Ícone do site Diário do Transporte

BALTAZAR NÃO MANDA MAIS EM MAUÁ

“Empresa de ônibus não manda em Mauá”
Declaração foi feita pelo vice-prefeito de Mauá, Paulo Eugênio, em referência a quebra do monopólio dos transportes na cidade que pertencia ao empresário Baltazar José de Sousa. Melhoria nos transportes significa ganho para a população e será uma das plataformas políticas para a reeleição de Oswaldo Dias

ADAMO BAZANI – CBN

População de Mauá, depois de várias disputas judiciais e até atos violentos durante a transição do sistema de transportes, agora pode comparar os serviços entre duas empresas de grupos diferentes. Prefeitura também pode traçar parâmetros comparativos. A quebra do monopólio dos transportes de Mauá foi comparada pelo vice-prefeito Paulo Eugênio, com a ação que ocorreu em São Paulo em 2003, quando empresários que não correspondiam com bons serviços saíram da Capital Paulista. Foto: Adamo Bazani

Esse é o título claro da entrevista do vice-prefeito e secretário de Saúde de Mauá, Paulo Eugênio, que ocupa nesta sexta-feira, uma página inteira do Jornal ABCD Maior.
Ele afirma que não passa de lenda a história de que quem domina a cidade é o empresário Baltazar José de Sousa, que por mais de 20 anos operou exclusivamente os serviços municipais de Mauá.
Depois de muitas disputas políticas, judiciais e até atos violentos, a Leblon Transporte de Passageiros, vencedora reconhecida pela Justiça do Lote 02 dos transportes municipais, começou a operar no dia 06 de novembro. Por causa das ameaças e clima tenso, o primeiro dia de operação da empresa do Paraná, teve de contar com apoio policial.
Um dia antes de a empresa começar a funcionar, a Justiça Paulista ainda não tinha se decidido sobre o início das operações, o que ocorreu somente no final da tarde.
Paulo Eugênio não esconde o ganho na imagem da cidade que a entrada da Leblon proporcionou. Tanto é que Oswaldo Dias disputará, segundo o vice-prefeito, a reeleição.
O vice-prefeito comentou da estratégia da oposição em lançar vários pré-nomes como possíveis candidatos, sobre a cobrança na taxa da luz, os investimentos no Hospital Nardini e a regularização das áreas de ocupação.
Ainda sobre a quebra de monopólio de transportes em Mauá, Paulo Eugênio afirmou que, em São Paulo, a prefeitura enfrentou um período de transição difícil quando saíram da Capital Paulista vários empresários, que segundo a administração pública da época, não correspondiam às exigências de qualidade operacional e lisura com os recursos obtidos pelo sistema. Entre estes empresários que deixaram de prestar serviços em São Paulo, estava Baltazar José de Sousa, que operava totalmente os transportes de Mauá até 06 de novembro de 2011.

ABCDMaior: Qual o impacto que a alteração dos trajetos de ônibus trouxe para a cidade?

Paulo Eugênio: Nós percebemos que em Mauá todos os ônibus vinham para o centro da cidade, travando algumas vias e, geralmente não tão cheios. Do ponto de vista do trânsito. A idéia é fazermos a coleta de passageiros nos bairros, então uma baldeação no ponto, para, assim, termos uma quantidade menor de ônibus para o centro da cidade, garantindo conforto e rapidez. Teremos ônibus menores circulando nos bairros e maiores levando até o centro.

ABCDMaior: Essas mudanças seriam possíveis caso ainda apenas uma empresa estivesse na operação das linhas municipais?

Paulo Eugênio: Hoje podemos comparar os serviços das duas empresas, embora uma não esteja na mesma linha que a outra, até porque são lotes diferentes. A Secretara de Mobilidade Urbana pode comparar a qualidade do serviço prestado para o usuário e os horários. Então, aumentar a eficiência era um desejo antigo de Mauá. Além disso, quebrou-se a lenda de que era a empresa de ônibus que mandava na cidade. Quem manda na cidade é o poder público.

ABCDMaior: Marta Suplicy (PT) enfrentou situação semelhante quando era prefeita na Capital. Qual sua avaliação política sobre a quebra do monopólio?

O período de transição foi bem difícil. Na nossa avaliação isso já está superado. Teve momentos de violência, ameaças, a preocupação do sindicato com os trabalhadores, com medo de gerarmos demissões. Por isso, deu-se prioridade aos trabalhadores que já estavam na empresa, para que se implantasse uma nova empresa na cidade. Mas hoje não há possibilidade de retorno e o modelo vem sendo bem avaliado pela população. As duas empresas terão que funcionar no mesmo patamar de qualidade.

A entrevista seguiu com outros assuntos, além da área de transportes.
Mas a prefeitura, pelo vice Paulo Eugênio, deixou claro que houve sim atos violentos para a impedir da Leblon entrar, além da batalha jurídica, que era esperada, mas que agora não tem como a Leblon deixar de operar no lote 02 da cidade, mesmo ainda com as contestações judiciais por parte do grupo de Baltazar José de Sousa.
Confira a entrevista na íntegra:

Clique para acessar o 306.pdf

O ABCDMaior também destaca que a partir de julho os passageiros da Viação Cidade de Mauá (antiga Barão de Mauá) e da Leblon poderão fazer integração tarifária com os trens da CPTM. Para isso já estão sendo feitas negociações entre Prefeitura de Mauá é Governo do Estado.. O acordo com a CPTM _ Companhia Paulista de Trens Metropolitanos foi fechado no início deste ano. A passagem deve ficar 13% mais barata. Hoje quem usa os ônibus municipais de Mauá e o trem gasta R$ 5,40 por sentido. Com a integração, o gasto deve cair para R$ 4,70.
Dos 130 mil passageiros diários dos ônibus municipais, 60%, ou seja, 78 mil passageiros, precisam continuar viagem de trem.
A economia com a integração, para quem usa o ônibus e o trem ida e volta, pode chegar a R$ 28 por mês.
Já a integração com os ônibus intermunicipais e entre os municipais de diferentes cidades no ABC, com o Bilhete Único Regional, está bem menos adiantada e sequer saiu no papel, estando apenas no âmbito das discussões do Consórcio Intermunicipal do ABC.
As especificidades de cada cidade são discutidas, o que tem sido o maior impedimento pa ara a integração regional. A integração não é bem vista por parte de empresários, tanto é que, na cidade de Santo André, tirando o sistema tronco alimentador de Vila Luzita, praticamente não há integrações sequer nos terminais.
A entrevista com o vice-prefeito foi assinada pela jornalista Fabíola Andrade e a matéria sobre a integração dos ônibus de Mauá com os trens da CPTM foi feita pela jornalista Carol Scorce.
Adamo Bazani, repórter da CBN, especializado em transportes.

Sair da versão mobile