Iluminação do Rodoanel virou piada de primeiro de abril
Em plena época de apelo pela preservação do meio ambiente e com riscos cada vez maiores de segurança, trecho Sul do Rodoanel tem iluminação precária, em sua maioria, operando com óleo diesel
ADAMO BAZANI – CBN
Vários trechos da ala Sul do Rodoanel são pura escuridão na parte da noite, trazendo risco de segurança, como assaltos, e de acidentes. Os celulares não pegam, faltam telefones de emergência e os poucos trechos iluminados dependem de geradores a diesel. Foto Luciano Vicioni.
Foi no dia primeiro de abril de 2010 que o trecho Sul do Rodoanel era inaugurado, mesmo que incompleto. A obra que possibilita a ligação de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá às estradas próximas quando foi apresentada há exatamente um ano não tinha iluminação suficiente, pouca infra-estrutura, como áreas sem cobertura de celular, inexistência de postos de combustíveis e sinalização precária.
Em relação à iluminação, a Dersa, no dia primeiro de abril do ano passado, durante a inauguração incompleta, dizia que no máximo em três meses o invento da luz elétrica chegaria ao Rodoanel.
Será que foi pegadinha de primeiro de abril?
Porque passaram-se os três meses e nada de iluminação elétrica.
O Governo do Estado de São Paulo anuncia a preocupação com o meio ambiente. Vai exigir mais ônibus limpos no Corredor Metropolitano ABD, que liga São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, a Jabaquara, na zona Sul, pelos municípios de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema e faz propagandas sobre obras de transportes que ainda não saíram do papel e nem devem ser concluídas no tempo previsto, como antes da Copa do Mundo de 2014, cuja propulsão é elétrica, a exemplo dos midiáticos monotrilho e VLT.
Mas em um ano e algumas horas de operação, boa parte da iluminação do Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, quando ela existe, é feita a diesel.
Isso mesmo, o diesel dos ônibus e caminhões que é apontado como um dos vilões da qualidade do ar.
Na verdade, nem é o mesmo diesel, já que o combustível S 50 dos ônibus tem índices inferiores de enxofre e material particualdo.
A falta de iluminação também afeta as extensões da Avenida Jacu Pêssego e da Avenida Papa João XXIII, em Mauá.
Na avenida Jacu Pêssego há dois geradores a diesel.
Não é só combustível e pulmão que são queimados com a falta de iluminação.
Não bastasse a insegurança de se transitar por trechos escuros e com pouco sinal para celular, que pode ser usado num eventual pedido de socorro, muito dinheiro também tem sido queimado junto com o diesel.
Desde o dia 10 de março deste ano, o Consórcio SPMAR, pertencente ao Grupo Betim, já gastou R$ 2,5 milhões para alugar os geradores, isso sem contar com o diesel.
Se esse gasto é de menos de um mês, imagine quanto o Governo do Estado de São Paulo não teria gastado com o expediente. Mas o poder público estadual não falou de valores.
EMPURRA – EMPURRA:
A pelo jeito, a situação ainda ficará indefinida por algum tempo.
A repórter Carol Scorce, do Jornal ABCD Maior, entrou em contato com a SPMAR, com a Dersa e com a Eletropaulo, responsável pela instalação dos postes.
A SPMAR disse que não vai iluminar a via, pois mesmo ela sendo a atual administradora do Trecho Sul do Rodoanel, o contrato para a colocação dos postes foi celebrado entre a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S A) e a Eletropaulo, empresa responsável pelo abastecimento energético de parte do Estado de São Paulo.
A Dersa vai entrar na Justiça contra a Eletropaulo pedindo o ressarcimento dos gatos com os geradores, já que a última previsão de entrega dos postes, após vários adiamentos foi era para 16 de março.
A Eletropaulo culpa a Dersa. Disse que já estava pronta para instalar os postes, mas que a empresa de Desenvolvimento Rodoviário S.A. não teria resolvido problemas de natureza burocrática e de engenharia para que o trecho estivesse apto a receber os postes.
Ou seja ninguém se responsabiliza de fato para a iluminação do Trecho Sul do Rodoanel.
Não há uma data oficial para que o Rodoanel seja iluminado. O consórcio SPMAR têm até 180 dias, contados desde 10 de março, quando assumiu a concessão do trecho, para aprimorar as obras, com sinalizações, poda de árvores e de mato, colocação de telefones de emergência e pavimentação de maior durabilidade.
Dos 44 mil veículos que circulam pelo Trecho Sul do Rodoanel, cerca de 60% são de caminhões e ônibus.
Se o Governo do Estado diz que o trecho Sul do Rodoanel aliviou o trânsito, principalmente de caminhões em vias movimentadas como na Avenida dos Bandeirantes, por causa das obras inacabadas, em outras regiões cortadas pelo Rodoanel, a fluidez no tráfego piorou. Prova disso é a entrada do município de Mauá, que com poucas faixas para os veículos por conta do canteiro de intervenções apresenta longos congestionamentos tanto para quem sai como para quem entra na cidade.
Não há prazo concreto nem para iluminação nem para conclusão das obras viárias que faltam para o Rodoanel se tornar de verdade.
Há só uma definição: a cobrança de pedágios, que deve começar em julho, de acordo com a própria concessionária SPMAR. Há outra previsão também: a arrecadação neste ano deve ser de R$ 40 milhões, só nos seis meses de cobrança.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.