter de desaparecer para privilegiar o transporte público e de massa”. – concluiu.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes e repórter da Rádio CBN.

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