A forma correta de calcular a velocidade média de um meio de transporte, é levar em conta também no cálculo o quanto o passageiro gasta para chegar até o veículo. Nesse aspecto, a velocidade média do TRANSPORTE DO BRT, e não só do veículo em si, supera do VLT, pois os pontos de embarque do Bus Rapid Transit são mais próximos e ecigem menos caminhadas; É a felxibilidade dos ônibus.
Estudo revela que BRT é o modo de transporte mais barato para a implantação e bem mais rápido que o VLT
Transportes urbanos na Bahia ainda são incógnita
Faltando poucos anos para a realização da Copa do Mundo de 2014, governo da Bahia sequer definiu o modelo de veículo e sistema. Metrô de Salvador vive uma novela de 12 anos.
ADAMO BAZANI – CBN
Conforme levantamento realizado pela reportagem, todos os 47 principais projetos de mobilidade voltados para melhor qualidade de vida e deslocamento nas cidades e para atender a demanda maior e mais exigente para a Copa de 2014 sofrem algum tipo de atraso. Os projetos mais caros, cujas obras são mais complexas e exigem intervenções maiores, como VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos – ou monotrilhos, representam os maiores atrasos e indefinições. Os contratos, caros, são complexos, precisam ser mudados com mais freqüência e as obras provocam um impacto muito maior no meio ambiente, sendo necessário mais cuidado para liberação de licenças ambientais.
Em algumas regiões do País, a situação é mais indefinida ainda.
O Governo da Bahia sequer escolheu ainda o modal a ser utilizado em algumas obras.
Na Bahia existe até uma secretaria e uma máquina de empregos públicos por trás dela para cuidar da mobilidade e assuntos relacionados a Copa. É a Secopa – Secretaria da Copa do Mundo. Assim, no estado já existe toda uma estrutura burocrática para preparar Salvador e as cidades vizinhas para o Mundial de Futebol. Falta só o básico: alguém definir o que será feito e quando.
Na Bahia, ninguém sabe ainda se quem vai atender Salvador, Lauro de Freitas e a Região Metropolitana vai ser um sistema de ônibus rápido e moderno, como de Curitiba, ou o sistema de Veículo Leve sobre Trilhos.
Dez empresas já foram contratadas para realizar estudos. Mesmo sem informar o valor, o governo da Bahia admite que tais estudos consomem um valor significativo de dinheiro público, além de estrutura da máquina governamental.
O Secretário Executivo da Secopa., Renan Araújo, afirmou à TV Globo local e ao G1 da Bahia, que a definição do projeto e do modelo de transporte deve ser dada em um mês, mas ele admite que, dependendo das discussões e problemas encontrados no decorrer dos estudos, este prazo pode subir para 100 dias.
Ou seja, Salvador e Região Metropolitana não só não atrasaram as obras, como sequer ainda não sabem o que vão fazer.
O Governo do estado se diz imparcial quanto aos modelos, mas admite que, se o tempo for escasso e os valores muito altos, a solução mesmo será o BRT (Bus Rapid Transit).
. “Queremos entender a melhor alternativa para o transporte de massa quanto à viabilidade técnica, avaliação ambiental e sustentabilidade econômica, financeira e jurídica. Pode ser que indiquem que o VLT pode ser realizado em respeito ao cronograma da Copa”, indica Renan Araújo ao site de notícias do grupo da Globo. Mas reconhece que, caso necessário, o governo pode assumir e melhorar o BRT.
PREFEITURA QUER ÔNIBUS MODERNOS:
Já a Prefeitura de Salvador, usando números mais realistas, é categoria em afirmar quer prefere o sistema de BRT.
Tudo já está previamente calculado para os corredores de ônibus que transportam número semelhante de passageiros que o VLT, mas que são mais baratos e de fácil implementação.
O recurso inicial para as obras é de R$ 570 milhões sendo que o total investido é de R$ 3 bilhões.
O engenheiro Fernando Ulisses, que está à frente da Rede Integrada de Transporte de Salvador, explicou que o BRT pode reduzir em até 83% o tempo de espera pela condução e que, com a otimização dos ônibus pelos corredores exclusivos, com pontos de ultrapassagem e possibilidade de pré-embarquem o pagamento da passagem antes de entrar no ônibus, a média de transporte de cada veículo pode passar de 70 pessoas para 200 pessoas durante a viagem.
Fernando Ulisses disse que o BRT pode atender uma linha de 43 km entre o Aeroporto e o Acesso Norte, contando com 127 km de corredores e um trecho a mais para ligar a Estalção Iguatemi até a Lapa e a Calçada.
Assim, frente aos recursos, às obras necessárias ao tempo e ao número de pessoas beneficiadas em comparação entre o BRT e VLT, a prefeitura de Salvador não tem dúvidas em afirmar que o sistema de ônibus modernos é mais vantajoso.
Não bastasse, no entanto, as indefinições muito em cima da hora sobre qual modal de transporte a ser escolhido, Salvador e região também assistem uma novela que não termina.
As obras do Metrô já consomem 12 anos e muitos recursos públicos, não aplicados seriamente, e o metrô já é considerado uma lenda urbana.
COMPARAÇÃO ENTRE OS MODAIS:
Na verdade, nunca ônibus convencionais, BRT (ônibus rápidos em sistemas modernos), VLTs (Veículos Leves Sobre Trilhos), Monotrilhos, Metrô, trem de superfície convencional devem ser colocados em situação de oposição. Na verdade, os meios de transportes devem se complementar.
Há locais cuja demanda é tão grande que o ideal é o metrô. Outros, já podem aproveitar suas estruturas de trens já instaladas. Em outros, a necessidade de implantação de sistemas modernos, que atendam grande quantidade de passageiros mas com valor viável e sem grandes modificações no espaço urbano, clama pelo BRT.
Isso é o ideal. Mas, quando se trata de transportes e obras públicos, nem sempre o ideal é realizado.
Há momentos que exigem respostas e ações rápidas. Como a urgência frente aos eventos internacionais, como Copa do Mundo, e para recuperar o atraso de anos e anos de defasagem na política de mobilidade urbana.
Assim sendo, é necessário saber o quanto o poder público pode gastar e não se atrever em obras politicamente atrativas, mas com poucos resultados rápidos.
Caso contrário outros exemplos como o Metrô de Salvador ou os projetos megalomaníacos de São Paulo podem virar uma epidemia, do tipo de doença que causa sangria no nosso dinheiro.
Assim, é necessário não só pensar em quanto se vai gastar, mas se o que vai ser gasto vai atender de maneira eficaz uma demanda cada vez maior.
Não adianta gastar muito em um modal se outro tem capacidade de atendimento semelhante e é bem mais barato, só em nome de “fomos o governo que trouxe de maneira inédito o sistema tal”.
Assim, em números, o VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos – em algumas situações podem ser nada vantajosos se comparado ao BRT – Bus Rapid Transit.
Enquanto um veículo de VLT pode atender de uma só vez 400 pessoas, os ônibus biarticulados do BRT transportam 270 pessoas. No entanto, o valor do veículo do BRT é muito inferior ao VLT, sendo possível, sem interferência na velocidade, colocar dois ônibus biarticulados no lugar de um VLT, por um custo menor. Assim, seriam 540 pessoas atendidas em vez de 400.
Em relação a velocidade média, o que o VLT vai proporcionar à população também pode não valer a pena.
A velocidade média do VLT, considerando o tempo que a pessoa gasta de caminhada até a estação, é de 20 km/h enquanto que do BRT essa velocidade sobre para 27,5 km/h, segundo o instituto de engenharia e urbanismo Jaime Lerner, considerado o criador do BRT.
Este estudo leva em conta um ponto muito interessante no cálculo de velocidade média entre os modais.
Ele inclui nesta velocidade a marcha a pé empreendida pelo passageiro até chegar ao meio de transporte.
E isso é muito importante e sério. Pois mobilidade não começa quando a pessoa entra no ônibus, trem ou metrô, mas os serviços de transportes já dêem considerar o momento que a pessoa sai de casa, do trabalho, da escola ou de qualquer outro local para pegar a condução.
E neste aspecto, o VLT deixa a desejar ao BRT, isso porque a distância entre as estações do Veículo Leve Sobre Trilhos é bem maior que das estações de ônibus, exigindo caminhadas mais longas, o que diminui a velocidade média do deslocamento geral na viagem.
E se não bastassem as comparações dos índices operacionais, a questão dos custos e do tempo de implantação frente aos benefícios também revelam vantagens para o BRT.
Enquanto 10 quilômetros de BRT custam R$ 100 milhões para a implantação, o custo do VLT para os mesmos dez quilômetros sobem para R$ 404 milhões atendendo quantidade de passageiros muito semelhante e com velocidade média muito próxima também.
Não é questão de defender o BRT ante o VLT, que tem sim suas vantagens, como ser um veículo totalmente limpo.
Mas, o País não pode esbanjar dinheiro do povo. E por que pagar mais caro por um sistema que tem resultados semelhantes? Só porque eleitoralmente o nome pode soar melhor?
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.